The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Constante

Hoje, José Manuel Fernandes saiu-se com uma brilhante: acha que o Governo vai terminar a legislatura. E acha que isso se deve às boas notícias que começam a aparecer, a ida aos mercados e a boa execução orçamental.

É claro que nem lhe passa pela cabeça que não é particularmente difícil o governo aguentar-se até ao fim da legislatura. Basta continuarem a fazer o que sempre têm feito: ignorar tudo e todos; acreditar que esse “tudo e todos” é inteiramente constituído por imbecis; que acreditam em todas as tretas que lhes atiram. E se não acreditam, o quê? O Governo é o Governo  e pode fazer o que lhe apetece!

Ou seja, para a maioria das pessoas, pensar que o governo se vai aguentar até ao fim da legislatura é uma má notícia que deixa para trás todas as outras. Não faz diferença nenhuma. E Fernandes até o admite:

“Essas notícias de Janeiro não mudaram nada no nosso dia-a-dia, não aliviaram um grama a austeridade, não devolveram um euro no IRS sobre os salários. Mas funcionaram como um bálsamo psicológico. Ao contrário da cultura mediática dominante, o público não anseia morbidamente por más notícias atrás de más notícias, pelo contrário. Depois de tantas novidades deprimentes e de tantas previsões sobre o pior que ainda estava por chegar, aquelas boas notícias não retiraram o país da depressão mas permitiram um suspiro de alívio.”

Há umas semanas, Pacheco Pereira falava da futebolização da política e este é o melhor exemplo. O efeito das “boas notícias” não passa da alegria que se tem quando o “nosso clube” ganha. Alguém meter três ou quatro vezes uma bola numa baliza distante não tem praticamente nada a ver com a nossa vida. Não é muito diferente de torcer pela Aliança Rebelde enquanto se vê pela 20ª vez a Guerra das Estrelas. Não nos aumenta o salário, diminui os impostos. Não nos devolve um emprego ou uma empresa perdidos. E o Império não vai ganhar.

E é claro que entretanto as boas notícias já se foram. Percebeu-se que a ida aos mercados foi apenas mais uma tentativa de impressionar a Europa que se arrisca a não dar certo. E meteu-se a pata na poça com a nomeação dos Secretários de Estado. E Fernando Ulrich zurrou a sua idiotice semanal. E o Governo defendeu-o como não podia deixar de ser. Etc.

Na verdade, já nem interessa muito o escândalo seguinte – e o Governo sabe-o. Segundo a Teoria da Relatividade, se estivermos num comboio em movimento e atirarmos uma bola na direcção da marcha, a velocidade da bola será maior que a do comboio. Se o comboio estiver a andar à velocidade da luz, não, porque nada pode andar mais rápido que a luz – tudo é relativo, menos a velocidade da luz. Ora o Governo já atingiu uma espécie de constante da parvoeira. Qualquer imbecilidade que diga ou faça, já não o torna pior. Tudo é relativo menos a incompetência do Governo.

E isso não é um alívio. Porque já nem se dão ao trabalho de disfarçar. Fazem o que fazem com a mais descomunal lata. Neste aspecto são o Governo mais transparente dos últimos anos. Se “transparência” for aquilo que o vizinho nos diz quando nos cruzamos com ele enquanto vai, mais uma vez, buscar o correio todo nu. Claro.

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Filed under: Crítica

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