The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Arte da Treta

482148_10200850838823870_1020836815_n

Não há muito mais para dizer sobre Joana Vasconcelos excepto repetir o óbvio: ela é a escolha perfeita para representar quem nos tem governado. Se ainda houvesse dúvidas da hipocrisia da Austeridade, bastaria olhar para o género de arte que esta gente escolhe para sua representação.

Enquanto se prega a virtude e a contenção, promovem-se simulacros, caricaturas inchadas e superlativas do que, pelos vistos, se acredita ser a cultura popular. Enquanto se secam os apoios à cultura e ao seu ensino, apoia-se este pato-bravismo de luxo.

Não é de todo acidente que o ambiente natural desta coisa sejam os palácios e as galas. Versailles.

E, como seria de esperar, haverá sempre quem defenda que tudo isto é ironia e sátira, que a artista na verdade está a ridicularizar o poder político que a escolheu. Mas até esse cinismo conformista de larga escala, que se presta a dizer que sim e que não conforme sopra o vento,
às vezes até ao mesmo tempo, é o reflexo exacto  e perfeito do poder que nos tem governado. Uma arte feita da mais pura treta.

Anúncios

Filed under: Arte

13 Responses

  1. […] Detalhes em The Ressabiator – A Arte da Treta […]

    • Luis Gomes diz:

      Goste-se ou se deteste do trabalho da Joana, o que é certo é que se fala dela, tanto os admiradores como os detractores, e isso é o que ela quer, aliás a arte de qualidade é aquela que provoca discussões, tanto positivas como negativas, é a arte que provoca a critica, porque gostos não se discutem….

      • vitor rua diz:

        Se há coisa que se discute são os gostos! Já lhe expliquei no artigo “A arte que merecemos”! E você continua a insistir nessa máxima popular, mas sem qualquer sentido! E repare que não é só na Arte! Mesmo em coisas do dia-a-dia! Por exemplo: eu gosto de sumol de laranja e você gosta de sumo natural de laranja. Gostos não se discutem, certo? Mas um médico vai dizer à pessoa que gosta de sumol o seguinte: “Olhe que o sumo de laranja natural faz-lhe muito bem, mas o sumol faz-lhe muito mal. Tem falsos açucares e produtos nocivos à sua saúde”. Que está a fazer este médico? Está a discutir o “gosto” do seu paciente. A tentar que ele evolua no “gosto”. A educar o seu palato. Ou seja: a DISCUTIR o gosto do seu paciente. E se o paciente for suficientemente esperto, deixa de beber laranja artificial e passa a beber da natural. É como alguém admirar a obra do suporte de garrafas do Duchamp e depois admirar-se a cópia da JV no CCB. Eu se fosse seu médico dizia-lhe algo do género: “Para que está a admirar esta cópia de 2010, se pode admirar o original do Duchamp realizado quase 100 anos antes? E se você for esperto como o paciente da laranjada, educa o seu gosto. E educa porque se DISCUTIU o gosto. Quando disser uma frase, mesmo que esta seja dita por várias pessoas, meta-a em causa! Sabe qual é a definição de “Silêncio” no dicionário da Academia (aquele que já tem o termo “bué”)? É a seguinte: “Ausência de ruído”. Ou seja, se eu estiver numa sala com 100 pessoas em silêncio e eu estiver a tocar piano beethoven, estremos, segundo os senhores de barbas que realizaram a enciclopédia, em silêncio!!!! Pois não há ruído!!! Existe apenas o som do piano que não é ruído!!! Logo estamos perante “ausência de ruído”… Logo estamos em silêncio… Já viu o absurdo???… Mas como vem numa enciclopédia, as pessoas repetem o que lá vem e até ensinam isso nas escolas. Mas o facto de todos lerem aquilo não significa que aquilo esteja certo! Não está! Está errado! Outro exemplo: nas escolas ensinam que há animais “racionais” e “irracionais”. Ora qualquer pessoa que tenha um gato em casa ou um cão, sabe a imbecilidade dessa frase!!!! Mas continua-se a perpetuar esse cliché do racional versus irracional. Quer mais exemplos de incongruências e erros perpetuados pela tradição?….

      • ze casa diz:

        Muito boa resposta, parabéns. O autor deste artigo devia ir conhecer um pouco mais sobre arte antes de opinar. A vida não é dinheiro amigo

      • Meu caro, já que me metem outra vez ao barulho: essa ideia de que basta uma obra de arte ser discutível para ter qualidade é uma falácia de inversão de causa e efeito. A história da arte está cheia de escandalozitos rapidamente esquecidos.

        Não me chateia nada contribuir para a “qualidade” da obra se para isso bastar dar a minha opinião sobre ela numa discussão: é uma caricatura de arte popular forrada a luxo parolo apoiada a peso de ouro por não um mas dois governos descredibilizados a meio da pior crise económica das últimas décadas, enquanto mais de um milhão é posto no desemprego e boa parte do resto aperta o cinto. E, se até quem gosta só consegue dizer em defesa disso é que é discutível…

    • Joao diz:

      O mal de certas coisas é reduzi-las a simples sumo. Há algo mais, diria muito, para além disso.

  2. Não sou familiar nem amiga, nem obras tenho dela para ter “interesses” alheios ao assunto do valor artístico desta senhora, no entanto digo que farta estou de ver gente, e tive oportunidade de assistir “live”, gente que ficou torcida em relação a esta autora ou por não entenderem que se tenha ética e que uma vez prometido uma venda a alguém de uma obra, é para essa pessoa/entidade que vá.. mesmo que se ofereça muito mais. E há outros episódios, como o de não entender que um autor que, mesmo dentro de uma série de obras, num apenas mude a cor ou algo assim, não se “plageia”.., isto é um absurdo de todo o tamanho. Ou se gosta ou não, mas não me venham por em causa a ética desta senhora no trabalho, se não muita cabeça tem de rolar antes dela, e muitíssimo antes. Não estou a dizer que seja algum que aqui tenha escrito ou o autor deste artigo, mas, Hh “agentes” neste meio que por um ou outro moutivo tendem a confundir coisas, uns por falta de informação, outros por outros motivos, e depois o boato dá jeitito.. Boa tarde.

  3. “Enquanto se secam os apoios à cultura e ao seu ensino, apoia-se este pato-bravismo de luxo.
    Não é de todo acidente que o ambiente natural desta coisa sejam os palácios e as galas. Versailles.”

    lol. muito bom.
    mário, a tua explicação é excelente. se há quem não a perceba, só mostra que não deve falar do que não sabe.

    • Luis Gomes diz:

      SIMPLESMENTE ANDAM POR AQUI É UM BANDO DE RESSABIADOS, QUE ACHO QUE NÃO TÊM MAIS NADA QUE FAZER, TRABALHEM MAIS, QUE É O QUE O NOSSO PAÍS PRECISA…

  4. Marco diz:

    Boa, Mário! Precisamos de mais ressabiados como tu. Quanto ao comentário do Luis Gomes, lembrou-me algo que ouvi hoje num restaurante a propósito do protesto dos trabalhadores dos estaleiros de Viana: “dizem que não há dinheiro, mas para alugar autocarros para ir para Lisboa fazer barulho, já se arranja.” Quer se queira quer não teremos sempre que conviver com gente obtusa, cuja argumentação escapa a qualquer lógica. A indignação, o protesto, mais do que um direito, é hoje um dever cívico. E uma questão de higiene mental. Abraço!

  5. Mariana diz:

    Alguem aqui lembrou DuChamp….e bem 🙂 Alguem quer refletir sobre os comentários nessa época sobre a sua obra? Por exemplo…sobre “a fonte”…o tão célebre urinol? Como diz o povo: É-se preso por ter cão e preso por não ter!!!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: