The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Sociopatas

Depois de uma semana, a manifestação do 2 de Março vai sendo declarada como um fracasso, pela direita (claro) assim como por muita esquerda. Diz-se que os manifestantes iam em silêncio, sonâmbulos, etc. Que eram gente sem experiência, sem organização. Que saíam à rua pela primeira vez. Que não eram assim tantos. Que o Governo e o Presidente, por tudo isso e muito mais, não lhes ligaram nenhuma. E é aí que bate o ponto: que a culpa de não terem sido ouvidos, de não terem sido consequentes é sua e só sua. Que de algum modo não merecem. Se tivéssemos a ousadia dos Espanhóis, a experiência dos Franceses,o desespero dos Gregos, a violência dos Ingleses, o voluntarismo dos Americanos tudo seria diferente.

No fundo a mesma léria que se diz sobre a crise: que falhámos porque tivemos a ousadia de, como povo, viver acima das nossas capacidades. Mas, no caso desta manifestação, se falhou foi porque o Governo e o Presidente decidiram não a ouvir. O pior silêncio foi o deles. Os manifestantes jogaram de acordo com as regras mais elementares da democracia. O Governo e o Presidente é que se encontram neste momento em território novo, onde já vão entrando há bastante tempo, violando a Constituição abertamente, ignorando tudo e todos. Já não se dão sequer ao trabalho de respeitar a letra da lei. E seria demais pedir que respeitassem a ética democrática.

Esta manifestação não demonstrou a incompetência ou a culpa dos manifestantes, mas a incompetência desavergonhada deste Governo e deste Presidente, o seu desrespeito pelos princípios mais elementares da vida democrática. Estamos a ser dirigidos por sociopatas e a culpa não deveria ser (não é) das vítimas.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. Dário C. diz:

    Boa tarde,

    Concordo de uma forma geral. No entanto, se estamos perante um governo que não joga pelas regras parece-me que não faz muito sentido continuar a fazer as manifestações em concordância com a ética democrática. Isto é, o respeito individual, deveria significar um respeito mutuo de todas as partes. Mas parece-me estranho ver essas manifestações a cair numa espécie de ritual onde as consequências são residuais e a perspectiva, por parte dos dirigentes políticos, é condescendente e moralista.

    Se não existir um ambiente propício à prática dessa mesma vida democrática porque deverá, uma pessoa revoltada, respeitar os seus processos?

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