The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Alheira Recontextualizada

Hoje a comer à pressa numa “Hamburgueria Gurmê” no Chiado, confirmei que um dos chavões mais óbvios do “fast food gurmê” é aquilo que vou designar por alheira recontextualizada. Neste caso, uns croquetezinhos de alheira. Também já apanhei, no Centro Comercial do Campo Pequeno, onde quase todas as lojas da praça da alimentação têm o adjectivo “gurmê”, uma empada de alheira. O primeiro augúrio da praga, visto há muitos muitos anos no Porto, foi a Lasanha da Alheira. Tudo isto sabe bem, é claro, como sabe uma boa alheira. Tirando isso, é pretencioso por definição, agarrando na modesta alheira e promovendo-a a merdice gurmê.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. João Costa diz:

    Já fizeram isso com o chouriço, que viria a conformar essa praga enorme que dá pelo nome de “pão de chouriço”. Uma merdice que, ainda assim, nunca chegou a ser gurmê. A rúcula, todavia, sempre foi gurmê. Sempre.

  2. O Mário não percebe nada disto. A palavra “Gurmê” acrescenta valor, assim como a palavra “design,” é claro, mas não de forma tão decisiva. E os empregos todos que se perderiam se não existissem tascas gurmê? Trágico, absolutamente trágico.

    Os enchidos gurmê são a versão pós-moderna (ou pós-colonialista) dos enchidos (como os poderemos
    designar talvez “não gurmê”? Certo, pode ser) não-gurmê.

    Estava eu a jantar na minha tasca (definitivamente não-gurmê) Lisboeta preferida (a adega do carmo,) a comer umas febras (grelhadas, com batata frita, uma refeição insuportavelmente não gurmê) e a beber uma mini (com sabor a cerveja) quando de umas das mesas, um cliente (claramente numa primeira visita ao tasco) faz a seguinte pergunta:

    “Qual é a diferença entre o bife à casa e o bitoque?”

    O proprietário/empregado de mesa responde (de uma forma que Oscar Wilde certamente classificaria de “witty”)

    “Cinquenta cêntimos.”

    Seguem-se momentos de profunda hilaridade e bonomia.

    Pior do que as tascas gurmê só mesmo a asquerosa rede de espeluncas que responde pelo repugnante nome de “Padaria Portuguesa”.

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