The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Não se pode ter tudo

Neste assunto, estou com o Alexandre Pomar: há festivais a mais em Lisboa. Não o digo porque acredite que não têm público. Em geral, as salas estão cheias. Ou porque um filme num festival de cinema me impeça de assistir, ao mesmo tempo, a filmes nos outros dois ou três festivais que acontecem ao mesmo tempo, para não falar das exposições, conferências, lançamentos, etc. Escolher é isso mesmo, preferir uma opção e esquecer as outras. Não se pode ter tudo. Leia o resto deste artigo »

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Competências

Há cerca de uma semana terminei um artigo para uma revista estrangeira sobre o design português contemporâneo. Tentei descrever a maneira como a crise veio obrigar designers novos e velhos a reinventarem-se, mudando a propria identidade do design português no processo. Depois de acabar, perguntei-me quais seriam as competências necessárias para lidar o melhor possível com esta crise, ou melhor o que, na minha opinião, se deveria ensinar a um aluno de design gráfico. Leia o resto deste artigo »

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Apagam-se as luzes

Antes de começar digo já: assinei a petição para salvar a cinemateca. E, como já tinha dito em outras ocasiões, fi-lo apesar de não concordar com quase metade dos argumentos usados. A saber, o que concordo: acho que é essencial haver um repositório que conserve películas e também acho essencial que essas películas sejam conservadas e exibidas ao público em condições ideais. O que discordo: fazer-se um cavalo de batalha das cinco sessões diárias a preços reduzidos na Rua Barata Salgueiro. Que seria uma tragédia acabarem, etc. Leia o resto deste artigo »

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Liberdade

Esta semana dei com o filme acima através do facebook. É um anúncio chileno de aparelhos de televisão onde é pregada uma terrível partida a gente que se candidata a um emprego. Atrás do entrevistador está um ecrã de alta definição simulando uma janela, com uma vista para a cidade. De repente, sem aviso, cai um meteorito, a cidade é destruída, uma nuvem de poeira avança para a “janela” e as luzes da sala apagam-se. O candidato é filmado com uma câmara de infravermelhos, de gatas, a tactear às cegas. No fim salta a equipa sorridente a apertar-lhe a mão. Espero que sejam todos actores. Só imaginar que se faz isto a sério dá-me vontade de vomitar. Leia o resto deste artigo »

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O Bicho do Buraco

Não consigo, como alguns amigos meus, ver uma manifestação como uma festa. Intelectualmente percebo a ideia e até gosto. Mas o meu próprio corpo não me deixa pô-la em prática. Nessas ocasiões, saio tenso para a rua, e só acalmo quando volto para casa. Numa das últimas manifestações pedi a uma amiga para me acompanhar, para não nos encontrarmos lá, onde nos poderíamos desencontrar, mas antes, em casa dela. Pedi-lhe isso porque tinha medo. Irracional, é certo, mas ainda assim medo.

Nem sempre tive este medo. No meu caso, a charneira foi ter sido agredido em público, no meu local de trabalho, perante a passividade de quem assistia e sem qualquer consequência para o agressor. Tive assistência psicológica mas desde então prefiro ficar em casa, escrever, publicar, debater as coisas com a distância intelectual que a escrita e a internet permitem. Tornei-me ágorafóbico, não no sentido de alguém que tem medo de espaços abertos mas no sentido mais literal de ter medo dos espaços públicos concretos, activos, em que a política se faz através dos corpos e às vezes – demasiadas – da violência.

Tornei-me, em suma, um bicho do buraco. Leia o resto deste artigo »

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Há satélites que conseguem ver fantasmas

Descobri que na aplicação Mapas do iPad, fazendo zoom out, é possível “secar” a albufeira do Alqueva e ver o rio antigo e a velha aldeia. É provável que as fotografias com menos definição (mais distantes) sejam actualizadas menos vezes e isso permita estes fantasmas. Perto da minha casa no Porto há uma fabriqueta em ruínas desde a crise que o Google Earth ainda mostra a funcionar a todo o vapor.

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Atrofio

Começou o novo ano lectivo como de costume, tal como tinham começado e terminado os anteriores, com burocracia. Meter os programas de cada cadeira no sistema informático, que muda de ano para ano tornando obsoleto quase todo o trabalho anterior. Agora até é preciso preencher em (quase) duplicado porque há avaliações externas. E o sistema tem sempre e tradicionalmente erros que é preciso resolver por mail. Ou por telefone. Tudo isto trabalho roubado às aulas, à investigação ou ao emprego de outra pessoa – porque ao fazer isto estou a colaborar na automatização do trabalho de secretaria, contribuindo para a eliminação de alguns postos de trabalho. Leia o resto deste artigo »

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Ideias

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Antes de ir para a residência na Aldeia da Luz tinha algumas ideias, abstractas, sobre o que pensar e fazer. Uma delas era comparar os diques holandeses com as barragens portuguesas como símbolos de progresso. Enquanto na Holanda se rouba terra à água, aqui rouba-se água à terra. Às vezes aqui mantém-se uma nesguinha da terra alagada como se fosse um museu ou reserva. Calculo que a Nova Aldeia da Luz na Holanda seria um Oceanário. Leia o resto deste artigo »

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Cultura de Qualidade

De vez em quanto acontece. Dou uma olhadela às estatísticas do blogue e o meu velho texto sobre a Joana Vasconcelos volta a aquecer. As visitas disparam e surgem mais comentários.

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António Borges, figura pública.

Segui a polémica em torno da morte de António Borges muito ao longe. Não é segredo que discordo das suas ideias e do modo como as exprimia em público. Não festejo a sua morte. O último cargo que exerceu, uma espécie de ministério privado das privatizações, não só se situava do lado de fora das responsabilidades públicas como consistia em reduzir explicitamente essas responsabilidades, os serviços públicos, limitando assim a própria esfera pública. Acredito (sem ironia) que ele merece toda a homenagem pública, todas as honras de Estado, que teve, porque demonstram que,  mesmo para os heróis da privatização e para quem  os admira, uma homenagem pública e de Estado ainda é essencial, inevitável. Aqui, felizmente, ainda não há ninguém a perguntar quanto dinheiro dos impostos se gastou quando Cavaco o homenageou publicamente. Nem se escrevem ainda colunas a perguntar (sem ironia) se os organismos encarregues da administração protocolar da honras póstumas de Estado são sustentáveis, se conseguem arrecadar receitas próprias, ou quanto se gasta a manter  (já agora, não é o caso, mas importa saber) o Panteão Nacional.

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De volta ao serviço

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Voltei ontem para Lisboa e já sinto as férias a escorrerem-me entre os dedos. Reuniões. Textos. Burocracias. E é claro que as férias foram “férias”. Ou seja, escolher fazer um e apenas um trabalho entre todos os outros. Neste caso uma residência na Aldeia da Luz. E foi a melhor escolha possível. Aproveito para agradecer à Maria do Mar Fazenda pelo convite, e aos outros residentes pelas conversas, pelas viagens, pelas refeições, por quinze dias incríveis. Susana Gaudêncio, Ramiro Guerreiro, Gustavo Sumpta, Inês Botelho, Mattia Denisse, aos vários acompanhantes Lígia, Sara, Pedro e Gonçalo (espero não me ter esquecido de ninguém; quem me conhece sabe que quando vou ao supermercado me esqueço sempre da compra mais importante, sobretudo se levar uma lista). À D. Ermelinda e ao Sr. Horácio. A toda a gente do Museu da Luz. Ao Pedro Bandeira, por duas conversas sobre a Aldeia da Luz enquanto boiávamos os dois – apropriadamente – numa piscina do Porto. Lá para Novembro, haverá uma exposição e mais notícias. Entretanto, conto ainda escrever mais alguns textos sobre a experiência aqui no blogue. E agora de volta ao serviço.

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A doença das maquetes

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A Nova Aldeia da luz tem os passeios largos e as paredes muito rectas. Os frisos coloridos das casas parecem ter sido desenhados com uma régua. Disseram-nos que as lages de xisto do chão do museu foram cortadas a laser. Os números das portas são todos iguais, algarismos brancos sobre um fundo azul escuro, recurvo, que dificulta um pouco a leitura, sobretudo de um carro em movimento. Por toda a parte, há plantas da nova aldeia. Há uma à entrada. Não tem legenda. Não serve de mapa. Não indica nada, a não ser que o maior monumento desta nova aldeia é o seu projecto, a sua planta. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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