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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Designers, não sejam jonets

Ainda é comum ouvir designers a dizerem casualmente que um estágio é importante. E que não envolve vantagens para o atelier que o promove. Lucro? O estagiário chega com tão pouca preparação que só tê-lo ali, a empatar, até é um favor que se lhe está a fazer. Aliás, nem é um favor: é um privilégio. É melhor que andar por aí sem nada para fazer. É uma oportunidade para fazer currículo, etc. E às vezes nem é o atelier que quer estagiários mas os próprios designers que se oferecem para trabalhar lá, que insistem, insistem.

E tudo isto é, como deveria ser evidente, uma treta.

Para ver um caso extremo, basta olhar para a Menina Design Group, uma empresa onde dezenas de estagiários competem (produzindo trabalho) pela possibilidade de um estágio profissional subsidiado pelo Estado. Às vezes, até se contrata alguém.

Para além dos casos mais extremos são comuns os ateliers de design com um ou dois estagiários. Às vezes curriculares, às vezes não remunerados, às vezes subsidiados pelo IEFP. Tudo isto nos conformes, como manda a lei, etc. Se esses estagiários estão a fazer trabalho que dá mais dinheiro à firma do que ela gasta com eles, eles estão a contribuir para o lucro da empresa, e portanto ela não lhes está a fazer um favor.

Aliás, também não está a fazer um favor a si mesma: se uma empresa de design não está disposta a pagar a um designer porque haveria outra pessoa qualquer de o fazer? Se o salário inicial de um designer é zero ou até negativo durante os primeiros anos que trabalha para uma firma, se é ele que assegura o seu próprio equipamento, transporte, etc. o que o impede de trabalhar a baixíssimo custo directamente para um cliente?

Assim, muitas firmas que se queixam de baixos orçamentos e de concursos onde têm de produzir trabalho de graça, não percebem a ligação entre o trabalho gratuito que empregam e o trabalho gratuito que são cada vez mais obrigadas a fazer.

Mas, voltando ao começo do texto, mesmo que não concordem com nada do que escrevi e achem que o estágio é importante, um favor que se faz ao jovem designer, etc. Por favor, não sejam Jonets: leiam os jornais,experimentem ir a manifestações, tentem perceber que falar de estágios entrou naquele território onde dizer coisas em voz alta, em público, pode ser muito ofensivo. Antes de falar: parem, escutem, olhem.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. Não entendo bem onde é que as palavras de algum “semi-acéfalo-recém-licenciado-em-design” se tornou a voz activa de todos os designers… retirando o direccionamento generalista, concordo em pleno com o artigo.

  2. Alexandra diz:

    Não sei é porque se fala só dos designers… sou arquitecta e estou na mesma situação, não que queira trabalhar de graça mas sou obrigada a fazê-lo para poder entrar na ordem e trabalhar de facto na área… o futuro? Desemprego off course… que nem com estágio profissional lá vai!

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