The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Teoricamente até funcionava

Já devia estar cansado de estar cansado desta confusão: no ensino das artes, ainda pouca gente percebe a diferença entre uma cadeira teórica e uma cadeira prática – mesmo nestes tempos heróicos de papers, comunicações, teses, dissertações e relatórios, onde “poster” já não quer dizer “João Machado” mas powerpoint unplugged.

Assim vou tentar explicar de novo, desta vez muito devagar.

A diferença entre cadeiras teóricas e práticas não é a diferença entre escrever coisinhas e fazer coisinhas. Ou entre marrar e ser instintivo, criativo, espontâneo. A diferença está no grau de acompanhamento que o aluno recebe do professor. Uma cadeira com um acompanhamento frequente e personalizado é prática. Uma cadeira onde o acompanhamento é menos frequente e dado em grupo a grande número de alunos é teórica. Independentemente de se chamar prática prática do futebol-praticado-aos-grunhidos-e-em-tronco nu prático.

O mesmo é dizer que o carácter de uma cadeira depende da quantidade de alunos por professor e por hora. Uma turma de quarenta alunos numa aula de duas horas não tem outro remédio se não ser teórica por mais práticas que sejam as intenções.

Por aqui se percebe que as orientações, por mais escrita que envolvam, são na verdade mais próximas de uma cadeira prática, tendo em conta que envolvem um acompanhamento pessoal e frequente do aluno pelo professor.

A massificação da investigação de mestrado e doutoramento torna este processo muito penoso. Muitos alunos, todos com prazos de entrega semelhantes, tornam impossível a leitura frequente do trabalho em curso por parte do orientador.

Tudo isto agravado pelo hábito de pedir dezenas de milhares de palavras aos alunos por dá cá aquela palha – e palha é o que é dado, porque ainda se mede a profundidade à palavra e se possível pela grossura da lombada.

Cada uma dessas palavras vai ser lida por alguém. Em geral, eu.

Mas. Pronto. Tudo isto para dizer que boa parte do ensino orientado para a prática em escolas e universidades sobrelotadas de prático só tem o nome.

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Filed under: Crítica

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