The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Vergonha

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Aqui vai uma “proposta de valor”: alguém devia criar um museu da austeridade, cujo brasão podia ser uma galinha a correr sem cabeça. Podia-se pôr lá todas as patetices que foram ditas durante esta crise. Seria um museu engraçado, quase Bordallo-Pinheiresco, se aquelas patetices não representassem muito directamente o sofrimento de milhões de desempregados, doentes, alunos, reformados, etc. À entrada, podia haver um ecrã com uma folha de Excel. Punha-se lá o Passos, o Gaspar, a Jonet, o Soares dos Santos e o Ulrich. O Relvas tinha uma ala.

O Miguel Gonçalves podia ficar com aquela sala onde se põem criancinhas a brincar com lápis de cera.

A entrevista que deu ao i é uma espécie de Disney Especial, uma recolha de todas as asneiras insensíveis que se vão dizendo sobre esta crise, purificadas de qualquer pretensão científica, estatística ou económica, reduzidAs ao mais puro pato-bravismo, à mais elementar treta. Tem tudo: comparar o programa Impulso Jovem a uma época de saldos que oferece desempregados a baixo custo; expectativas quanto ao programa? Nenhumas. Isso seria astrologia.

Pergunta: “Ao ouvi-lo, fica a sensação de que o desemprego é um problema individual e não estrutural.

Resposta: “Não é isso que eu considero. É exactamente o oposto. Não considero que o problema é teu, considero que a solução é tua. É muito diferente.”

Completamente diferente.

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Filed under: Crítica

7 Responses

  1. Luna diz:

    O que me faz mais confusão no discurso deste rapaz é o facto de não dizer nada, ser em duscurso em redondo sem nenhumas ideias concretas, que eventualmente até poderá resultar no contexto do marketing, comunicação empresarial e assim.

    Mas e os que foram treinados para produzir coisas concretas, para as quais não há neste momento mercado no país?

    Prestes a acabar um doutoramento em ciências farmacêuticas no estrangeiro, por mais que gostasse de voltar a portugal, não temos indústria farmacêutica suficiente para que consiga emprego. Segundo este jovem empreendedor, o que deveria fazer? Aos mais de 30 anos e com alta especialização oferecer-me para ir fazer fotocópias para uma grande empresa com esperança de eventualmente subir a coffee maker? Ah, não, já sei. Fundar a minha própria empresa farmacêutica com as parcas economias que amealhei durante o doutoramento. O que seria facílimo dado que no meu campo de investigação as matérias primas utilizadas custam milhares de euros à grama.

  2. Assim em tom de brincadeira:

    “A única função das previsões económicas é tornar a astrologia respeitável”.

    John Kenneth Galbraith

  3. Paulo diz:

    Depois de ler ambos os textos, camarada, é dramaticamente óbvio de que há aqui alguém com sérias dificuldades de leitura. A esquerda beata está a fazer uma guerrilha tão embaraçosa para si mesma que acaba por desvelar que a hipercactividade da forma não compensa a vacuidade do conteúdo. Assim, aplaudo com entusiasmo o título desta singular opinião: vergonha – muito bem achado.

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