The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Bibliografia da Crise (Actualizada e Desactualizada)

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A melhor coisa que tenho andado a ler sobre a crise é o Não Acredite em Tudo o Que Pensa, da Tinta da China, um conjunto de respostas simples às ideias feitas do costume: vivemos acima das nossas possibilidades, a segurança social é insustentável, etc. Desconfio que seria possível pôr um cópia deste livro a debater todas as semanas com o José Manuel Fernandes ou pelo menos com o João Miguel Tavares sem precisar de gastar o tempo de uma pessoa a sério com o assunto. A automatização chega a toda a parte.

Entre as coisas antigas que ando a reler, destaco Representações do Intelectual, de Edward W. Said, da Colibri, um livro com vinte anos, escrito numa altura onde a ideia de intelectual e sobretudo de intelectual público era considerada um resíduo de tempos mais politizados. Said critica tanto o intelectual que se mantém afastado da vida pública como o que se coloca ao serviço do poder, do status quo. O livro faz a apologia do intelectual engajado, não necessariamente de esquerda, alguém ferozmente crítico das ideias feitas, da sabedoria aceite e do poder, denunciando contradições e injustiças.

Li este livro pela primeira vez em 2005, quase há dez anos, e na altura a ideia de um intelectual político parecia ao mesmo tempo óbvia e chocante, sobretudo numa área como o design. Foi uma influência muito grande na minha própria identidade como blogger e crítico.

Fora isso, tenho lido trabalhos e exames.

Isto é o que ando a ler. Agora o que gostaria de andar a ler. Coisas que já existem e que até já li, mas não posso por falta de tempo: ficção da primeira era neoliberal, Thatcherismo e Reaganismo, contra a cultura do dinheiro e da ganância Yuppie. Banda desenhada inglesa da época: os primeiros números de Hellblazer, o Swamp Thing de Allan Moore. A ficção científica urbana e politizada de China Mièville. J.G. Ballard.

Embora a aprecie, a ficção portuguesa é demasiado genérica, alegórica e alusiva para ser completamente eficaz em tempos de crise (Gonçalo M. Tavares é talvez o melhor exemplo). Por aqui tendo a preferir o ensaio, o humor ou até o twitter.

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Filed under: Crítica

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