The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Fundo de Greve

Outro dia, um amigo meu, professor do secundário, contava-me as dificuldades de fazer greve e as maneiras como se iam resolvendo. Fazer greve um dia implica perder esse dia de salário. Alguns colegas não podiam abdicar desse dinheiro, e assim fez-se uma vaquinha para que não o perdessem.

Sem o saberem, redescobriram um mecanismo antigo, o fundo de greve – os trabalhadores de um sindicato vão descontando um ou dois por cento do seu salário para que possam receber a totalidade ou parte do seu salário durante uma greve.

Em Portugal, são poucos os sindicatos que criam estes fundos (uma das excepção é a CP). Vê-se logo as vantagens da ideia e percebe-se como funciona melhor quando aplicada por associações que incluem vários sectores: a greve prolongada de uma profissão pode ser sustentada pelas quotas de outra que não esteja a fazer greve.

No fundo, trata-se de uma forma de Segurança Social. E o desmantelamento em curso dessa instituição mostra como isso fragiliza os trabalhadores. Longe de ser uma segurança, uma espécie de seguro, torna-se agora num mecanismo sarcástico através do qual o desemprego se torna numa ocupação a tempo inteiro (entre papelada e serviço cívico compulsivo) que retira ainda mais liberdade e dignidade às pessoas que nele caem.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. Andreia diz:

    A propósito deste assunto gostaria de deixar aqui um exemplo de um país do norte da Europa, a Noruega, onde tenho um casal amigo a viver desde o ano passado. No seu blog, a 31 de Maio de 2012, o meu amigo escrevia:

    “GREVE… as diferenças…

    Deste lado do planeta, TODOS os funcionários do sector público estão em greve.
    A situação dura há cerca de uma semana, e pelos vistos não tem data para terminar. Interrogava-me do poder dos sindicatos em Portugal e da real repercussão de uma greve geral… a verdade é num dia os sindicatos poderiam “paralisar” o país, mas no dia seguinte tudo voltaria ao normal, apenas com a célebre discussão da verdadeira adesão à greve…
    Por estas bandas é bem diferente!!!
    Os sindicatos definem o começo da greve, TODOS os elementos ligados aos sindicatos são obrigados a participar e a mesma só termina quando houver uma decisão favorável do Governo. Essa decisão pode demorar semanas. A verdade é que aqui sim há uma verdadeira guerra de forcas. A cidade está sem infantários, escolas, câmara, museus, recolha de lixo ou qualquer serviço público… e isto aplica-se a todo o país!

    Para além de todas estas grandes diferenças, existe uma fundamental… as pessoas que aderem à greve e são membros do sindicato, não recebem o ordenado por parte do empregador, como é normal, mas recebem-no por parte do sindicato, e isso implica MUITO dinheiro!”

    http://viagemadois.blogspot.pt/search?q=greve

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