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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Cultura de Qualidade

De vez em quanto acontece. Dou uma olhadela às estatísticas do blogue e o meu velho texto sobre a Joana Vasconcelos volta a aquecer. As visitas disparam e surgem mais comentários.

Desde que o escrevi, percebi que muita gente aprecia a obra de Vasconcelos porque é uma lição aos intelectuais, aos artistas elitistas. Amiguitos: só é uma lição de como a cultura portuguesa seria se lhe despejassem em cima a quantidade de meios e de publicidade que foi despejada nestas exposições.

Tal como já argumentei no texto anterior, esta obra representa perfeitamente este governo. É uma perfeita e acabada obra de regime.

Não é a única. Boa parte da arte, do design, da cultura em geral, monumentaliza na perfeição as políticas que estão por detrás deste e de outros governos. Quando se centra a totalidade dos apoios num só artista, num pequeno grupo de instituições ou de eventos, deixando secar tudo o resto, está-se a reencenar o mesmo género de desigualdade que se tenta impor à sociedade em geral. E o mesmo se pode dizer da maneira como se distribuem os rendimentos dentro da cultura, se, num museu ou bienal, os salários de topo são imensos e a base da pirâmide é miserável.

Vivemos numa sociedade onde já não é possível ser-se tão abertamente racista, homofóbico ou sexista como se era há umas décadas. Se uma galeria não expõe mulheres, por exemplo, isso é comentado. Se um sindicalista larga uma boca racista, é chamado à pedra. A estas formas de discriminação junta-se agora uma outra, a desigualdade social, baseada nos rendimentos.

Se um comissário, por exemplo, ganha balúrdios, enquanto dirige rebanhos de estagiários a trabalharem de graça, isso deve ser denunciado e criticado. Dir-se-á que se não fosse por isso não haveria cultura de qualidade em Portugal, que não há dinheiro para pagar com justiça a toda a gente. Peço desculpa, mas se essa é a condição para termos cultura de qualidade, andamos todos muito enganados quanto ao significado da palavra “qualidade”.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. Paulo Nunes* diz:

    Para mim foi uma estreia, nem conhecia a casa, mas lembro-me da polémica à volta do critério da escolha (no caso, a falta dele, pelo menos que fosse do conhecimento público). O teu blogue é “arranjadinho” e pelos vistos alimentado com frequência. Marcado para cá vir mais tarde.

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