The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Musgo Verdadeiro que Cresce na Planta de Plástico

Entre os paradoxos mais idiotas da prática governativa neo/ultra/ordoliberal está sem dúvida o papel extremo do Estado como regulador. Supostamente teríamos um modo de governo que governa o mínimo possível e quando o faz seria apenas para garantir a liberdade individual de cada cidadão. Na prática temos um Estado extremamente interventivo, sobretudo na imposição forçada de formas de sociabilização centradas no mercado.

Do ponto de vista das relações sociais, privatizar não trata de eliminar o que é público, mas de limitar a esfera pública a relações que sejam o mais possível mediadas pelo mercado. Ou seja que se possam conceber como transacções económicas.

Neste sistema, nesta visão do mundo, coisas como escolas, hospitais, bibliotecas ou mesmo instituições como a Segurança Social são incompreensíveis se não forem vistas como negócios. É significativo que até o desemprego seja redefinido como uma oportunidade, de recolocar dentro do mercado, em competição, gente que de um modo ou outro estava fora do seu alcance – funcionários públicos, professores, reformados, etc.

Infelizmente, a natureza humana resiste ao mercado como modo único de organizar as suas relações – sobretudo quando não há dinheiro. As pessoas acabarão sempre por se organizarem para fins que não sejam simplesmente ganhar dinheiro ou competir. É significativo que movimentos populares reabram escolas e bibliotecas em ruínas de antigas escolas e bibliotecas públicas, enquanto  as entidades públicas que as administram prefiram hotéis e cafés.

Não há prova maior da necessidade humana de comunidade que um call center. Mesmo nesses sítios tenta-se desesperadamente reencenar um habitat humano verosímil, com “festas”, “feriados”, “saídas” e “retiros”, quase como se fossem uma associação recreativa onde se vai por gosto ou por companhia. É um simulacro como é óbvio, uma planta de plástico no terrário de uma tartaruga, mas o esforço e os recursos dedicados à sua manutenção demonstram que, ao contrário do que dizia a Sra. Thatcher, a sociedade precisa de existir, mesmo nos lugares mais inóspitos.

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Filed under: Crítica

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