The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Passos, o Designer

Se há pelo menos um compromisso que o nosso Primeiro Ministro nunca deixou de cumprir é o de que tem uma missão e que não se vai demitir até estar concluída. Não interessa que tenha sido eleito com outro programa. Isso foi só uma maneira  de meter o pé a travar a porta. Ele e quem o apoia nem sequer escondem que se tivesse anunciado ao que vinha, ninguém o deixava entrar. Mas mesmo que os primeiros dias meses anos sejam duros e que a sua popularidade desça e até venha a ser penalizado em eleições menos importantes, ele tem uma missão. Ele está a dar aos portugueses aquilo que eles não têm inteligência suficiente para quererem. Mas quando virem os resultados…

Por tudo isto, Passos lembra-me aqueles designers que acham que devem resolver os problemas que o cliente nem sabe que tem. E espero que o exemplo do nosso Primeiro Ministro sirva (pelo menos) para mostrar como também é um discurso condescendente, arrogante e mal educado.

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Derrotas

Lembro-me de uma vez, perante uma derrota eleitoral grandalhona, Paulo Portas ter dito qualquer coisa como: “Nós não ganhamos mas eles não venceram.” Nestas eleições tive a sensação oposta: que nós (a esquerda) vencemos mas eles não perderam. Leia o resto deste artigo »

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“Que Se Lixem as Eleições” (versão Europa)

Hoje li isto no Público, e é do mais grave que tem vindo a lume nos últimos anos:

“Ao PÚBLICO, várias fontes europeias envolvidas no actual programa de ajuda falam da elevada probabilidade de um novo programa e sublinham que um eventual segundo resgate a Portugal será ainda mais duro do que o actual em termos de exigência de redução das despesas públicas e reformas económicas. Leia o resto deste artigo »

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Porto

Daqui a nada, vou sair para votar. É a primeira vez que o faço no Porto. Embora viva aqui há mais de vinte anos, ainda votava em Vila Real, onde me recenseei, por comodismo mas também nostalgia.

Nos últimos anos tenho vivido entre o Porto e Lisboa. Comparando as duas cidades, dá para perceber bem o resultado de aplicar políticas de austeridade cegas (“consolidação orçamental”) ao nível local. Também houve “consolidação” na capital, e o Porto é uma cidade com movida, mas culturalmente é mais provinciana que há uma década atrás. Há bares, restaurantes e mini-eventos e espaços, e depois há três ou quatro grandes estruturas e nada pelo meio. Em Lisboa, há um sem número de coisas pelo meio.

Quem tinha projectos com algum interesse, acaba por sair do Porto para os fazer.  Quem fica começa a cultivar a obscuridade como se isso fosse uma coisa boa, como se chegasse.

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Anedota

Pouca gente sabe mas havia aqui um Portugal, no começo do século XX, um escritor que conseguia representar muito melhor do que o Franz Kafka o absurdo institucional e existencial das sociedades modernas. Infelizmente, quando chegou a altura de meter os papéis para reclamar o estatuto, demorou tanto tempo e foi tão complicado e humilhante que se chamam agora a essas coisas “Kafkianas”.

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Uma coisa de cada vez

Ontem lanchei com um amigo que resumiu assim as suas necessidades materiais, aquilo que ele, para além dos afectos, não podia passar sem fazer: ler e correr.

As minhas são menos concisas: escrever e nadar.

Escrever é a minha maneira de pensar as coisas (o que leio, o que ouço, o que vejo) em público – não há nada que escreva “para a gaveta”; é tudo para sair cá para fora.

Nadar é a minha hora diária, três a cinco vezes por semana, onde só faço uma coisa de cada vez: chegar ao fim da piscina e regressar; pensar no ângulo do braço quando apanha a água no começo da braçada; ter um dos óculos abaixo da superfície quando se respira no crawl; ver a risca preta no fundo a deslizar até chegar ao T; respirar.

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Cheia, Incêndio, Mofo ou Saldos

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Sou designer por formação e gosto de livros impressos, embora os leia cada vez menos. Prefiro, sempre que possível, uma versão digital que possa levar comigo para todo o lado. Não me chateia ler no smartphone que já vejo como uma biblioteca portátil que já me safou em várias secas inesperadas. Também gosto de comprar livros antigos, bonitos ou raros – só porque é difícil, neste último caso; caçar livros é um dos meus desportos favoritos.

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O Arquitecto-Estrela

A propósito da Trienal de Arquitectura, já ouvi mais que uma pessoa a perguntar: Mas onde estão os alunos e os professores? Não se interessam? Não se está a discutir o futuro deles?

Não que a Trienal esteja às moscas: as inaugurações estão de tal modo cheias que os seguranças são obrigados a dosear as entradas e as saídas. Os eventos mais pequenos, visitas guiadas e discussões, também não estão sequer perto de estarem vazios mas não há tantos alunos e professores como se gostaria. E lá se diz que as novas gerações não se interessam, etc. E é injusto.

Há uns dias atrás, comecei um texto com estes mesmos dois parágrafos e em seguida dei uma possível resposta, que os alunos e professores estariam demasiado ocupados com os seus próprios eventos para terem tempo para outros. É uma resposta parcial, que merece ser um pouco mais desenvolvida. Leia o resto deste artigo »

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Estratégias Portáteis

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Alguns leitores contactaram-me a propósito de alguns pontos em relação ao texto de ontem sobre a imagem gráfica da Trienal.

O primeiro ponto tem a ver com a natureza do texto. Não é exactamente uma crítica de design nem de comissariado mas de um exemplo de como os dois interagem. Escrevi-o como uma espécie de transcrição da minha reacção à apresentação da Raquel Pinto – que apreciei bastante; foi fluente e informativa.

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Turismo de Crise

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Cartaz de uma agência de viagens em Karlsruhe anunciando viagens a Portugal, Grécia, Espanha, Itália e Irlanda. A tradução é “Vá visitar os seus impostos!”

Já agora, podem visitar os meus e ir para o caralho mais velho.

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Diálogos ou coisa do género

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São mupis e capas de brochuras sem qualquer imagem, puramente tipográficos. Apresentam aforismos curtos em inglês e em português: “A Cidade é tua”, “Less No!”, “Tactics not Systems”, etc. Em baixo, o slogan do evento “Close, Closer.”

Não se anunciam eventos, datas ou sítios. Não há nada que nos esclareça. Não se divulga ou anuncia o conteúdo do evento, apenas o seu teor, a sua identidade. Quase só se marca um território (neste caso Lisboa) e uma duração. Habitualmente, não seria preciso muito mais – uma trienal não é propriamente o tipo de evento que apanha o seu público pela calada.

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O Neoliberalismo explicado às criancinhas

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Ando sempre atrás de introduções à economia, e um dia nos saldos da Fnac dei com esta. Tentando perceber a orientação ideológica da coisa, folheei à pressa a secção dedicada ao Estado, a última do livro. Pousei-o porque dizia que os impostos pagavam serviços necessários, mas logo a seguir comparava-os a um roubo. Leia o resto deste artigo »

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O Fim da Paciência

Depois de uns anos de crise, vê-se que muito boa gente, que defendia a austeridade e o resto, já toma posições que, quando a crise começou, só se ouviam da boca da esquerda mais esquerda ou do Pacheco Pereira. Neste momento, a linha de separação mais extrema é capaz de ser a que separa quem defende a saída do Euro de quem acredita que ainda vale a pena. Daqui a uns meses, calculo que os comentadores mais moderados também chegarão aí e passarão para o lado de cá (também já não acredito no Euro). Sobrará o irrevogável governo, o José Manuel Fernandes e outros do género. Embora a política de estado seja neoliberal, a opinião pública, mesmo a especializada converge à esquerda. Quanto à esquerda-esquerda começa a perder a paciência: Daniel Oliveira fala do fim da social-democracia, que Pacheco, cada vez mais duro, já tinha avistado; no Ladrões de Bicicletas, o tom é cada vez mais seco.

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A gozar, a gozar, já acertei em mais previsões do que o Gaspar (não é difícil, eu sei)

Há quase dois anos, quando a barragem do Tua pôs em risco o estatuto patrimonial daquela região, o então Secretário de Estado Francisco José Viegas teve a ideia – vamos chamar-lhe isso – de convidar o arquitecto Souto Moura para projectar a barragem, acrescentando que se ia “pigmentá-la” para diminuir o seu impacto. Leia o resto deste artigo »

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Fadiga de Futuro

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A semana passada trouxe de um alfarrabista duas caixas de folhas de decalque Mecanorma. Não me servem para muito. Não faço design fora do computador. O impulso que me levou a pagar quinze euros foi uma espécie de dor fantasma, daquelas que se tem num membro amputado. Se tivesse encontrado tudo aquilo enquanto estudava nos anos 90 teria sido um tesouro. Agora, é apenas nostalgia.

Imagino que alguém tenha vendido aquilo por necessidade: um pouco mais de espaço e uns trocos. Ou então um designer reformou-se. Faliu, talvez. Ou morreu. Leia o resto deste artigo »

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Procura-se Procura

Ontem queixava-me eu do excesso de eventos, e propunha que a solução seria não incentivar a oferta de eventos culturais mas a sua procura – se um estudante ou professor não passar o tempo todo a trabalhar na produção de eventos, terá tempo para os frequentar. Leia o resto deste artigo »

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A Oferta e a Procura do Tempo Perdido

A propósito da Trienal de Arquitectura, já ouvi mais que uma pessoa a perguntar: Mas onde estão os alunos e os professores? Não se interessam? Não se está a discutir o futuro deles?

Não que a Trienal esteja às moscas: as inaugurações estão de tal modo cheias que os seguranças são obrigados a dosear as entradas e as saídas. Os eventos mais pequenos, visitas guiadas e discussões, também não estão sequer perto de estarem vazios mas não há tantos alunos e professores como se gostaria. E lá se diz que as novas gerações não se interessam, etc. E é injusto. Leia o resto deste artigo »

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Desgaste

Não sei se é impressão minha, mas parece-me que anda tudo bastante mais impaciente, do lado dos comentadores que mais aprecio: Pedro Lains faz uma lista certeira e alargada dos responsáveis por esta confusão (vejam se descobrem lá no meio o José Manuel Fernandes);  Pacheco Pereira sugere a Poiares Maduro que, se quer realmente melhorar a democracia, demita-se; até lá para as Américas, Paul Krugman lamenta que embora as políticas de austeridade tenham falhado em toda a linha, isso acaba por não fazer diferença nenhuma em termos de política concreta, onde continuam a ser levadas a sério, sobretudo se falham;   António Pinho Vargas dizia hoje no facebook que tinha voltado a ter vergonha de Portugal, uma vergonha semelhante à que tinha sentido durante a ditadura. Diz, e bem, que não basta ter razão.

É evidente: o debate político desgastou-se porque já só se parece com um debate político.

Se as ideias do governo não funcionam, simplesmente falham, continuam a ser postas em prática como se nada fosse. Não adianta apontar as falhas, as desgraças. Já sabemos que continuarão a fazê-las. Passos até já diz que se for derrotado nas autárquicas isso não é razão para se demitir. Nada já é razão para se demitir.

Portanto fica-se impaciente. Já não se tem muita pachorra para nada que não vá direito ao assunto. Até para o dia-a-dia, para o expediente, já não há paciência nenhuma.

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Gradações

Hoje vou andar a escrever outras coisas, portanto se quiserem ler alguma coisa substantiva, experimentem ler o texto que postei ontem até ao fim. É uma espécie de teoria crítica sobre o que pode ser (e tem sido) uma arte política (incluindo design). Foi um dos textos que mais gostei de escrever no ano passado, juntamente com o Bicho do Buraco. Leia o resto deste artigo »

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Onde se argumenta que, na situação actual, não é exactamente o humor que nos vai salvar mas uma indiferença àquilo que o separa da seriedade.

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É possível uma arte que seja política? Não apenas de um modo temático, no sentido de uma arte neutra que pode ser aplicada a assuntos políticos ou apolíticos de igual modo, mas uma arte que seja ela mesma política, capaz de politizar qualquer tema, simplesmente porque o trata? Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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