The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Treta

Uma coisa o caso da bandeira confirmou: não é muito difícil chatear quem nos governa. Um toquezito basta. Tirar a cor a uma bandeira e hasteá-la num sítio onde se veja durante algum tempo. É económico. É eficaz. Infelizmente, é também demasiado óbvio para ser considerado arte bem sucedida, que se distancia daquilo que chama “panfletário”. O próprio Paulo Mendes o fez durante esta mesma polémica falando também deste género de arte como uma especialização. E não é o único. Já por várias vezes encontrei a mesma salvaguarda em conversas, em críticas: Tal artista tem preocupações sociais, políticas, mas não é panfletário. Percebe-se que a ideia é manter uma certa mobilidade, uma autonomia. De não dar a entender que o artista só pensa em política mas tem outras preocupações, o seu percurso, a sua integridade, etc. A própria obra, sobretudo se tiver preocupações políticas, deve suportar este distanciamento: sim é sobre precariedade, sobre a discriminação, mas também sons e cores, sons e cores bonitos. Aquilo que se chamava dantes a polissemia típica da obra de arte, que pretendia pôr em causa pensamentos únicos, agora significa que boa parte da arte é construída à partida para ser reinterpretável, para dizer que sim e que não ao mesmo tempo (veja-se o cacilheiro que (para alguns) consegue ao mesmo tempo representar com perfeição os valores do Governo e ser considerada uma subversão desses valores). É uma treta, claro, uma arte da treta, numa sociedade onde a treta governa. Pessoalmente, prefiro arte ou pelo menos artistas que tomem uma posição.

Anúncios

Filed under: Crítica

2 Responses

  1. vejo essa ambiguidade “polissémica” como desculpa para estar de “bem” com os “anjos” (os “programadores”, “curadores” e as instituições – por norma e preguiça… – de “esquerda”) e com os demónios (sem aspas) do poder (puro e duro)
    leu sobre a “união nacional” (de António Costa a Paulo Portas…) à (bem montada) “operação-cacilheiro”?
    http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=73918
    agora, à arte “política” reclama-se a capacidade de saltar acima da simples propaganda

  2. […] acusado de ter ultrajado os símbolos nacionais, pode apanhar cinco anos, etc. Lembra um pouco o caso da bandeira do Paulo Mendes que foi censurada no edifício AXA há pouco mais de um ano. Lembra também o “Funeral de […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: