The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Pagar a pessoas e não a objectos ou gestores

Gosto de livros e revistas, e sempre hei-de gostar. Porém, neste momento tenho algumas dúvidas. Não em relação a estes formatos enquanto construções editoriais, maneiras de organizar e aceder a informação, mas enquanto coisas, objectos físicos. Colecciono livros e revistas antigos mas, cada vez mais, prefiro ler coisas novas no ecrã. Se ouço falar de um artigo, livro ou revista, é fácil estar a lê-lo uns segundos depois no mac, no ipad ou até no ipod.

Mas não é apenas a conveniência informática que me faz duvidar dos formatos físicos. Quando escrevo um artigo para uma revista ou para um livro, é comum o texto ficar morto, às vezes durante anos à espera de ser publicado, mais anos ainda à espera de ser distribuído ou lido. É uma demora terrível, que faz qualquer texto perder a sua urgência muito rapidamente.

Depois, há a questão do dinheiro. É muito raro ser pago para escrever online, mas pouco mais raro do que ser pago para escrever sobre papel. Quando alguém me convida para uma revista ou livro assumo que não vou ser pago ou então que mal vou ser pago. O pouco dinheiro disponível costuma ir para a impressão da revista ou para quem dirige o projecto.

Ainda se vê um objecto físico, impresso, encadernado, distribuído, como algo com uma certa legitimidade por comparação com a net. Dá a entender que alguém gastou dinheiro com o nosso trabalho — e é verdade, se não houver diferença entre gastar dinheiro com o nosso trabalho ou connosco. Assim, comecei a ver cada objecto impresso como um monumento às políticas actuais, que preferem gastar dinheiro em coisas do que nas pessoas que as produzem.

O mesmo se pode dizer de eventos, exposições, conferências, etc.

Qual a solução? Se há algum dinheiro, preferir objectos e formatos o mais baratos possível, preferindo pagar a toda a gente envolvida do que sacrificar isso à qualidade material do evento. Preferir modelos hierárquicos onde o dinheiro não fica no topo. Quando eu digo preferir não falo apenas de uma opção estratégica mas de uma opção crítica.

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Filed under: Crítica

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