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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Axa

Via Facebook, comunicado de José Maia:

‘Comunicado sobre a minha saída do cargo de diretor artístico do projeto “1ª Avenida”
Enviei no dia 9 de maio de 2013, por via postal registada com aviso de receção, a denúncia do contrato de prestação de serviços que havia celebrado, enquanto diretor artístico, com a “PortoLazer, EEM”, uma das promotoras do projeto “1.ª Avenida”.

Quando fui convidado a integrá-lo, fi-lo convicto de que esta é uma oportunidade única de mostrar e desenvolver as várias práticas artísticas no Porto e na região envolvente, fornecendo aos artistas, criadores e curadores os meios necessários para a produção e para a apresentação dos seus trabalhos. É um facto notório que espaços como este que se projetou para o “edifício AXA” são raros em Portugal, em especial no Porto, pelo que, enquanto artista e curador que sempre fui e sou, entendi o convite como um dever para com a realidade artística da cidade e do país.

Sabia perfeitamente que um projeto desta magnitude e com apertados prazos de conceção e produção exigiria imenso de todos os envolvidos, mas mesmo assim aceitei, sempre numa perspetiva de construção.
Não podia, todavia, imaginar que os problemas de produção fossem, a dado momento, impeditivos da qualidade e até mesmo dificultando, quase até ao limite, a concretização prática dos projetos artísticos do “1.ª Avenida”.
Logo desde março deste ano que da parte do diretor de produção encontramos – eu, os artistas, curadores e todos os demais envolvidos no projeto – inúmeras dificuldades, de entre elas, falta grave de material de montagem e logístico, e incumprimento de prazos estabelecidos.
As condições de produção não estavam minimamente à altura da exigência e da ambição do projeto.
Praticamente desde o início fui recebendo queixas dos artistas e curadores, atento o atraso nas obras do edifício, a ausência de espaço condigno para reuniões e um afastamento, quase ausência, de quem, como diretor de produção, estava encarregue de solucionar este tipo de problemas.
Enquanto diretor artístico ia reportando estas queixas ao diretor de produção. A inauguração do dia 26 de abril decorreu em clima de enorme tensão, pois os materiais só chegaram e foram instalados a breves minutos da hora de abertura ao público e, alguns deles, já depois desse momento temporal.
Tornava-se claro que, apesar dos meus esforços constantes, a estrutura de produção não conseguia dar resposta cabal ao que é exigível a um projeto deste tipo.
Ao longo do mês de abril, por acreditar na validade do projeto, como acima referi, aguentei desconsiderações pessoais e profissionais, inúmeros problemas de coordenação de produção e um forte desrespeito pelo trabalho que artistas e curadores tinham vindo a desenvolver com dádiva incondicional.

Chegou, pois, a um ponto em que não me era mais humanamente possível suportar uma situação como a descrita.
Por forma a seguir os procedimentos corretos, escrevi formalmente, por e-mail, a 8 de maio, ao diretor geral da “PortoLazer, EEM”, elencando alguns dos inúmeros problemas de produção e de falta de consideração e respeito por mim, pelos artistas e curadores da parte do diretor de produção.
Outra alternativa não me restou que não fosse desvincular-me do projeto, denunciando o respetivo contrato.
Gostaria de salientar que os problemas de produção que agora relato conduziram a que a exposição coletiva “Uma questão de género” fosse retirada pela curadora.

Sempre estive, estou e estarei ao lado dos artistas, curadores e programadores que constroem e de todos quantos, abnegadamente, se lançaram no “1.ª Avenida” com objetivos maiores. Não poderia pactuar com faltas de profissionalismo graves que afetavam o projeto e desconsideravam a comunidade artística envolvida.

Agradeço, muito sensibilizado, publicamente, as várias mensagens de apoio que tenho recebido da parte da comunidade artística do Porto e de outros pontos do país. Bem hajam!

Quem me conhece sabe que não abandono projetos antes do fim. Faço-o contristado. Mas também todos sabemos que há momentos em que o respeito por nós próprios e pelos outros nos impele a sair de um projeto artístico, desejando que ele seja aquilo que a Arte, o Porto e os seus cidadãos merecem.

Enquanto artista, curador e cidadão, desejo, porém, sinceramente, que o projeto “1.ª Avenida” retome os objetivos que estiveram na base da sua criação, formulando votos dos maiores êxitos a toda a comunidade artística envolvida e ao novo diretor artístico que venha a ser nomeado.

Porto, 10 de maio de 2013.

José Maia’

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Filed under: Crítica

3 Responses

  1. […] cena: as discussões em torno da cena alternativa do Porto há mais de meia dúzia de anos, o caso Axa, a turistificação do Porto e a sua relação com a cena alternativa, […]

  2. […] lê-lo, fica-se com a ideia que esta exposição, tal como outras antes dela, procura marcar presença dentro desta nova ordem, talvez mais favorável às […]

  3. […] cena: as discussões em torno da cena alternativa do Porto há mais de meia dúzia de anos, o caso Axa, a turistificação do Porto e a sua relação com a cena alternativa, […]

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