The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Tinta Azul

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Ando a ouvir o meu primeiro audiobook. Decidi-me por Excession, de Iain M. Banks. Está a ser uma boa experiência, com o narrador a dar espessura cómica a todas as vozes. É como ouvir uma peça de rádio. Em relação aos livros tem a vantagem de se poder ouvir na rua e deixar as mãos livres. Leia o resto deste artigo »

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Vão dar uma Curva

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Apesar do gráfico, isto não vai ser um texto sobre economia.

Nesta altura da crise, já ouvi falar da Curva de Laffer mais do que gostaria. Já ouvi o Ricardo Araújo Pereira a gozar com Miguel Sousa Tavares pela maneira como pronunciava “Lafner” e não “Laffer”. Todas as semanas alguém invoca a tal Curva. O que não surpreende, porque a Curva é um argumento que defende a existência de um nível de impostos ideal que, se for ultrapassado, começa a diminuir a receita para o estado. No fundo é um modo gráfico de dizer que a partir de certa quantidade de impostos já não compensa trabalhar. Leia o resto deste artigo »

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Bonecos animados

Desde há uns dez anos que revejo sempre que posso a série de animação Ghost In The Shell: Stand Alone Complex. Para quem conheça os filmes ou a banda desenhada (sobre as aventuras de uma mulher polícia ciborgue e os seus colegas numa unidade de elite no futuro próximo) parecerá à primeira vista mais tosca. Foi o que me sucedeu. Persisti. Dei conta que não se parecia com nada que eu alguma vez tivesse visto. Cada um dos vinte e tal episódios tem perto de vinte minutos. Ao princípio parecem isolados (Stand Alone, como o título) mas lentamente vai-se construindo uma história maior. Um detalhe torna-se recorrente e depois dramático. Os personagens vão ganhando espessura, alguns em mais do que um sentido como os Tachikomas, uma brigada de tanques inteligentes com voz de criança que se vão tornando cada vez mais conscientes e filosóficos à medida que a série avança. Haverá mais alguma série de acção onde o enredo gira à volta de citações de Salinger, de conceitos de Deleuze?

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Trabalho e Trabalheira

Passei boa parte da greve de ontem em casa, a adiantar avaliações e a resmungar que um dia antes ou um dia depois teria tido bastante mais efeito. Teria coincidido com prazos de entregas de notas.

Ainda me iludi a pensar que podia passar o dia pelo menos sem responder a mail de trabalho, mas não. Deixei o telemóvel desligado e sem bateria como consolo. Leia o resto deste artigo »

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“Vai correr tudo bem”

É o título de uma obra de Guido van der Werve, de 2007. Um homem caminha à frente de um quebra-gelo. Tanto quanto sei a obra não tem efeitos especiais, embora haja alguma distorção de perspectiva que faz o barco e o homem parecerem perigosamente próximos. Leia o resto deste artigo »

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Greve

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Uma Campanha Gráfica

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Dei com este blogue de crítica ao design das autárquicas, comentando a imagem das campanhas, contextualizando cada uma das corridas eleitorais, o que é essencial para perceber se a estratégia gráfica funciona ou não. Também tem pormenores literalmente caricatos como a imagem acima. Recomenda-se.

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Declaração de Greve

Amanhã tenciono fazer greve.

Faço-a pela defesa do trabalho e como demonstração que o trabalho faz diferença e merece respeito. Para os espertalhões que dizem que o trabalho se defende trabalhando, trabalho significa ser pago para trabalhar, ter condições para exercer esse trabalho, que os riscos e custos inerentes ao trabalho sejam divididos justamente entre quem emprega e quem trabalha.

Faço-a pela defesa do Estado e da Função Pública. Da escola e da investigação públicas.

Faço-a pela demissão deste Governo. Eu não voto em partidos ou personalidades, mas em programas. O que foi eleito nas últimas legislativas foi um programa, entendido não apenas como um conjunto de intenções, mas também como uma certa postura ética e política. E esse programa não foi cumprido. Se não podia ter sido cumprido por motivos que ultrapassavam a conhecimento dos candidatos, isso só demonstra a incompetência deste governo para elaborar e cumprir o seu próprio programa, a sua falta de ética e a sua irresponsabilidade política.

 

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Culturas da Crise

Qual a cultura mais eficaz em Portugal nesta crise? Eu diria que é a cultura de rua, os posters, os grafitti, a ocupação de espaços públicos abandonados com escolas, bibliotecas e hortas. São esses actos que são mais críticos no sentido de acrescentarem algo à esfera pública. A crítica produz-se somando discursos divergentes, concordantes, ao discurso público. A censura é o acto de os subtrair, tornando a esfera pública mais pobre. Leia o resto deste artigo »

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Só para dizer que estou vivo

Mas com alergias. E a meio das avaliação finais de ano. Daí não ter escrito muito para aqui. Com sorte, daqui a uns dias o pior já passou e começa o longo degradé até ao Verão.

Também não tenho lido grande coisa. Gasto o pouco tempo que sobra a ver filmes, nada que valha sequer a pena lembrar o nome. Livros, ando com As Regras da Arte do Pierre Bourdieu, para reler.

O resto é jornais e internet, com rapidez. Só para saber que o Governo continua lá. Que agora o grafitti é ilegal, tal como chamar palhaço ao Presidente, ou mandá-lo trabalhar. O centro do Porto já parece uma cidade censurado. Cada parede pintada numa cor quase quase igual à anterior, mas mais barata.

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É fácil

Se há indício que a nossa democracia não anda tão bem como devia é a quantidade de vezes que se ouve alguém a queixar-se do excesso de opinião. O Ministro Poiares Maduro é apenas o último nesta vaga de gente, ao lamentar-se que contra factos há sempre argumentos – chavão, pois claro.

Podia-se corrigir, propondo que contra argumentos há sempre argumentos. E que boa parte do que se chama abusivamente facto é também um argumento: se é um facto que certa autoridade afirmou algo, isso não torna o que é afirmado num facto.

Enfim.

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As Cores da Política

Mariana Vieira da Silva escreve um bom artigo sobre o Medo de Passos, concluindo assim:

“A dois meses das eleições, todos os candidatos autárquicos do PDS sabem o peso que carregam, mudaram a cor aos cartazes, apagando todos os vestígios que os liguem aos partidos no governo. Porque Passos Coelho pode dizer que não tem medo de eleições, mas quem vai a votos tem medo de se apresentar ao seu lado nesta pré-campanha desastrosa. E já não o escondem.”

É inequívoco que toda a gente se distancia de Passos (veja-se Portas ou até o próprio PSD) mas a cor dos cartazes não é indício disso. Eu já tinha reparado no fenómeno há umas tantas eleições atrás (aqui fica um post de 2011). Leia o resto deste artigo »

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Bibliografia da Crise (Actualizada e Desactualizada)

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A melhor coisa que tenho andado a ler sobre a crise é o Não Acredite em Tudo o Que Pensa, da Tinta da China, um conjunto de respostas simples às ideias feitas do costume: vivemos acima das nossas possibilidades, a segurança social é insustentável, etc. Desconfio que seria possível pôr um cópia deste livro a debater todas as semanas com o José Manuel Fernandes ou pelo menos com o João Miguel Tavares sem precisar de gastar o tempo de uma pessoa a sério com o assunto. A automatização chega a toda a parte. Leia o resto deste artigo »

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Ilusões

Desde o começo da crise que a neo/ordo/ultraliberalidade lusa se regozija com a passividade de quem se opõe às medidas do governo. Há manifestações, greves, cartazes e graffittis. Canta-se o Grândola. Mas nunca se chega propriamente à violência, como na Grécia, no Brasil ou na Turquia.

E é verdade que à esquerda há quem lamente isso. E acredite que é só uma questão de tempo, que a panela de pressão está ao lume – um dia vai tudo rebentar. Posso estar enganado, mas tenho cada vez mais dúvidas que algum dia isto chegue a vias de facto. Leia o resto deste artigo »

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Lá se vai o Tua

E hoje a Unesco aprovou a construção da barragem do Tua, uma magnífica obra do arquitecto Souto Moura, possivelmente pigmentada por algum artista da nossa praça, arte pública comemorando a privatização destruição de um ecossistema inteiro, bem como do património social e cultural da zona, que ficará irremediavelmente debaixo de água em nome de produção de energia pouco ou nada eficiente, que continuará tão cara como antes. A aprovação fica a dever-se à diplomacia do governo que tudo fez para destruir mais este pequeno rincão do paí´s em nome de interesses privados.

As vozes do costume dirão que são precisos sacrifícios para ter energia e perguntarão se tenho alternativas. Onde é que moram, vozes do costume? Imaginemos que na Lapa ou em Alvalade. Aí está um rico sítio para construírem a vossa barragem. E se moram numa colina chupem com um aerogerador no quintal. Tudo com design do Souto Moura e pigmentação do Cabrita Reis.

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Utopia de Mercado

É conveniente fazer um ponto da situação, nesta altura da crise, para sublinhar que se o país está falido, não tem dinheiro, a solução que está a ser aplicada por quem nos governa e defendida pelos seus ideólogos, assenta por substituir ou fundar o mais possível a sociedade pelo mercado.

O que  significa, só por si, que boa parte da população fica de imediato excluída. Não tem meios para fazer parte desse mercado excepto como mercadoria: mão de obra abaixo do limiar de subsistência ou objecto de caridade. Leia o resto deste artigo »

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O Neoriquismo

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Abriu um novo hotel de luxo no sítio onde costumava funcionar o Mercado do Bom Sucesso, junto à Boavista no Porto. É uma coisa pavorosa. Fico espantado como não se manda a polícia de choque encerrar de imediato este atentado ao bom gosto e ao bom senso. Pelas imagens, parece uma feira de móveis com divisórias de pladur decoradas com partituras e alguns violoncelos a esmo. Leia o resto deste artigo »

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O civismo ao serviço do cinismo

Enquanto tirava o bilhete de metro para ir à manifestação de professores no Marquês de Pombal em Lisboa fui interpelado por duas senhoras que por gesto e em inglês com sotaque me diziam que queriam tirar “four” qualquer coisa. Perguntei-lhes se queriam quatro bilhetes ou quatro viagens. Tentei explicar-lhes o sistema. Acabei por as deixar lá, sem perceber o que queriam. Leia o resto deste artigo »

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O Design da Greve na TV

Uma nota breve sobre a cobertura da greve na televisão: na RTP1, José Rodrigues dos Santos dedicou-se a fazer as contas aos números da greve usando um quadro negro. É uma ideia tão original que na SIC o pivot estava a fazer o mesmo. Não faço ideia das opções dos outros canais.

No meu caso, é muito raro usar um quadro negro nas aulas. O mais comum é usar um projector acompanhado de um quadro branco e marcadores. Numa altura em que se discute a toda a hora e a todo o momento o ensino seria boa ideia dar uma ideia menos caricatural do modo como é realmente praticado. É um pormenor pequeno, mas importante.

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Consenso e “Consensibilidade”

Cavaco não demite este Governo porque o consenso e a coesão são essenciais. Essenciais, sim, mas para quê? Para virar descansadamente pais e professores e alunos e funcionários públicos e correios e transportes e sindicatos uns contra os outros. Ainda bem que o consenso e a coesão são importantes. Olha se não fossem…

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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