The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Arte e política, política e arte. Juntinhos.

Reparei pelas estatísticas que no A Barriga do Arquitecto se comentou um dos meus comentários à Joana vasconcelos, dizendo que eram ‘ataques de classe dirigidos à “política cultural do governo” para quem a artista é um mero dano colateral, ignorável e até desejável. Sobre as obras, invariavelmente, nada se diz.’ Concordo com tudo, claro, excepto com a parte de não ter dito nada sobre as obras – tanto quanto me lembro, falei disso no último parágrafo.

De resto, o meu argumento (em geral, e não apenas neste caso) é que toda a obra resulta de uma negociação entre um conjunto de actores, instituições, etc. Se, do ponto de vista formal, um trabalho é condicionado por estas negociações, os mais bem sucedidos e mais apoiados são aqueles que representam melhor o poder dominante.

Não me estranha que se ache este ponto de vista militante – porque é. Mas diverte-me bastante que se ache escárnio e mal dizer criticar um artista porque representa demasiado bem um mau Governo, isto num ambiente como o nosso, onde se cita regularmente gente como Rancière, Deleuze ou Foucault, a gente dos Cultural Studies, ou a crítica feminista — que fazem precisamente isto por princípio.

É neste género de crítica que me filio, e portanto não adianta dizerem-me que para fazer crítica séria é preciso separar obra de política.

(Note-se que nem sequer acho particularmente mal ser associado ao escárnio e mal dizer, que sinceramente este governo e a sua arte preferida – uma pessegada sem grande mérito — sem dúvida nenhuma merecem.)

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Filed under: Crítica

13 Responses

  1. André Reis diz:

    Caro Mário, sigo o seu blog já vai para uns anos. Ainda sou do tempo em que você (espero que não se importe que me dirija assim a si), precisamente, falava de design e crítica de arte de um modo mais exclusivo. Confesso que, durante algum tempo, deixei de me identificar com esta casa, por em quase tudo o Mário estabelecer um paralelismo político qualquer e essa tendência agravou-se quando este executivo entrou em funções. Eventualmente comecei a perceber – entenda-se, quando o comecei a ler era bastante novinho (continuo a sê-lo) e a “awareness” para este tipo de factores socio-políticos é algo que leva o seu tempo a construir.

    Dito isso: reitero que até nem me identifico com grande parte das ideologias que aqui descreve regularmente – ou com as escolas de crítica com as quais se filia -, mas o exemplo Joana Vasconcelos é daqueles em que acho que você sucede em explicar “tintim por tintim” a ligação entre arte e influência política.
    E isso só não vê quem não quer. O que, no caso do presente executivo é a regra e não a excepção. Como referiu no texto Opções, “a arte não é de todo autónoma, depende das circunstâncias onde é produzida e reproduzida, dos meios que lhe são dedicados, da opinião que lhe é dedicada, etc.”. Mais verdade não podia ser, reflectindo e promovendo a cultura do lobby que existe em Portugal e que, já agora, se aplica perfeitamente à forma política cá exercida: estamos inteiramente certos, só o resto das pessoas é que não conseguem ver isso. O Rei não vai nu, é tudo mentira. Só que não é.
    Isto cheira-me àquele exemplo do Malcolm Gladwell no Livro Outliers. Ele cita Mateus 25:29, a parábola dos talentos – “Porque, a qualquer que tiver, será dado, e terá em abundância; mas, ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado”.

    É perfeitamente normal um artista ganhar notoriedade/visibilidade quando a sua obra passa meses a fio exposta no Terreiro do Paço. Depois é bastante simples rotular os restantes de “invejosos” por também acharem que o mesmo patrocínio do estado – bem canalizado – poderia ser proveitoso para promover imensas actividades culturais igualmente meritórias. Se calhar até com o mesmo montante dedicado à Joana Vasconcelos, numa obra apenas.
    Faz-me lembrar a anedota do Samora Machel e da azeitona: depois de cansada, também eu.

    A inveja é uma maneira demasiado fácil de invalidar e categorizar todo um conjunto de gente meritória e que se esforça por suceder sob determinado conjunto de regras. É o mesmo que dizer: Vamos jogar monopólio. Começas sem dinheiro mas não te queixes. Não sejas invejoso.
    Sei que é um paralelismo pobre mas foi o que se arranjou por agora.

    Portanto, agradeço-lhe sim, Mário. Por vezes (muitas) discordo inteiramente com o que aqui diz. Mas, independentemente da consonância de ideias, levanta questões regra geral pertinentes.

  2. Começo por agradecer o “feedback” e a assertividade da resposta.

    Tendo percorrido os arquivos e lido os vários textos escritos pelo Mário sobre Joana Vasconcelos mantenho a convicção que sobre o seu trabalho nada de substantivo nos trouxe. Encontramos algumas tiradas jocosas que presumem que as obras são más ou risíveis. As razões que o justifiquem ou expliquem não nos são apresentadas.

    O resto são asserções suportadas na convicção que a obra de JV é representativa do poder ou do governo. O argumento mais forte a este respeito foi avançado no texto “A arte que merecemos”, em 2012, onde afirmou tratar-se de uma forma de “monumentalização” da ideologia do poder. Fica uma transcrição parcial:

    «E é claro que mesmo ao nível da forma, a obra de Vasconcelos é uma monumentalização do empreendedorismo enquanto estética. Construir obras de arte a partir de panelas não é muito distinto de vender conservas ou aguardentes gourmet. Agarra-se num certo produto, que até já foi indício de pobreza e torna-se aquilo num produto de luxo, exaltando a pobreza como uma espécie de desígnio nacional, e muito obviamente monumentalizando as políticas deste governo.»

    Para mim nada disto é óbvio. E sobre isto importa dizer várias coisas.

    Em primeiro lugar, não está em causa uma defesa (minha) da ideia que «para fazer crítica séria é preciso separar obra de política». Concordo com o Mário. Mas importa igualmente ter em conta se a crítica se dirige à dimensão política “da obra”. Que não é, no meu entender, o caso.

    A citação acima também é importante para identificar o preconceito de partida que o Mário tem sobre o trabalho de JV: a utilização de materiais menos nobres tornados “produto de luxo” – é isso a arte? – como forma de exaltação da pobreza “como uma espécie de desígnio nacional”. Será então JV uma psicopata que deseja o mal e a pobreza do povo, e as suas obras uma forma de “monumentalizar” esse desígnio “deste governo”.

    Tudo isto assenta numa enorme presunção de má fé para com a artista e uma leitura muito estreita do discurso contido nos seus trabalhos. Ela é convidada, pelo Governo e pela Presidência da República, porque é uma evidência absoluta no panorama artístico internacional. Não se trata essa evidência, essa notoriedade, de um atestado automático de qualidade, mas no plano representativo da arte portuguesa é no presente uma referência incontornável. E não será por se ter uma obra exposta no Terreiro do Paço meses a fio que se consegue o feito notável de realizar a exposição mais visitada em Versailles dos últimos cinquenta anos.

    O espaço de comentário é curto e seria até desajustado avançar neste contexto com uma análise mais profunda sobre as obras de Joana Vasconcelos. Mas reitero a ideia de fundo que motivou a minha opinião. Para mim não está em causa uma expressão de “inveja” mas antes um desdém demasiado fácil e corrosivo, alheio a uma análise séria do valor substantivo das coisas que nos cercam. O que se exprime é, no meu entendimento, uma patologia grave da nossa situação portuguesa. Que gostamos pouco uns dos outros, nos blogues, na política, nas artes ou na arquitectura, no trabalho, na estrada e até, por vezes, em casa. E assim como uma família onde não existe afecto não é realmente uma família, um país de gente que desconsidera o valor uns dos outros… dificilmente será um país onde gostemos de viver.

    • Repetindo a minha posição de novo, por outras palavras: A Joana Vasconcelos faz arte de grande escala apoiada por um pequeno exército de colaboradores, literalmente uma empresa. Essencialmente trata-se de produção que ela gere como uma marca. Essa marca é assente em símbolos de cultura popular portuguesa, objectos de baixo custo, repetidos e ampliados em contextos de luxo (palácios, por exemplo). Daí representar particularmente bem o investimento deste governo no que ele próprio designa por triângulo luxo-gastronomia-fado. Daí representarem uma exaltação luxuosa de valores de austeridade econ´mica e social, mas reencenados com meios e em ambientes de luxo. Nesse aspecto, são objectos bastante típicos de certa arte internacional pré-crise económica – nem acho que seja grande escândalo integrá-los dentro desta produção.

      Dentro do género, é arte bem produzida, agrada às pessoas e a quem a apoia, não tenho dúvidas. Cumpre as suas funções. Mas, tendo em conta que vivemos num país em crise, preferia que o governo gastasse este dinheiro e estes recursos em duzentos ou trezentos projectos de pequena escala, numa projecto colectivo, etc. do que num só artista.

      Quanto a preconceito, por temperamento e obrigação profissional farto-me de ler sobre arte, dinheiro e financiamento. e vou seguindo o que se passa no “millieu” português. Se, como condição para não ser preconceituoso, for preciso ver, ouvir e ler ainda mais sobre a Joana Vasconcelos, confesso que dispenso.

      Dar a entender que se o interlocutor lesse um bocadinho mais até concordava connosco, e que só não concorda por preconceito é uma maneira bastante delicada de chamar estúpido a alguém. Mas enfim: pode ser que algum dia eu mude de opinião quanto à Joana Vasconcelos. Não faço ideia, deixo isso em aberto. Para já: não, obrigado.

      Finalmente, há uma diferença entre dizer que não usei argumentos para sustentar a minha opinião e dizer que os meus argumentos não o convencem ou não o levam a mudar de opinião. A primeira opção é ofensiva, e infelizmente típica da maneira como se conduzem discussões por aqui. Pessoalmente, prefiro distinguir entre argumentos com mais ou menos qualidade, ou (melhor ainda) entre argumentos com os quais concordo e com os quais discordo.

      • Lena diz:

        Sou artista plastica , e concordo com aquilo que escreveu sobre a jv, é me indeferente o trabalho da artista cada um faz o que quer … aquilo que e´vergonhoso é que neste país há artistas a passar necessidades e deixam de pintar por não ter dinheiro para comprar telas foi encerrada aFundação Paula Rego.. e gasta-se dinheiro com uma jovem que nem sabemos até onde irá a sua arte … concordo e muito
        quando secreve ..Dentro do género, é arte bem produzida, agrada às pessoas e a quem a apoia, não tenho dúvidas. Cumpre as suas funções. Mas, tendo em conta que vivemos num país em crise, preferia que o governo gastasse este dinheiro e estes recursos em duzentos ou trezentos projectos de pequena escala, numa projecto colectivo, etc. do que num só artista…

    • (Aparentemente, um dos pre-requisitos para manter um blogue durante anos é ter paciência para responder aos inevitáveis diagnósticos que sofremos daquela patologia nacional da inveja, etc.

      A minha resposta genérica é: tenho inveja de gente que admiro que faz coisas de que gosto; das outras, dos chico-espertos, dos que dizem que é só inveja, tenho aquela sensação que se tem logo a seguir a descobrir que começamos a comer um iogurte fora do prazo.

      Acho curioso que se discutam os meus preconceitos enquanto se fala de patologia nacional, inveja…)

    • Peço desculpa pela resposta às pinguinhas, que faço de acordo com a minha disponibilidade. Não se trata, como diz, de uma acusação de má-fé ou de psicopatia (isso são conclusões suas não minhas). Quando muito diria que se trata de oportunismo mútuo tanto por parte da artista como do governo. E como já disse em outras ocasiões, até esse oportunismo é observável nas obras e no discurso que as sustenta e que por um lado faz delas representações de regime e que por outro procura fazer delas manifestações de rebeldia e subversão contra esse mesmo poder, etc.

    • E, finalmente, em arte, cultura, sociedade (e já agora) economia não há “evidências absolutas” ou “referências incontornáveis”. Há opiniões e escolhas. Para quem a escolheu será uma escolha óbvia; limitei-me a sublinhar isso.

    • miguel_coimbra diz:

      “Tudo isto assenta numa enorme presunção de má fé para com a artista (…) exposição mais visitada em Versailles dos últimos cinquenta anos.”

      Caro daniel, mais um exemplo de alguem que não sabe o que diz. Não sei até que ponto entende de arquitectura e admito que o entenda mais do que eu, mas de artes plásticas aconcelho-o a não abrir a boca. Faça por saber em concreto quem é JV e quem a leva ao colo.

      Mário, tu és vítima da tua maior virtude: a inteligência.
      Para estes senhores não estarem de acordo ou não peceberem as tuas ideias, só revela que não estão no mesmo grau. E a tua sinceridade é tão evidente que segues à letra o lema do teu blog: se não consegues po-los a pensar uma vez podes po-los a pensar duas vezes. Eu não me daria ao trabalho de lhe responder…

  3. Roteia diz:

    Tenho contestado alguns amigos que desprezam a obra de JV. Ouço os seus argumentos que passam habitualmente por dois factores: primeiro, JV é representante do poder actual; segundo, JV utiliza sempre a mesma receita na produção dos seus objectos.
    Acontece que não concordo com nenhum dos dois argumentos.
    No primeiro caso, há que referir que JV tem uma “carreira” que não começou em 2011, nem o reconhecimento internacional começou com apoios nacionais.
    Quanto ao segundo aspecto, muito teríamos que dizer sobre receitas criativas individuais (podem também chamar-se-lhes, fixações, obsessões, ou até estratégias).

    Pessoalmente, e mesmo admitindo que alguns dos projectos de JV não me agradam particularmente (a exposição do Palácio da Ajuda não me pareceu consistente), considero globalmente notável o seu trabalho.

    Quanto à receptividade internacional de muitas das peças de JV, há que dizer que nos podemos orgulhar à vontade, nem que seja só um pedacinho. E há que considerar que por esse mundo fora, críticos de arte, curadores, museólogos (e público, porque não?) sabem algumas coisinhas sobre arte e talento, não são apenas “tios” e “tias” que ficam embasbacados com tachos e talheres. E que mal haveria em deslumbrar também, simultaneamente, donas-de-casa e especialistas em arte contemporânea?

    • Quanto à questão da receptividade internacional, duas coisinhas:

      1. A recepção da obra da Joana Vasconcelos não é só positiva, antes pelo contrário. Por exemplo, no New York Times cita-se um galerista que dizia de uma das suas obras: “It looks like a piñata. I think we should all be given bamboo sticks so we can take a good whack at it.”

      2. Assumir que o mundo se divide entre os ignorantes locais (que insistem em ter posições diferentes das nossas) e os senhores lá de fora que sabem umas coisitas (e que até concordam connosco) é provincianismo puro e simples. O mundo é grande, os senhores lá de fora são muitos e com muitas opiniões muito diferentes entre si. Não seria o facto de toda a gente fora destas fronteiras adorar incondicionalmente um artista que me levaria,só por si, a mudar a minha opinião e a gostar dele. Mal seria.

      • Roteia diz:

        A questão da sua opinião pessoal, ou a de qualquer galerista estrangeiro, é absolutamente inquestionavel. Gostamos ou não, interessa-nos ou não.
        Sobre provincianismo, até porque a questão já foi largamente diagnosticada por muitos, depois de Pessoa, apetecia-me dizer-lhe: “sobre esse assunto não tenho nada a declarar”.

        Em todo o caso, pondo de lado picardias, pergunto-lhe, com sinceridade: não acha estranho que quase todos os portugueses com reconhecimento internacional (exceptuo os casos desportivos), sejam alvo de polémica entre os seus pares nacionais?

        Pergunto-lhe ainda, sabendo que não aprecia o trabalho de JV: reconhece-lhe criatividade e talento? acha que o trabalho dela não é bem produzido, ou não é correctamente elaborado? acha que a utilização de esteriótipos portugueses (coração independente, rendas e bordados, crónica feminina, etc.) são plasticamente menorizáveis?

        O que lhe digo sobre o meu gosto pessoal é isto: se vejo um quadro de Mondrian vou às lágrimas (aconteceu-me há pouco tempo). Se vejo uma peça de JV não vou às lágrimas, mas sou tocado pelo deslumbramento. As obras de arte são felizmente plurais, como são plurais aqueles que as produzem.
        O resto, o tempo dirá.

      • Em todo o caso, pondo de lado picardias, pergunto-lhe, com sinceridade: não acha estranho que quase todos os portugueses com reconhecimento internacional (exceptuo os casos desportivos), sejam alvo de polémica entre os seus pares nacionais?

        Não, de modo nenhum. Acharia bastante mais estranho e até preocupante que não fossem alvo de polémica nenhuma. A tal aceitação lá fora nunca é unânime (é um mundo muito grande e com muita gente). Cá dentro também não é nem deveria ser unânime. O que sugere? Que, havendo algum reconhecimento lá fora, por aqui devemos ficar caladinhos?

        Pergunto-lhe ainda, sabendo que não aprecia o trabalho de JV: reconhece-lhe criatividade e talento?

        Não. E, na verdade, acho essas categorias muito pouco úteis, mesmo quando falo de trabalhos dos quais gosto. Miguel Gomes, por exemplo é “talentoso”, é “criativo”, tem “talento”, “sabe-se mexer”? Na prática, não quer dizer nada. Sempre que possível discuto obras e não pessoas, fazendo uma excepção para quem faz da sua vida uma espécie de obra (Luiz Pacheco, Genet).

        acha que o trabalho dela não é bem produzido, ou não é correctamente elaborado?

        Sim e sim. Mas destruir o Amazonas ou instalar um colonato na Palestina são coisas que exigem boa produção e elaboração correcta. Não é por isso que as vou deixar de criticar.

        Acha que a utilização de esteriótipos portugueses (coração independente, rendas e bordados, crónica feminina, etc.) são plasticamente menorizáveis?

        Depende. Neste caso, que se trata de apropriações e caricaturas monumentais e de luxo de um imaginário popular, utilizada para promover precisamente a ideia de um turismo e de uma exportação de luxo construído a partir de políticas de empobrecimento sistemático, acho a adequação entre patrono e artista perfeita.

  4. “Neste caso, que se trata de apropriações e caricaturas monumentais e de luxo de um imaginário popular, utilizada para promover precisamente a ideia de um turismo e de uma exportação de luxo construído a partir de políticas de empobrecimento sistemático, acho a adequação entre patrono e artista perfeita.”

    ta tudo dito!

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