The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Um twitter, um facebook, um blog

Quando comecei a escrever crítica de design há uns dez anos, ainda antes do blogue, a dificuldade era encontrar um modelo de crítica que me agradasse. Sabia que a maioria da crítica que via nos jornais e nas revistas portuguesas não me convencia, porque lia coisas bem mais estimulantes noutras paragens, tanto ao nível do estilo como do conteúdo.

Na escola, ensinavam-nos que a crítica dos jornais (ainda não tinham aparecido os blogues) não era crítica a sério, que a verdadeira crítica era mais profunda, integrava a obra e o autor no contexto mais vasto da história, da prática, da geografia, das ideias assentando numa investigação séria. Quem poderia discordar disto?

Na verdade, eu discordava. Se a crítica dos jornais não me convencia, o modelo académico convencia-me pelo menos tão pouco. Uma crítica feita em moldes estritamente académicos acabava por ser muito semelhante ao que se publicava nos jornais: identificar o autor, contando a sua biografia, integrando-o numa tradição, identificar a obra dentro do percurso do autor, assumindo que essa informação é útil ao leitor.

Para mim, era como preencher uma ficha de  modo mais ou menos inventivo. Interessava-me muito pouco.

Em alternativa, preferia a crítica como argumentação, ou seja como opinião – o discurso crítico consiste na produção de argumentos sobre uma dada situação, seja ela arte, política, literatura, música, cultura, etc. Esse discurso socorre-se de factos, da história, da biografia, mas a parte importante é a discussão: persuadir um público através de argumentos. Persuadi-lo que precisa de prestar atenção a objectos negligenciados ou que está a perder o seu tempo com outros, mas também de que precisa de estar atento aos discursos e contextos que rodeiam esses objectos e os sustentam.

Descobri que a crítica, praticada nestes moldes, podia ser bastante minimalista. Interessa sobretudo encontrar o argumento mais conciso, mais eficiente. E os factos apresentados devem ser apenas os necessários e os suficientes para o sustentar.

Naturalmente, é bastante comum dizer-se que a crítica que pratico não é na verdade crítica: porque não cumpre o tal figurino de descrever a obra, o seu autor, etc. Mas isso é quase sempre palha, peso morto. Só interessa referi-lo se conseguir ser activado por argumentação.

A crítica para mim não é uma tarefa reactiva mas combativa, polémica, escanzelada, de guerrilha. Haverá gente que acha que a crítica é, pelo contrário, aquilo que se chama uma força de paz, de policiamento, que faz as suas rondazitas de rotina, os seus exercícios pachorrentos, as suas hierarquias e paradas.

Na altura do Punk dizia-se: “Isto é um acorde, isto é outro acorde, isto é umterceiro; agora vai e forma uma banda.” Da crítica direi que “Isto é um twitter, isto é um facebook, isto é um blog; agora vai e faz crítica.”

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Filed under: Crítica

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