The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ó, a ironia disto tudo…

Quando escrevia sobre o cacilheiro de Veneza, ocorreu-me que alguém ainda diria que aquilo na verdade era uma crítica do poder, das instituições, dos símbolos nacionais, do próprio mundo da arte, etc. – uma ironia que o nosso governo seria demasiado tótó para perceber.

Mas, sinceramente, muito sinceramente (uso aqui o termo com rigor, por oposição a “ironicamente”), estou-me nas tintas para a ironia.

Preferia e prefiro arte que assuma claramente as suas posições. Já estou farto de saber que vivemos no pós-modernismo, que as coisas podem ter diferentes significados, que Che Guevara é uma apropriação da imagem de Cristo, e que, por sua vez, pode ser apropriado pela Madonna, pela Cher, ou por quem quer que seja. Se o significado é livre, isso só significa que se precisa de lutar por ele.

O nosso amigo Passos sabe isso muito bem. Lutar pelo significado é com ele. Ironia é com ele. “Colaboradores” em vez de  “Trabalhadores”. “Não estamos a destruir o Estado Social”, etc. A cara de pau do homem é infinita.

Se calhar o termo correcto nem é “ironia” mas “treta” – nem interessa se o que se diz é verdade ou mentira. O que interessa é conseguir dar a volta ao problema actual ignorando completamente o que se disse na semana passada.

Daí a justeza da escolha de uma “artista laureada” que produz denúncias do empreendorismo que, ainda assim, promovem maneiras inovadores de promover os produtos nacionais lá fora através de parcerias com parceiros privados; que é uma crítica da simbologia nacional enquanto simboliza esse mesmo país através desses símbolos; que por ter sido escolhida directamente pelo governo é uma chapada na cara do “millieu” e portanto quase uma outsider, uma lufada de ar fresco.

Sinceramente, é tudo uma treta. Banha da cobra que cura a calvicie e depila a coxa.

Alternativas? Claro que há. Em primeiro lugar, esqueçam a ironia.

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Filed under: Arte

One Response

  1. concordo mário. o problema está tanto num lado como no outro. o facto é irónico, mas o que é também sincero é que ambas as partes não percebem a ironia. o governo por incompetência. a artista… por burrice. para a ironia também estou nas tintas. para o que é sincero fico revoltado.

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