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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

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Se eu fosse um economista, eu punha-me a pau. Tornou-se habitual ouvir amigos meus a queixarem-se da economia. Não do estado da economia, mas da própria Economia enquanto disciplina. Se somos governados por economistas, usando doutrinas económicas, e se estas insistem em falhar, não admira que se as pessoas comecem a desconfiar.

Já nem adianta muito dizer que há mais do que uma doutrina económica possível, porque durante anos, a doutrina económica dominante foi o neoliberalismo em versões mais ou menos diluídas.

E isso não acontece só em Portugal: no New York Times debateu-se há pouco tempo se a Economia era realmente uma ciência, tendo em conta todos os seus falhanços, as suas falhas, e as tragédias humanas que provocam.

Penso que a resposta de Paul Krugman toca no verdadeiro problema, não se trata de um equívoco na economia enquanto ciência mas no que ele chama a “sociologia da profissão da economia”:

“So, let’s grant that economics as practiced doesn’t look like a science. But that’s not because the subject is inherently unsuited to the scientific method. Sure, it’s highly imperfect — it’s a complex area, and our understanding is in its early stages. And sure, the economy itself changes over time, so that what was true 75 years ago may not be true today — although what really impresses you if you study macro, in particular, is the continuity, so that Bagehot and Wicksell and Irving Fisher and, of course, Keynes remain quite relevant today.

No, the problem lies not in the inherent unsuitability of economics for scientific thinking as in the sociology of the economics profession — a profession that somehow, at least in macro, has ceased rewarding research that produces successful predictions and rewards research that fits preconceptions and uses hard math instead.”

Ou seja, há boas ideias dentro da economia mas só muito poucas chegam aos ouvidos do grande público, e isso é particularmente verdadeiro aqui em Portugal. Desde que a crise começou, dei-me ao trabalho de ler tudo o que pude sobre economia, desde manuais universitários até obras de divulgação e até papers. Isso permite-me perceber que boa parte do que é dito num telejornal é uma treta, mero preconceito sem fundamento dentro da própria ciência económica, mas a grande maioria das pessoas não tem a mesma disponibilidade que eu tive.

E assim será cada vez mais provável que boas iniciativas sejam ignoradas, como o blogue Ladrões de Bicicletas ou (como tudo indica; ainda não o li) o livro A Crise, A Troika e as Alternativas Urgentes. Ficamos todos a perder.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. seguindo a lógica do Medina Carreira, será que a economia de um país difere da economia de uma casa/família?

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