The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Crivelli 2

Da resposta de Raquel Henriques da Silva a João Miguel Tavares na secção de cartas do Público de hoje:

“Como é possível amesquinhar com tanta leviandade a energia do capital simbólico perante a efemeridade ferida de morte do dinheiro? As famílias italianas que permitiram a Crivelli criar são sombras, e se delas guardamos memória é por terem sido mecenas dele. Só por isso um papa como Júlio II me interessa. Não foi ele que criou Miguel Ângelo, antes este que lhe garantiu a glória da encomenda. E Calouste Gulbenkian, pouco mais de meio século após a sua morte, é definitivamente um museu. Leia o resto deste artigo »

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Filed under: Crítica

O Crivelli

Há uns dias, a arte chegou às primeiras páginas do caderno principal do Público, ocupando umas seis ou sete logo de uma vez. Seria bom, se não fosse mais um daqueles casos que dá a volta ao estomâgo: uma pintura renascentista única, um Crivelli, saiu do país. Não vai voltar. Foi embora. Pais do Amaral, o proprietário, quer vendê-la porque não se encaixa na sua colecção. O então Secretário de Estado Viegas autorizou-o, apesar do parecer dos peritos, que propuseram elevar a pintura a “Tesouro Nacional”. Calculo que o Estado nem vai cobrar IVA pela venda – é mais fácil taxar uma bica ou um croissant. Leia o resto deste artigo »

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Livros na Culturgest do Porto

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Para quem se interessa por edição, na área da arte e design, a livraria da Culturgest tem sido um espaço incontornável, onde se podem encontrar publicações novas e clássicas a preços muito bons. Tem funcionado em Lisboa, mas no fim de 2012, funcionou no Porto, no belíssimo espaço de exposição dos Aliados. Agora, desde 4 de Maio, vai esta no Porto a título permanente. Vale a pena a visita.

Para abrir o apetite fica uma imagem do último livro que lá comprei, da editora Occasional Papers, sobre a poesia concreta de Dom Sylvester Houédard: Notes From A Cosmic Typewriter.

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Fundo de Greve

Outro dia, um amigo meu, professor do secundário, contava-me as dificuldades de fazer greve e as maneiras como se iam resolvendo. Fazer greve um dia implica perder esse dia de salário. Alguns colegas não podiam abdicar desse dinheiro, e assim fez-se uma vaquinha para que não o perdessem.

Sem o saberem, redescobriram um mecanismo antigo, o fundo de greve – os trabalhadores de um sindicato vão descontando um ou dois por cento do seu salário para que possam receber a totalidade ou parte do seu salário durante uma greve. Leia o resto deste artigo »

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Barbárie

Sobre a Turquia, o mesmo medo pasmado que sinto quando a polícia bate em alguém por aqui. A violência e a censura são mais muito mais extremas, um massacre e um bloqueio, muito mais à frente do que nós na mesma escala por onde se mede este género de coisa.

Mas, claramente, é uma versão da mesma violência daqui. Até os lugares comuns são os mesmos: raparigas em vestidos a oferecerem flores, abraços e indiferença a polícias, torrentes de água e sopros de gás lacrimogéneo. Até as causas são semelhantes: algo público que se privatiza. E privatizar é limitar a vida cívica ao ponto da sua proibição. De impedir formas de comunidade que não sejam mediadas por transacções económicas. É um objectivo violento e extremo , obtido por meios violentos e extremos. E tem razão o Daniel Oliveira, a nós fazem-nos bastante pior todos os dias. E se aguentamos é porque somos um povo mais inocente, mas também mais cívico e civilizado do que nos fazem crer que somos, bem mais do que quem nos governa, certamente.

 

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Ser Nihilista é ter na alma… nananana

Desde que venho mais a Lisboa que já me habituei ao ritual antes dos jogos: “Eu sou do Benfica”, “Sou lagarto. E o Mário?”, “Ele não é de nada.” Pois. É triste. Porque não se trata exactamente de não gostar de futebol ou sequer de lhe ser indiferente. Quando estou com gente vejo os jogos mas não “vibro”.

Prefiro outros desportos ao futebol, a corrida ou a natação, mas percebo que não produzem o espectáculo mediático dos desportos de “equipa e bola”, onde a competição é menos linear e depende de um panteão de personalidades. Leia o resto deste artigo »

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A Minha Especialidade é Outra Coisa Qualquer

No documentário Blank City sobre a cena No Wave do começo dos anos 80 em Nova Iorque, John Lurie dizia que embora na altura soubesse tocar o saxofone, escondia isso dos amigos: “No one was doing what they knew how to do. Technique was hated. Musicians were painting, painters were making music and films…” Leia o resto deste artigo »

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Tacticismo

Já o disse em outras ocasiões, mas vale a pena dizê-lo sempre: os problemas que se vêem com mais clareza na política e na economia são os mesmos nas artes ou na cultura. Em relação aos partidos, fala-se de tacticismo. Há uma ilusão equivalente por parte dos agentes culturais que, de algum modo, apesar de tudo, conseguem pairar longe da confusão política ou que, não fazendo grande coisa por isso, se lhe opõem. Leia o resto deste artigo »

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Crise de Identidade

Numa sociedade como a portuguesa, tende-se a pensar na identidade como algo estável, um dado adquirido. Tal pessoa é um designer, tal um arquitecto. Define-se alguém pelo seu curso, como se a sua identidade fosse isso, mas uma crise como esta abala todas as certezas. No editorial do último Jornal dos Arquitectos, percebe-se que está a desmantelar a identidade da própria Arquitectura. Com a falta de encomendas, os arquitectos mudam de profissão ou de país. O editorial defende que esta é uma lógica “equívoca: a arquitectura não é apenas um saber instrumental à mercê das flutuações do mercado; a arquitectura é uma forma de conhecimento útil nas mais variadas circunstâncias.”

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A Ironia/Treta na Obra de Joana Vasconcelos

Quando o Governo fala de “poupanças” já toda gente sabe que se trata de cortes, despedimentos, etc. Quando fala de “requalificação” é evidente que se está a falar de despedimentos. A “consolidação orçamental” é a nova designação para a “austeridade” – que antes de ter caído em desgraça servia para dar um toque de moralidade a despedimentos em massa, baixa de salários, destruição da função pública e por aí adiante.

A propósito disto, há quem se lembre da novilíngua ou os slogans de Orwell – “War is Peace”, “Freedom is Slavery” – mas parece-me bastante mais eficaz qualificar isto tudo como “treta”. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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