The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Axa La Vista, Baby

Há um efeito secundário quase invisível e inaudível do Caso Axa: toda a discussão de café e de facebook que gerou. A de café – e de jantar e de inauguração – é quase inaudível porque é transmitida por vibrações do ar que saem da boca de uma pessoa e entram pela orelha de outra. Essas vibrações tendem a não viajar a grandes distâncias e, se não houver alguém por perto com um aparelho de gravação, desaparecem para sempre. A discussão de facebook é mais duradoura mas é feita entre “amigos”. Só se entra por convite. Leia o resto deste artigo »

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Axa que sim, Axa que não

Sempre que na universidade há uma daquelas reuniões com o objectivo de levantar problemas, já me habituei a um fenómeno curioso: os problemas são quase sempre materiais. Ah, se houvessem mais uns computadores, mais projectores; turmas mais pequenas; ligação à net; uma máquina de café; sofás. Nestas ocasiões, a culpa tende a ser das coisas e não das pessoas e percebe-se porquê. Qualquer crítica que se dirija aos conteúdos, aos métodos, por mais leve que seja, tende a ser vista como um ataque pessoal, uma interferência. Vive e deixa viver, é a regra. Leia o resto deste artigo »

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Axa

Via Facebook, comunicado de José Maia:

‘Comunicado sobre a minha saída do cargo de diretor artístico do projeto “1ª Avenida”
Enviei no dia 9 de maio de 2013, por via postal registada com aviso de receção, a denúncia do contrato de prestação de serviços que havia celebrado, enquanto diretor artístico, com a “PortoLazer, EEM”, uma das promotoras do projeto “1.ª Avenida”. Leia o resto deste artigo »

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Sacrifício

Maio é o pior mês do ano. É aquela altura antes das avaliações e das férias quando toda gente no ensino superior quer mostrar o trabalho que esteve a organizar desde o começo do ano. Assim, toda a gente quer conferências e textos, embora tradicionalmente haja muito pouco (nenhum) dinheiro para os pagar.

Também é a altura do ano em que se pode concorrer a calls for papers que implicam a possibilidade de pagar uma ou duas centenas de euros para submeter um texto para avaliação do júri (que pela minha própria experiência não é pago) e depois produzir uma conferência sobre o assunto.
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De Boas Intenções… (Ou então é uma piada, espero eu)

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Apanhei isto no fffound, um edredão mascarado dos cartões de um sem abrigo. No site diz que é para  promover a consciência do problema dos sem-abrigo e que parte dos lucros vão para os ajudar, mas, mesmo assim, parece-me uma ideia bastante insensível. Se entrasse na casa de alguém e visse uma colcha destas, acho que não ficava com boa impressão. Ia parecer uma piada irónica. Mesmo que o dono me viesse depois dizer que tinha comprado aquilo para ajudar. É daquelas coisas que precisava de uma grande legenda permanente para funcionar.

 

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Sete Ofícios não chegam

Nos velhos tempos, há uns seis anos ou sete anos, eu ainda dava as minhas notas em papel, penso que já escrevia os sumários e programas de disciplinas na internet. Entretanto, já posso preencher e entregar os meus relatórios, os meus impostos, os meus papers. Tudo muito eficiente. Excepto pelo pormenor que não se trata de melhorar as tarefas que eu fazia mas de lhes acrescentar outras: por exemplo, estar disponível para responder a mails 24 horas por dia 7 dias por semana, sem feriados, férias ou o que seja. Ser o meu próprio secretário enquanto se dispensava cada vez mais gente dos serviços administrativos. Depois ser, para além de professor de design, um investigador de carreira, o que não é a mesma coisa. Ou, para além de escrever sobre design, ter de escrever papers sobre esse assunto (também não é a mesma coisa). E, para além disto tudo, orientar a investigação feita por terceiros, orientar estágios (mais outra tarefa). Também aqui trabalho de várias pessoas concentrado numa só. Leia o resto deste artigo »

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Ataques Pessoais

O que falta dizer ainda em relação ao Caso Axa? No passado já houve  colaborações entre Serralves, Câmara do Porto e artistas; também houve (como há sempre) problemas de montagem e negociações sobre o carácter das peças. Mas tudo isto aconteceu nos bastidores. Se sobreviveu foi sobretudo como história oral. A única diferença neste caso foi a decisão de um artista não ceder a uma imposição e ter decidido retirar a sua obra fazendo disso uma declaração pública. Não tenho dúvidas que sem isso nada mais teria acontecido. Teriam havido os problemas do costume, mas seriam apenas os problemas do costume. E seria possível desvalorizá-los da maneira do costume: atribuindo-os à má-vontade entre duas pessoas ou à relação demasiado próxima entre duas pessoas. E onde tudo se resume ao pessoal, nada pode chegar a ser público sem ofender, difamar ou invadir a vida de alguém. No fundo tal e qual como acontece na nossa sociedade (não apenas a portuguesa), onde é mais aceitável expor toda a vida intima em público (veja-se os reality shows) do que uma opinião política. É esse talvez o grau maior de privatização: a ideia que a esfera pública se deve resumir à exibição de vidas privadas, de celebridades, cada vez mais isoladas, extravagantes, enquanto a política se resume a isso, mas com políticos. Para haver espaço comum, discussão pública, é preciso em primeiro lugar esquecer o mais possível os motivos, os interesses, os próprios e os dos outros; só assim é possível ter uma discussão democrática, onde o dinheiro, a família e o poder (ou as suas ausências) não façam diferença.

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Arte, Política, Censura e Auto-Censura

Ainda sobre o Caso Axa, ontem saiu uma notícia curiosa cujo título anunciava que os artistas “tomaram uma posição política”. A minha primeira reacção foi: e? Lendo o artigo, percebe-se que a Porto Lazer acreditava que os artistas tinham tomado uma posição política e não contra o projecto. Ou seja, que a política é de algum modo externa à arte. Mas a Bandeira de Paulo Mendes era desde já política e foi condicionada por isso, mesmo que as condições tenham sido disfarçadas de procedimento administrativo, falta de autorizações, etc. Foi um condicionamento político. Foi uma posição política.

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Nem sei como não me lembrei

Ainda bem que alguém o perguntou nos comentários: mas e Serralves? O que diz da bandeira e do resto?

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Trapalhada

Do que se pode perceber do caso do edifício Axa é que a bandeira de Paulo Mendes foi a ponta solta que desfiou a camisola inteira. Quando se condicionou a exposição dessa peça, discriminando-a em relação a outras, houve censura, e o artista fez bem em retirar-se da exposição.

Essa recusa acabaria por forçar uma posição por parte dos outros artistas e comissários – ficar ou não ficar. Em qualquer um dos casos, concordando-se ou não, é uma escolha legítima. Pessoalmente acho que todos os artistas e comissários deveriam ter saído imediatamente.

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Não sei se residentes, mas artistas de certeza

E, para juntar ao dossier, mais uma intervenção do Paulo Mendes, via Facebook:
‘DIAGNÓSTICO e CONTAMINAÇÕES

Depois do problema que aconteceu com o meu trabalho, a bandeira PORTUGUESA MONOCHROME, ainda antes da própria inauguração deste primeiro conjunto de exposições no projecto 1ª Avenida, os episódios pouco dignificantes continuam.

Aquela ocorrência, que mostrou a total incompreensão da criação contemporânea, acabou com justificações legalistas como forma da entidade promotora do projecto justificar o injustificável – desviar as atenções daquilo que foi a razão principal do pedido para retirar aquele trabalho – e essa razão obviamente prende-se com o comentário político que está implícito na leitura do trabalho. Decidi sair da exposição de forma discreta, quanto possível, no final da manhã do dia 26 de Abril. Como já referi anteriormente não enviei nenhuma informação para a comunicação social sobre os factos que tinham ocorrido e não quis alimentar uma discussão pública que embora pudesse colocar questões importantes na relação entre o poder politico e a cultura, poderia colocar em causa a manutenção do programa que José Maia pretendia ali desenvolver. Não o fiz por respeito e para não colocar em causa a posição do director artístico José Maia, meu amigo e cúmplice em muitos projectos ao longo dos anos. A manutenção desta amizade é obviamente mais importante que os arrufos controleiros de meros gestores ou produtores politico/culturais. Nesta perspectiva dei por terminado este incidente e continuei a produzir o meu trabalho.

No entanto as entidades e os responsáveis executivos relacionados com a Porto Lazer que gerem o projecto 1ª Avenida pouco parecem ter aprendido daquele lamentável episódio e persistem num desrespeito pelo criadores, razão principal para a existência daquele espaço. Os mais recentes acontecimentos, explicados na comunicação assinada por um conjunto de criadores que decidiram agora retirar-se e dar por terminada a maior exposição que estava aberta ao público, demonstra a ausência de uma estratégia global para a ocupação e programação daquele espaço.
Neste momento no projecto 1ª Avenida, realmente tudo pode co-existir, desde a ausência de apoio ao nível da produção aos criadores, às intermináveis obras no edifício ou a descidas de rappel na fachada e desde á dois dias podem também partilhar o Edifício Axa com uma sede de campanha política. A Porto Lazer declarou na altura a propósito da exibição pública da minha bandeira ao jornal Público: “não poderia permitir que o Edifício Axa tivesse, durante um mês e meio, apenas um ícone externamente visível de um dos seus muitos conteúdos e, portanto, contaminante da identidade diversa que se pretende construir para o programa imaterial” do 1ª Avenida.” (http://www.publico.pt/cultura/noticia/paulo-mendes-nao-aceitou-proposta-da-camara-do-porto-de-manter-bandeira-no-exterior-do-axa-apenas-uma-semana-1592877#).
Aparentemente esta sede de campanha politica não contamina a identidade dos criadores que ali estão a desenvolver e a mostrar o seu trabalho a custo zero.

Talvez os políticos sejam artistas residentes.

P.M. 9 maio 2013

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Não há neutralidade

Ainda mais outro artigo sobre o caso da Bandeira. Desleixo no apoio e manutenção da exposição. A coabitação com a sede de campanha de Rui Moreira. Calculo que ter uma bandeira negra não parecesse muito bem neste contexto. Leia o resto deste artigo »

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O que interessa

Ocorreu-me que, se há quem defenda que o comissariado é a nova crítica ou até a nova arte, isso só o torna mais interessante como um objecto de atenção por parte dos artistas (que cada vez mais se dedicam ao comissariado mas também a produzir situações próximas do comissariado ou que o põem em causa) mas também da crítica, que tem sido bastante omissa nesse ponto. Leia o resto deste artigo »

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A Bandeira Continua

Mais um comunicado relativo ao caso da bandeira no edifício Axa, vindo via André Alves no Facebook, que reproduzo abaixo. Aproveito, antes, para chamar a atenção como as notícias neste caso têm viajado, por conversa, nas redes sociais mais do que nos blogues ou jornais. Mesmo assuntos que interessam minimamente não têm uma cobertura mínima. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Arte

Proteger tudo o que é trabalho

Estava para escrever sobre o concurso da Tetra Pak, “Proteger Tudo o Que é Bom”, onde se davam 750 euros de prémio mais a possibilidade de um estágio não remunerado de três meses. E, como seria de esperar, a votação final é feita através de likes (depois de uma pré-selecção por um júri). Leia o resto deste artigo »

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Prós e Contras

Estive a ver ontem o Prós e Contras da passada segunda-feira, sobre a relação entre Portugal e a União Europeia e opondo, entre outros, o economista Pedro Lains e o Ministro Poiares Maduro.

Foi deprimente. Leia o resto deste artigo »

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Jovens Curadores ou, como se diz em inglês: “Minions”

Via Lígia Afonso no facebook, um artigo interessante na Folha de S. Paulo cujo título diz tudo: “Longe do glamour, nova geração de curadores de museus e galerias tem vida árdua”. Para o meio fala-se de “um cotidiano mais braçal do que glamouroso”, de “falência da imagem do curador”. Distingue-se os que trabalham “por tesão” e os que vão atrás de “poder”. Leia o resto deste artigo »

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Obediência Civil

Parece impossível que se tenham realizado exames nacionais de utilidade duvidosa, com os quais pouca gente concorda, sobretudo os professores, uma classe cada vez mais sobrecarregada, precária e humilhada, que perderam uma boa oportunidade para fazer greve precisamente na altura em que isso faria diferença. Diz-se que seriam os alunos os principais prejudicados. Mas eles já são prejudicados todos os dias por um sistema que deliberadamente piora até ao absurdo (e não falo só do ensino).

Acatar ordens injustas é ser cúmplice. (E aqui sobre a mesma coisa no ensino superior)

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Vocabulário

Quando  segui artes no secundário, a turma era tão pequena que partilhávamos a maioria das disciplinas com uma turma de economia. Sinceramente, não fazia ideia do que eles estudavam. Pensava que era contabilidade. Nunca imaginei que eu próprio ia começar a ter alguma cultura geral sobre o assunto. Leia o resto deste artigo »

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Comissariado, Crítica, Arte e Política

Reparem: enquanto a arte luta para se repolitizar (sem grande sucesso), a crítica e a teoria tornaram-se extremamente politizadas (Negri, Rancière, pós-fordismo, a arte como empreendorismo e precariado são assuntos quase banais) e o comissariado assume-se como a nova crítica (diz Gadanho, e como está no Moma deve ser verdade).

É como olhar para três cegos a apalparem um elefante e a dizerem sucessivamente que a política é interessante mas não de forma panfletária, que até gostava de ser mais político mas o editor não deixa, que se os outros cegos tivessem visto a exposição que comissariou há uns anos sobre o assunto iam perceber que já era altura de deixarem aquele crocodilo em paz.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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