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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Prós e Contras

Estive a ver ontem o Prós e Contras da passada segunda-feira, sobre a relação entre Portugal e a União Europeia e opondo, entre outros, o economista Pedro Lains e o Ministro Poiares Maduro.

Foi deprimente. Foi o discurso do “não há alternativas” contra o do devíamos ter negociado melhor. A resposta do governo resume-se a variações de “Agora é que temos margem para negociar porque cumprimos”, o que numa semana em que se anuncia de modo casual o despedimento de 100.000 pessoas parece uma piada de mau gosto. Lains contrapôs que o plano de ajustamento em Portugal está a ser bastante mais violento que nos outros países em crise, e que o Governo nunca demonstrou vontade de negociar com a Troika, antes pelo contrário, começou por ir “para além da Troika”. A resposta, matraqueada até ao fim do programa, resumiu-se a “não temos a realidade que queremos, temos a realidade que nos é dada” (ou coisa semelhante) – esquecendo que numa negociação se tenta atingir um compromisso entre a realidade que temos e a que nos é dada (mas para isso seria preciso negociar).

Mas (para o Governo) é essa determinação com que se cumpre a todo o custo que nos garante agora a confiança da Europa e (mais importante ainda) dos investidores. Ainda hoje, no editorial do público, se diz que é essa vontade de reduzir o peso do Estado que suporta a confiança dos investidores, a recente ida aos mercados  demonstrando-o, sem sombra de dúvidas.

No fundo, é aquela velha história neoliberal das expectativas, a teoria que afirma que o investidor previdente, quando vê que o Estado vai gastar menos, calcula que vai pagar menos impostos no futuro, e portanto investe mais. E vice-versa. É mais outra teoria desacreditada.

Muito pouca gente, nenhum industrial, por exemplo, calcula o seu investimento usando a despesa do Estado para antecipar futuros impostos, mas em função da procura que antecipa para o que produz.

E, neste caso, a confiança vem claramente da intervenção do BCE.

E, no Prós e Contras, o governo acaba por dar razão a isso, sem o admitir frontalmente, quando repete que consegue negociar com a Troika porque cumpriu: a austeridade garante a confiança do BCE. E só essa confiança garante a confiança dos investidores, que se estão nas tintas para a austeridade. Só querem saber se o dinheiro que emprestam vai ser pago por alguém, mesmo que meia dúzia de economias tenham que ir ao charco.

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Filed under: Crítica

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