The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Sem Um Pingo de Ironia

A Nova Sinceridade:

‘The next real literary “rebels” in this country might well emerge as some weird bunch of anti-rebels, born oglers who dare somehow to back away from ironic watching, who have the childish gall actually to endorse and instantiate single-entendre principles. Who treat of plain old untrendy human troubles and emotions in U.S. life with reverence and conviction. Who eschew self-consciousness and hip fatigue. These anti-rebels would be outdated, of course, before they even started. Dead on the page. Too sincere. Clearly repressed. Backward, quaint, naive, anachronistic. Maybe that’ll be the point. Maybe that’s why they’ll be the next real rebels. Real rebels, as far as I can see, risk disapproval. The old postmodern insurgents risked the gasp and squeal: shock, disgust, outrage, censorship, accusations of socialism, anarchism, nihilism. Today’s risks are different. The new rebels might be artists willing to risk the yawn, the rolled eyes, the cool smile, the nudged ribs, the parody of gifted ironists, the “Oh how banal.” To risk accusations of sentimentality, melodrama. Of overcredulity. Of softness. Of willingness to be suckered by a world of lurkers and starers who fear gaze and ridicule above imprisonment without law. Who knows.’

David Foster Wallace, E Unibus Pluram, citado aqui.

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Sempre a mesma coisa

Outro dia fui assistir a uma conversa sobre fotojornalismo em tempos de crise (organizada pela STET e pela Ghost, com a presença de António Júlio Duarte,João Pina e Pedro Letria). Houve um debate para o fim sobre o declínio desta profissão, sobre ter que pagar do próprio bolso o trabalho mais interessante. É uma discussão que, com pouco retoque, poderia ser aplicada ao design, à arquitectura, à arte, à literatura. Leia o resto deste artigo »

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Arte e política, política e arte. Juntinhos.

Reparei pelas estatísticas que no A Barriga do Arquitecto se comentou um dos meus comentários à Joana vasconcelos, dizendo que eram ‘ataques de classe dirigidos à “política cultural do governo” para quem a artista é um mero dano colateral, ignorável e até desejável. Sobre as obras, invariavelmente, nada se diz.’ Concordo com tudo, claro, excepto com a parte de não ter dito nada sobre as obras – tanto quanto me lembro, falei disso no último parágrafo. Leia o resto deste artigo »

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Ultraliberais amuados brincam às casinhas públicas

E assim, uma semana depois, um despacho de Gaspar acaba com o Impulso Jovem, livrando-nos de mais uma dose de empreendorismo saloio. Não terá sido por um ataque súbito de sensatez ou (à falta de melhor) de vergonha na cara que se acabou com a coisa. Não, apenas mais uma formiguinha esmagada pela épica birrinha do Executivo. É o neo-liberalismo no seu esplendor: nem sequer a caricatura desastrada de um programa público de apoio ao emprego, escarafunchada a lápis de cera agarrado com a base do punho, este Governo consegue manter de pé.

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“There is No Such Thing As a Margaret Thatcher”

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É significativo que a minha foto favorita de Margaret Thatcher seja esta, da Vivienne Westwood vestida de Margaret Thatcher. Todo o estilo que vale realmente é uma apropriação agressiva, absurda e destrutiva dos valores dominantes.

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Lógica da Batata

É bom lembrar que sim, falimos, fomos alvo de um resgate, que nos permite pagar as contas, mas darem-nos dinheiro para as pagarmos é apenas uma parte, a outra é a obrigação de remodelarmos a nossa sociedade, não apenas para podermos ter uma economia melhor para pagar as dívidas, mas para ter uma sociedade melhor. Ou seja, é como se estivéssemos a dever dinheiro a alguém que nos diz quando e como devemos pagar-lhe as prestações, mas também qual o tipo de emprego que temos para conseguir esse dinheiro. Aliás, é como dever dinheiro a alguém que nos diz que deveríamos estar sobretudo desempregados (quando muito a ganhar uns trocos em expedientes), e que só assim seremos capazes de pagar as nossas dívidas – porque os empregos que tínhamos não eram verdadeiros empregos, ou coisa do género. Assim se vê que só nos emprestam dinheiro na condição de criarmos uma sociedade melhor onde não seja possível pagá-lo.

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Blogger

Outro dia, quando me perguntaram como queria assinar um dos meus textos num livro, respondi o costume, crítico de design, mas pela primeira vez senti que não era bem isso. Daqui para a frente vou responder “blogger”. Nunca me envergonhei de escrever num blogue, antes pelo contrário, mas até agora via isso como um suporte de escrita e divulgação, não como uma identidade. A certa altura isso mudou. Agora, considero-me principalmente um blogger. Leia o resto deste artigo »

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A Austeridade não funciona, nem nunca funcionou

Um dos melhores livros que já li sobre o assunto é Austerity: The History of a Dangerous Idea, de Mark Blyth. Ele analisa a crise actual, as suas origens, as origens da ideia de austeridade, os casos de “sucesso” em que se baseia (e porque merecem as aspas). É demolidor e não tem papas na língua. Para quem não tiver tempo para ler o livro, deixo aqui um ciclo de conferências do autor.

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Cara da Pau

Aparentemente a Constituição não é vinculativa, pode ser alvo de várias interpretações, mas o programa da Troika devia vincular todo o Estado, todas as instituições (quase como uma constituição, com a diferença que é para levar a sério).

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Os Limites do Empreendedorismo

Lembro-me perfeitamente do Prós e Contras onde apareceu o Miguel Gonçalves. Eu falava no Skype e até virei o computador para a televisão só para a pessoa do outro lado poder ouvir também aquilo. Na altura pareceu-me apenas uma versão mais pura e ainda mais estúpida do género de discurso que costumava aparecer na segunda parte do programa, uma espécie de catarse, de transe quase religioso. A plateia a confessar os seus problemas, as suas ânsias, aos quais se ia respondendo com um reafirmar da fé nos dogmas do empreendedorismo. Tipicamente, se um desempregado se queixava, alguém lhe perguntava porque não pedia uma linha de crédito e criava o seu próprio negócio. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

Interesses

Há maneiras e maneiras de escrever sobre design. Já tinha dito por aqui que não me interessam muito nomes ou biografias. Também não me interessa muito o design de atelier, de estúdio ou de agência. Não me interessa descobrir o jovem ou o velho talento. Interessa-me o estilo. Interessa-me o que se costuma chamar “modinha”. Interessa-me o que se argumenta sobre um trabalho, mas também o chavão e a treta. Não me interessa muito o futuro da profissão, a institucionalização do design e outras tantas resoluções de ano novo. Interessa-me perceber o que se vai fazendo quando essas boas intenções falham (porque falham sempre). Interessa-me o que os designers gráficos vestem e o que os arquitectos paginam e o que os designers de moda vêem no Youtube. Interessa-me aquelas coisas que não são bem design, que estão um bocadinho de esguelha.

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O Julgamento da História

A demissão de Relvas é um assunto mais apropriado ao twitter do que aos blogues. Não há argumento ou anedota que não tenha sido já usado. Já se fez o resumo de tudo aquilo que o trouxe a esta demissão. Toda a gente sabe. Ele, pelo contrário, continua na mesma.

O seu “discurso de despedida” demonstra como este Governo delira. Chegou a fase do Bunker. Diz Relvas que trabalhou durante cinco anos para pôr este Governo no poder, como se isso fosse uma coisa boa só por si, como se não fizessem diferença os desempregados, os emigrados, os doentes sem tratamento, os impostos, a perda de soberania, de democracia, o falhanço completo de um programa que não foi posto sequer a voto.

E delira dizendo que será a história que o vai julgar. Mas qual história? Provavelmente fala de uma das disciplinas que fez por equivalência. É que a história costuma ser investigada em universidades, as mesmas que este governo descredibiliza abertamente, cortando meios às públicas e usando as privadas para “trocar” experiência profissional por canudos. Se dependesse de Relvas, de Passos e amigos, daqui a umas décadas não haveria sequer história.

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Primeiras impressões

Já me perguntaram uma vez ou duas o que achei dos alemães. Não se pode julgar um país numa semana. Encontrei alemães simpáticos, antipáticos, calados, faladores, alegres, etc. Do pouco contacto que tive com os hábitos ou instituições pareceram-me, posso estar enganado, mais descontraídas do que as nossas. Não digo mais desenrascadas, apenas mais descontraídas. O desenrascanço implica um enrascanço. A descontração é simplesmente isso, descontraída. Nota-se essa atitude quando se anda nos transportes públicos. Comprei um bilhete para sete dias. Validei-o, guardei-o na carteira. Nunca mais tive que o passar numa máquina. Bastou-me entrar e sair de comboios, metros ou autocarros. Por comparação, as viagens por aqui são bem mais enrascadas e vigiadas. É preciso validar o bilhete e mesmo o passe sempre que se entra e se saí. A mesma coisa com os museus. Comprei um passe de três dias e a própria funcionária que mo vendeu me aconselhou a não preencher a data. E ninguém me pediu qualquer identificação. Foi uma vida bastante mais fluída que a daqui, onde (pelo sim pelo não) é preciso pedir o recibo, o passe, o impresso, o papel, o cartão.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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