The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Moção de Censura

Não acredito que haja qualquer tipo de censura quando manifestantes interrompem os discursos de qualquer ministro deste governo cantando o “Grândola Vila Morena”. Se calhar até se trata de legítima defesa. Habitualmente, são os discursos destes ministros que interrompem o “Grândola Vila Morena” e tudo o que lhe está associado.

Não foi censura; quando muito foi uma moção de censura.

A censura condiciona o discurso público. Poder-se-ia defini-la como o acto deliberado de subtrair ao discurso público. Suprimindo, desencorajando, matando, tudo isto com mais ou menos violência. Se os cantores do Grândola impediram os ministros de se exprimirem nessa ocasião, essa acção foi feita em público, com o objectivo de ser mediática. Tratou-se de somar algo ao debate público. O que se espera dos ministros não é silêncio mas uma resposta que não ignore, como de costume, tudo e todos.

Este governo tem todos os meios e mais alguns para se exprimir na televisão, nos jornais, convocando conferências de imprensa de cobertura condicionada, de pressionar jornalistas e quem quer que seja, de tratar como criminosos gente que se manifesta pacificamente. Já fez isso tudo. E fez tudo isso em nome do voto que os portugueses depositaram neles. De representarem por isso os Portugueses.

A única maneira de fazer frente a isto, a esta pressão contínua, a esta convicção inabalável que a democracia só acontece a cada quatro anos – e com algumas salvaguardas, a economia, os mercados — é com uma pressão contínua, permanente. Quotidiana. Que não pode ser facilmente ignorada sem se cair no ridículo — Relvas a trautear, Passos a dizer que aquilo lhe fazia lembrar as comemorações do 25 de Abril e não o próprio 25 de Abril.

Quem interrompe assim um ministro está a dizer, de um modo muito simples e eficaz, inquestionável, que aquele ministro já terminou o seu mandato. De lembrar a um membro de um governo que parece afastado de tudo e de todos que há mundo cá fora. De lembrar televisões e jornais disso. De lembrar outras pessoas que ainda é possível intervir pacificamente, de fazer pressão sobre os poderosos de um modo que não pode ser ignorado.

Tudo isso está a ser acrescentado ao discurso público.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. OutofWorld diz:

    a cantiga é uma arma eu não sabia tudo depende da bala e da pontaria (…)

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