The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Assim na terra como no céu

Às vezes, depois de ler os blogues e os twitter, de ouvir conversas sobre a crise no Metro ou no Café, fica-se com a ideia que há mais consciência política, que há mais exigência ética, depois cruzamo-nos com aquele designer que desde há anos vai ficando com quase todo o todo o trabalho na própria universidade onde dá aulas, feliz da vida, como se não fosse nada com ele. Conflitos de interesse são aquela coisa que os ministros e os deputados insistem em ter. Cá fora, cá em baixo, tem que se fazer pela vida. E percebe-se que, para muitos, quase todos, a política (por indiferença ou desespero) é como ver futebol. Torce-se pela nossa equipa, claro, mas a vida é outra coisa. Tolera-se no dia-a-dia o que seria intolerável na televisão. Neste ambiente, conflito de interesses acaba por ser a insistência que é possível ganhar a vida e ter ética, ao mesmo tempo.

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Sob a Bandeira da Bandeira

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E agora no Público uma notícia esclarecendo melhor a situação e dando a versão do artista e da Porto Lazer. Do meu lado, acho muito mau que se mande retirar da Avenida dos Aliados, em pleno 25 de Abril, uma obra de arte com evidente conteúdo político, procurando limitar o tempo em que essa obra está exposta. Trata-se com muita clareza de um acto de censura.

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Entretanto

Ainda a propósito da bandeira, Paulo Mendes fez na sua página de Facebook mais uma intervenção que reproduzo abaixo:

“PORTUGUESA MONOCHROME

Algumas considerações

O meu trabalho produzido ao longo de mais de vinte anos sempre reivindicou uma intervenção crítica sobre a realidade social e politica em que me encontro. A arte é um modo de conhecimento e de postura sobre a realidade, sendo política por inerência. Este trabalho prossegue esse processo. Leia o resto deste artigo »

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A Nostalgia É Uma Arma

Outro dia alguém me dizia que tinha ouvido uma beta a dizer “Eu!? A cantar o Grândola!? Devo estar bêbeda …”, repetindo a pronúncia com exagero cómico (“bêbeda” com dois “e” e não com dois “a”). Uma das novidades desta crise é a recuperação de uma série de formas de protesto consideradas mortas e enterradas por muitas das pessoas que agora as usam: slogans, cartazes de cartão, canções, etc. Leia o resto deste artigo »

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Alvíssaras?

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Já não estou muito habituado a sair no Porto. Fui parar ao edifício Axa na sexta à noite por ter encontrado amigos de Lisboa enquanto jantava depois de ter ido nadar. Sinceramente, nem sabia o que esperar do evento. Lá dentro, muita gente, um bar, obras pouco sinalizadas e toda a gente que eu encontrei a falar se havia ali amianto e no que isso fazia às alergias (acho que não é bem esse o problema). Mais tarde, no Passos alguém (que não foi) disse-me que “não ia a essas coisas do fascista do Rui Rio”. Entretanto já tinha visto pelo Facebook que tinha havido um problema com uma bandeira de Portugal em tons de cinza, feita pelo Paulo Mendes, mas pensei que fazia parte das comemorações do 25 de Abril. Segundo o próprio Paulo Mendes (via Facebook) teria havido pressões  para que retirasse a bandeira, o que acabaria por fazer.  Na sexta à noite, no edifício AXA pouco ou nada se falava sobre isso. Entretanto saía no P3 um artigo compilando as declarações do artista e atribuindo as pressões aos responsáveis do projecto 1ª Avenida e à Porto Lazer que justificava a retirada da bandeira com “A exposição exigia determinadas condições de produção que não estavam devidamente asseguradas”. É tudo muito vago e muito subentendido. E gostava de saber um pouco mais sobre tudo isto. Não há jornalismo por estas bandas? E do lado das artes, será que houve alguma reacção? Porque abriu a exposição como se nada se tivesse passado? Ou passou? Alvíssaras!?

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Exercício

Escola Segura

Em 2009, participei numa Pecha Kucha no Porto, no Bairro da Bouça. Na semana passada, quase quatro anos depois participei noutra, desta vez em Lisboa. Pelo meio vi meia dúzia. Nesta última, fiquei com a sensação que tudo se politizou. Fala-se de estágios, de segurança social, de fazer pela vida. Também tive uma outra sensação que me deixa perplexo. Leia o resto deste artigo »

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Ocupação de Tempos Livres

Nos últimos tempos tenho ouvido cada vez mais gente, alunos e até professores, queixar-se que o ensino não deixa tempo para mais nada. Bolonha veio tornar os cursos mais rápidos, mas também mais fragmentados de cadeiras, eventos, matrículas, etc. E para além do tempo de aulas, o sistema ainda contabiliza o modo como alunos e professores usam as suas horas livres. Horas de aulas, horas de contacto ocupando desejavelmente quase todo o tempo – sobram ainda as horas de dormir ou de comer. O efeito é ao mesmo tempo de superficialidade (cadeiras rápidas, variadas e sobrelotadas) e de asfixia. No fim  o que fica é multitasking e desenrascanço, qualidades úteis para sobreviver na nossa cultura. Mas será que essa cultura vale a pena? Leia o resto deste artigo »

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A parte que arrasta pelo chão da crise

Trabalhando como eu na função pública, para o Estado, e tendo algum orgulho nisso, no serviço público, espanta-me a maneira como entre muitos dos meus colegas se vai reagindo a uma crise que assenta precisamente a sua massa, todo o seu peso, de esquina, sobre a função pública. Continua-se a fazer o mesmo que se fazia dantes, desculpando-se isso com o dever de cumprir as coisas que vêm de cima ou que, simplesmente, são assim e pronto, tem que ser. Leia o resto deste artigo »

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Provincianismo

Ainda a propósito da Joana Vasconcelos, há quem diga que, por ela ter uma boa recepção lá por fora, deveríamos apreciá-la mais aqui em Portugal. É um mau argumento, por várias razões. Leia o resto deste artigo »

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Uneeded Conversations 2013: Cinema!

Este ano as Uneeded Converstations vão ser dedicadas ao cinema, um tema bastante vital dentro das discussões sobre cultura em Portugal. Vão decorrer entre 23 de Maio e 25 de Maio, repartindo-se entre a Fbaup e o Passos Manuel.

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Teoricamente até funcionava

Já devia estar cansado de estar cansado desta confusão: no ensino das artes, ainda pouca gente percebe a diferença entre uma cadeira teórica e uma cadeira prática – mesmo nestes tempos heróicos de papers, comunicações, teses, dissertações e relatórios, onde “poster” já não quer dizer “João Machado” mas powerpoint unplugged.

Assim vou tentar explicar de novo, desta vez muito devagar. Leia o resto deste artigo »

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Ened 2013

Começa hoje, aqui no Porto, o 2º Encontro Nacional de Estudantes de Design. Eu participo no Sábado às 17h com uma mini-conferência: “55 x 40 x 20: História muito abreviada de uma cultura portátil e do seu design”.

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25 de Abril

Primeiro pensamento do dia: 25 de Abril é ter que ir ao google verificar se o 1º de Maio ainda é feriado.

Segundo pensamento do dia: desde o último 25 de Abril, começou-se a discutir mais despudoradamente se o 25 de Abril foi bom ou mau, isto a propósito da polémica entre o historiador Rui Ramos e Manuel Loff. Que a ditadura quase não o era. Que nem destoava das democracias mais musculadas. Que a Guerra Colonial foi um motor de desenvolvimento. Apesar das mortes e massacres.  E outras alarvidades do género.

Terceiro pensamento do dia: Vivemos neste momento numa interrupção temporária da democracia. Onde toda a formalidade das instituições democráticas funciona como uma engrenagem bem oleada, mas a sensação que fica é que se está a usar um relógio para picar carne. Alguns iluminados propunham que se suspendesse a democracia por seis meses; neste momento, a suspensão de democracia dura o tempo de um mandato legislativo. Oito vezes mais. E no papel ainda se chama a isso democracia.

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“Mas não é isso!”

Há uns anos, enquanto voltava para casa de uma saída à noite numa parte mais isolada do Porto, um gajo com muito mau ar pediu-me lume do outro lado da rua. Eu respondi que não fumava e acelerei. Ainda ouvi, lá muito atrás, “Mas não é isso!” Neste momento, a austeridade já chegou a essa fase. A experiência prática não deu certo. A base teórica anda entre a manipulação de dados e o erro de Excel. Mas, mesmo desfeitos todos os argumentos, ainda é aplicada. E o que sobra é apenas o assalto, à bruta e sem conversa para quebrar o gelo.

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Vergonha

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Aqui vai uma “proposta de valor”: alguém devia criar um museu da austeridade, cujo brasão podia ser uma galinha a correr sem cabeça. Podia-se pôr lá todas as patetices que foram ditas durante esta crise. Seria um museu engraçado, quase Bordallo-Pinheiresco, se aquelas patetices não representassem muito directamente o sofrimento de milhões de desempregados, doentes, alunos, reformados, etc. À entrada, podia haver um ecrã com uma folha de Excel. Punha-se lá o Passos, o Gaspar, a Jonet, o Soares dos Santos e o Ulrich. O Relvas tinha uma ala.

O Miguel Gonçalves podia ficar com aquela sala onde se põem criancinhas a brincar com lápis de cera. Leia o resto deste artigo »

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Porque não? Porque sim

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Há ocasiões onde até se gosta da execução de uma ideia mas não da própria ideia. A imagem do Indie Lisboa é uma delas. Gosto das ilustrações mas não gosto das frases que ilustram – “Hollywood está a ficar sem ideias. Vem ao Indie Lisboa ver algo de novo.” Do festival, mostram apenas o oposto do que quer ser. Promovem-no como o avesso de Hollywood, mas o cinema independente ou alternativo ou experimental não se resume a isto, a uma reacção. Tem as suas narrativas e texturas próprias. E até os seus clichés. É uma coisa e não o negativo de outra. Por mais limitados que sejam os vários Rocky, por mais que deixem de fora, tudo isso não pode ser definido apenas como uma ausência.

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Fim de Semana

E assim já passou a Pecha Kucha. Falei de design gráfico e política. Acabo sempre por me divertir mas, para mim, isso implica passar uma semana focado naqueles seis minutos e quarenta segundos. Ou seja, não fiz quase nada até à noite fatal e no dia seguinte sentia-me de férias. Apesar de não ser verdade, aproveitei aquela tradição lisboeta que consiste em ir logo a correr para a praia mal acaba a chuva (normalmente é em Março). Fomos até ao Meco e à noite fomos ver o Lacrau ao Indie. Já tinha dado conta que o estado de espiríto ideal para ir ao cinema é aquele cansaço confortável que se sente ao fim de um bom dia ao ar livre, que me coloca num estado preguiçoso demais para ser considerado xamânico. O filme realizado por um antigo aluno meu de design, João Vladimiro, das minhas primeiras turmas, era muito bom,contemplativo e denso, filmado entre o Porto e (salvo erro) Arouca, uma zona dos arredores que parece quase Trás-os-Montes. Fez-me pensar como o tempo passa e como aquelas pessoas que nos chegam tão novitas à escola têm agora já vidas e obras tão completas e densas, às vezes tão longe do design.

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2 PK (Paulo de Kantos + Pecha Kucha)

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Na Pecha Kucha de hoje vai ser sorteado um exemplar do livro que os Barbara Says dedicaram ao inefável Paulo de Cantos. Mais uma razão para aparecer. Eu escrevi um dos textos do livro que faz parte de um conjunto de textos que dediquei ao Paulo de Cantos e àquilo que eu chamo o “Modernismo Selvagem”. Um desses textos já apareceu na última revista Nada (“Onde se argumenta que na situação actual não há-de ser a subversão que nos vai salvar mas uma indiferença ao que a separa da hierarquia”). Outro irá aparecer no catálogo da exposição que Paulo Mendes comissariou no Guimarães 2012 Capital da Cultura. Não se tratam de textos históricos mas de coisas mais activas que propõem um modernismo subversivo como resposta à crise actual.

 

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Influências

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Morreu Storm Thorgerson, o designer dos Pink Floyd. Se a cópia é a melhor forma de homenagem, o cartaz que reproduzo acima demonstra bem a sua influência, até dentro do discurso político de Centro-Direita no pós-25 de Abril. No meu caso, Thorgerson foi um designer influente sobretudo pelos livros que foi editando a propósito de capas de discos: os Album Cover Album, antologias que eram a única maneira de um aficionado do design ter acesso a este material na era pré-internet (sem comprar os discos). O meu favorito da série era o sexto, editado por Thorgerson, Roger Dean (o homem das capas psicadélicas dos Yes) e um dos meus designers favoritos da altura, Vaughan Oliver, da 4Ad. O livro era extremamente ecléctico, cobrindo três décadas e dezenas de tendências e designers. A última coisa que comprei dele era mais feiosa mas muito viciante: 100 Best Album Covers, a anatomia gráfica de uma centena de capas, com bitaites, segredos e ovos da Páscoa.

 

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Pecha Kucha Lisboa

Amanhã vou participar numa Pecha Kucha no Teatro do Bairro (no Bairro Alto). Para quem não conhece o formato são vinte imagens, vinte segundos cada uma por orador. Também participam a Susana Pomba, a revista Arq-A e os Barbara Says, entre outros. Começa às 23.30.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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