The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Axa La Vista, Baby

Há um efeito secundário quase invisível e inaudível do Caso Axa: toda a discussão de café e de facebook que gerou. A de café – e de jantar e de inauguração – é quase inaudível porque é transmitida por vibrações do ar que saem da boca de uma pessoa e entram pela orelha de outra. Essas vibrações tendem a não viajar a grandes distâncias e, se não houver alguém por perto com um aparelho de gravação, desaparecem para sempre. A discussão de facebook é mais duradoura mas é feita entre “amigos”. Só se entra por convite.

Às vezes sentem-se ecos dessa discussão na esfera pública mais alargada: alguém faz um comentário num blogue ou manda um comunicado para um jornal. Em algumas dessas intervenções, dá-se a entender que por detrás desta confusão toda estão dinâmicas pessoais, amores, ódios, etc. E mais não se diz. Seria preciso ter estado lá para perceber. Conhecendo os protagonistas, percebe-se a motivação. Daria uma luz completamente distinta ao assunto. E discutir isto assim a frio, fora do contexto, diante de todos, não esclarece nada.

Como é óbvio, isto não acontece apenas com o Caso Axa mas com todos os Casos do mundo da arte, da cultura, etc. E é uma treta em todos eles. Que por detrás de qualquer evento público há pessoas, com motivações, segredos, paixões e ódios é a revelação menos reveladora de todos os tempos – há sempre. Mas quando se torna público ultrapassa isso. Diz respeito a mais gente do que se pode convidar para sentar a uma mesa de café, de jantar ou para uma discussão no facebook.

E, na grande maioria dos casos, os pormenores sórdidos não interessam de todo, excepto enquanto mexerico.

O Caso Axa, em termos de discussão pública manifestou-se por um conjunto de comunicados que apresentam argumentos e depoimentos sobre uma situação a que pouca gente assistiu. Em nenhum deles é negado que uma obra foi retirada da esfera pública: uns dizem que foi censura; outros dizem que foi falta de vontade para atingir um compromisso. Cada um terá a sua definição do que constitui ou não censura. No meu caso, defino-a como uma subtracção deliberada de objectos ao discurso público.

Acreditar que a discussão pública é fundamentalmente menos autêntica ou informada que a discussão privada, entre insiders, que percebem realmente do assunto, não anda muito longe desta definição. Não é censura, mas demonstra falta de experiência para existir em público (José Gil, etc.)

Quando me aparece alguém (nos comentários do blogue, por exemplo) a dizer que há mais coisas que eu nem desconfio, mas este não é o lugar nem a ocasião, eu ouço: “Sim, eu inventei a cura do cancro, mas tinha que ir a casa buscá-la.”

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Filed under: Crítica

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