The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

E assim se vai…

Ontem, enquanto corria no ginásio liguei os fones para ouvir um dos telejornais que estavam a passar nas televisões. Não encontrei o audio de nenhum mas apanhei o som de um documentário estrangeiro sobre a crise. Não havia vídeo em nenhum dos monitores mas resolvi ouvir o que pudesse. A maioria era em inglês com algumas frases em (presumo eu) islandês.

Falou-se da dívida (o que não é novidade) mas também se falou dos problemas da economia real estar cada vez mais sujeita a um sector financeiro hipertrofiado. Já no Austerity: The History of a Dangerous Idea, de Mark Blyth, se encerrava com a ideia que o sector financeiro acabaria por ter que ser drasticamente cortado por ser insustentável, sacrificando o resto da sociedade em nome dos seus interesses.

De todo o livro, pareceu-me a ideia mais utópica. Mas entretanto comecei a prestar mais atenção e percebi (como muita gente já tinha percebido) que a crise não se resolve para a maioria de nós precisamente para salvar esse sector financeiro (bancos e especulação).

Num Prós e Contras sobre sair ou não do Euro, muitos dos argumentos usados para continuar na moeda única tinham a ver com a possibilidade do sector financeiro não ter controles de capitais, por exemplo. Na crise política do último mês, o mercado é usado abertamente para condicionar decisões políticas, adiando ou eliminando eleições em nome de uma estabilidade que não é nitidamente da sociedade mas do mercado.

Enquanto em outros países se vai legislando com o fim de limitar o poder do sector financeiro aqui perde-se tempo com casos particulares, “maus exemplos”, como o BPN, sem extrapolar a lição para o resto dos casos, dando a entender que a hipertrofia e o poder do sector financeiro são normais e até desejáveis.

Fala-se muito de recuperar a produtividade, regressar aos valores do trabalho, à terra, sair da zona de conforto, tudo dito por gente que ganha a vida com transacções onde se alcançam lucros gigantes comprando e vendendo bens no espaço de minutos, sem que nada lhes tenha sido acrescentado em termos reais, sem que se tenha produzido o que quer que seja, sem que a sociedade melhore ou se crie qualquer emprego (em geral é o oposto).

E também já não me interessa muito ouvir os detalhes do caso seguinte de corrupção quando o sector mais poderoso da nossa sociedade se dedica a desviar legalmente bens públicos para o seu próprio ganho. Privatizar não  passa de corrupção em larga escala.

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Filed under: Crítica

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