The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Cães Selvagens

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Ando a ver Suburbia, de Penelope Spheeris (1984), que inspirou a música dos Pet Shop Boys com o mesmo nome. É a típica história Punk e faz um bom par com Repo Man, embora seja muito mais violento. Jovem filho de pais alienados à frente da TV vai parar a uma comunidade de rejeitados pela mão de um mentor carismático e nihilista. A primeira cena do filme marca o tom, com um cão selvagem a matar uma criança à beira da auto-estrada. Obviamente, os cães, filhos de cães de família abandonados e de coiotes, são uma metáfora para os jovens protagonistas, também eles ferais e à solta em subúrbios entaipados – filhos do Vietnam, da crise e dos subúrbios.. Crianças selvagens, como se vê bem na imagem do rapazito de moicano no triciclo (aparece no trailer).

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Filed under: Crítica

Não aceite imitações

Os americanos, por exemplo, tendem a exibir o que eles próprios chamam “excepcionalismo”, a tendência para acreditarem que podem cometer os mesmos erros que os outros, porque são diferentes e com eles vai tudo correr bem. Acham que hão-de continuar a ser uma superpotência por muitos e bons anos, tal como os ingleses e os franceses antes deles, e antes deles os holandeses, e antes os espanhóis e portugueses, e os romanos, fenícios, etc. Leia o resto deste artigo »

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Comida, Stickers e Livros

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Ainda às voltas por Berlim. Comida: turco, vietnamita, etíope, japonês. Nem sei com o que se possa parecer a comida alemã. Andar a pé (a esmigalhar gravilha e gelo), de metro, comboio e eléctrico. Já fui parar tantas vezes à Alexanderplatz que começo a desconfiar que há uma dúzia delas, iguaizinhas, espalhadas pela área metropolitana. Bares com casas de banho forradas a autocolantes, criticando o “kapitalismus”, silhuetas em stencil do snoopy e do charlie brown com lacinhos na cabeça (um evento travesti). Farrapos de neve e cerveja polaca. Fui parar à motto por acidente, porque vimos o letreiro do comboio e saímos na paragem errada. Não parecia tão entusiasmante como a Pro Qm, talvez porque as secções óbvias sejam mais formais do que temáticas, políticas (editoras, fotografia, autores, géneros). Enquanto vagueava vi muitas publicações portuguesas, algumas de surpresa, desconhecidas. Acabei por comprar, por impulso, uma revista francesa, Shelf, pelas imagens digitalizadas, um pouco toscas, de livros antigos.

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O Sítio Certo

Em Berlim, fui visitar a livraria Pro QM, muito próximo de Alexanderplatz. Mal se entra percebe-se que é o sítio certo – e que vai ser doloroso escolher. Em frente à porta por onde entrei, política, à esquerda arte, mais à frente design, design gráfico e uma prateleira dedicada ao punk e às subculturas – e isso é só o começo. Não é enorme, mas tudo o que tem, e não é pouco, interessa. É como um sonho onde se descobre em nossa casa uma porta (óbvia, evidente, como nunca demos por ela?), para uma sala onde estão todos os livros que nem sabíamos que nos faltavam: um álbum inédito do Tintin, a 21ª Dot Dot Dot. As minhas escolhas, determinadas tanto pelo gosto como pelo espaço na mochila, acabaram por ser práticas: comprei livros que me custaria mais encomendar. Não comprei nada sobre design gráfico. Nem me lembro bem do que tinham. E isso entristece-me um pouco. Acabei por trazer dois da Sternberg, Cultures of the Curatorial e Work Work Work, um sobre curadoria o outro sobre arte como trabalho. Nada mais próximo e nada mais oposto. Numa das estantes tinham um onde participei: A Economia do Artista, da Braço de Ferro. E os livreiros discutiam o envio de uma encomenda para Portugal. O sítio certo.

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Opções

Desde há muito que acredito que a arte não é de todo autónoma, mas depende das circunstâncias onde é produzida e reproduzida, dos meios que lhe são dedicados, da opinião que lhe é dedicada, etc. Quando se diz que a arte deve ser apreciada apenas pelas suas qualidades formais tal como são determinadas pelo artista, isso significa apenas que se prefere suspender toda a consciência dos meios necessários para criar e manter arte na nossa sociedade.

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Para quem, como eu, nasceu a 29 de Fevereiro, a internet trouxe uma abundância de dias de aniversário. Habitualmente, comemoro a 1 de Março mas o facebook arredonda para trás, para 28, e amigos em fusos horários exóticos começam-me a dar os parabéns a 27, enquanto outros, em outros fusos, dão-mos a 2 de Março. A estes quatro dias de aniversário juntam-se um quinto, o do blogue, 26 de Março, no fundo a minha identidade pública, que já conta, a partir de hoje, hoje mesmo, com nove anitos. Se usasse bibe, já estaría a concluir a primária. Leia o resto deste artigo »

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Assembleias

Há uns tempos o José Bártolo escreveu um texto onde incluía eventos como o Old School, as Conversas ou o Jornal Falado da Crítica, no que classificava como Crítica Cool. Eu diria antes que a marca comum destes projectos não é tanto serem um exercício de crítica, mas  algo que não é exactamente teatro, performance, conversa, tertúlia, exposição ou exibição – à falta de melhor, chamar-lhe-ei assembleia. Leia o resto deste artigo »

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Arte em Tempo de Cólera

Só mais uma achega, em resposta directa ou indirecta a comentários, tanto neste blogue como ao vivo. Criticar a escolha da Joana Vasconcelos para artista do regime não significa proibi-la ou censurá-la. Apenas declarar que não devia ser uma prioridade pública – e a angariação de mecenato também é um gasto de tempo e de recursos públicos. A Joana Vasconcelos é perfeitamente livre de fazer o que lhe apetecer. Se alguém decidiu usar o dinheiro dos meus impostos ou a disponibilidade de um cargo público que me representa para promover ou apoiar a sua obra, tenho todo o direito de pôr em causa essa escolha. Leia o resto deste artigo »

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Bilhete para Veneza, para dois, por favor

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É um sucesso! Um sucesso! Só para terem um termo de comparação, um dos últimos textos que escrevi sobre o cacilheiro teve 5319 visitas só nos três primeiros dias (e foi a meio da semana). Não, não estou à espera que me paguem uma ida a Veneza. E, ao contrário de muito boa instituição cultural, tenho consciência que uma “visita” não é o mesmo que um voto de confiança, às vezes só significa que não se tem mais que fazer e se vai dar uma olhadela. Outras, significa que se vai ver o que é aquela pessegada com os próprios olhos.

(E, já agora, para quem acha que a qualidade de um objecto se mede pela discussão/escândalo que gera. Notem que esse argumento não passa de uma maneira encapotada de mandar calar o interlocutor: se é a discussão que dá qualidade à obra da Joana Vasconcelos, então dizer que ela é má só a torna boa; portanto, só ficando calado é que se assegura que ela é má. Ou então percebe-se que este é um argumento completamente idiota, que defende o valor da discussão enquanto  a desautoriza no mesmo  momento.)

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A Arte da Treta

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Não há muito mais para dizer sobre Joana Vasconcelos excepto repetir o óbvio: ela é a escolha perfeita para representar quem nos tem governado. Se ainda houvesse dúvidas da hipocrisia da Austeridade, bastaria olhar para o género de arte que esta gente escolhe para sua representação. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Arte

Motivos

Com a internet, é comum tomar-se parte de uma discussão qualquer sem conhecer sequer a cara ou a voz das pessoas com quem discutimos, o sítio real de onde discutem, o que vestem, o que comem. Discutir em público implica fazê-lo com estranhos e à frente de estranhos. Ou melhor, significa que temos uma identidade pública que discute com outras identidades públicas. “Estranhos” dá a entender que não sabemos nada sobre os nossos interlocutores, o que não é verdade: conhecemos pelo menos as suas opiniões públicas, mesmo que tudo o resto seja anónimo. E é quanto basta. Leia o resto deste artigo »

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Sinergias

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Já não tenho paciência. Se forem ver ao dicionário, “sinergia” significa cooperação ou acção conjunta, mas o próprio som da palavra já evoca o zumbido do projector, a transição animada de slide do powerpoint, a foto de fundo tirada de um banco de imagens com muita gente a sorrir numa direcção qualquer que nos escapa. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica

É Já Este Sábado

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Paulo de Cantos! No Princípe Real! Livro Homem! Homem Livro!

 

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Política e Cultura

Hoje no Público uma reflexão sobre o aniversário do CCB em três artigos. O mais interessante é o mais geral que defende que “o modelo do Grande Centro Cultural está esgotado”, e agora faz mais sentido a organização em rede de pequenos centros culturais. Segundo o artigo, em Portugal essa articulação não acontece, funcionando cada instituição em isolamento, até dentro da mesma cidade, a Culturgest alheada do CCB, etc. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Economia, Política, Prontuário da Crise

Casa de Ferreiro

Na era pós-Bolonha, fala-se muito do design como área científica e o que significa realmente isso? Na prática significa que a administração de uma instituição dedicada ao ensino de design (artes) se torna igual à das ciências exactas. A ciência é aqui um sinónimo de avaliação de desempenho, de progressão de carreira, papers, etc. Resumindo numa palavra: burocracia.

Se não, vejamos. Leia o resto deste artigo »

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Pagar a pessoas e não a objectos ou gestores

Gosto de livros e revistas, e sempre hei-de gostar. Porém, neste momento tenho algumas dúvidas. Não em relação a estes formatos enquanto construções editoriais, maneiras de organizar e aceder a informação, mas enquanto coisas, objectos físicos. Colecciono livros e revistas antigos mas, cada vez mais, prefiro ler coisas novas no ecrã. Se ouço falar de um artigo, livro ou revista, é fácil estar a lê-lo uns segundos depois no mac, no ipad ou até no ipod. Leia o resto deste artigo »

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História de uma Ideia Perigosa

Ando a ler Austerity: The History of a Dangerous Idea, de Mark Blyth, cujo argumento está muito bem resumido no vídeo acima: uma crise privada dos bancos tornada numa crise pública. É uma história ponto a ponto de como tudo isto aconteceu (e ainda acontece). A sensação que fica a um terço do livro é a de, a meio de um desastre, rebobinar e ver o desastre até agora com toda a clareza e toda a lucidez. E cada vez que se pousa o livro o desastre continua. Chipre. Gaspar.

Como bónus ainda se desmonta a hiperinflação dos anos 1920, que na verdade até deu jeito aos alemães (ao Governo não à população, claro) e outros mitos do género. É pena não servir de nada no meio de uma crise de argumentos Zombie que não adianta destruir porque voltam seeeeempre. E nós até temos um governo Zombie.

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Marginalidade e Transgressão

Há sempre quem defenda que as artes devem ser marginais. Pessoalmente discordo. Acredito que, nos tempos que correm, devem ser transgressivas mas o menos marginais possível. O que quero dizer com isto? É simples: enquanto marginal significa exclusão voluntária ou involuntária, transgressão significa recusar ou ignorar barreiras, ser o mais móvel possível, recusar essa exclusão. Leia o resto deste artigo »

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“Eu não disse?”

Já se tornou rotina citar Einstein a propósito deste Governo, de lembrar que a loucura consiste em repetir a mesma coisa uma e outra vez esperando resultados diferentes.

Mas este Governo ainda vai um pouco mais longe. Faz a mesma asneira vezes sem conta, esperando que desta, contra todas as expectativas que não as suas, dê certo. E se lhe dizem que insiste no erro, responde que quem critica é que devia apresentar alternativas. Leia o resto deste artigo »

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Possidónios (e Egrégios)

Qual a melhor palavra que descreve quem nos governa? Eu votava em possidónio. Somos governados por uma cambada de possidónios. Se têm dúvidas vejam abaixo a definição do priberam:

possidónio
(Possidónio, antropónimo)

s. m.
1. [Depreciativo]  Político provinciano que só vê a salvação do país no corte profundo e incondicional de todas as despesas públicas.
adj. s. m.
2. [Depreciativo]  Que ou quem é pretensioso, emproado. = CONVENCIDO, PRESUMIDO, SOBERBO
3. [Depreciativo]  Que ou quem revela falta de sofisticação, de requinte, de bom gosto. =PAROLO, PIROSO, SALOIO

Qual a palavra que melhor nos define como povo? Eu propunha egrégio, que até aparece no hino. É uma palavra que vem do Latim, significando originalmente ilustre, que se destaca do rebanho. No inglês sofreu uma mutação curiosa no século XVI. Começou a ser usada ironicamente e com o tempo o significado passou a ser o oposto: muito mau, ofensivo, até nojento. Vejam a definição do freedictionary.com:

1. outstandingly bad; flagrant an egregious lie
2. Archaic distinguished; eminent

(Num país onde até os ministérios fecham para dar lugar a bares chamados ironicamente Ministerium, nem é preciso dizer mais nada.)

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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