The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Turismo

Desde que vim morar para Lisboa que a minha paciência para o turismo acabou. Não diminuiu. Não se esvaiu. Acabou. Viver na Sé, desde o primeiro dia, significa sair pelas traseiras para evitar as hordas de turistas que entopem o largo em frente á igreja e que não se desviam do caminho mesmo que isso seja fácil. Ou então desviam-se em direcções absurdas para tirarem uma foto no meio do trânsito. A meio da noite o largo dá-lhes vontade de cantar, às vezes acompanhados à guitarra ou mesmo tambor, e finalmente de polícia. À semana ou ao fim de semana — é indiferente.

Pode-se argumentar que os movimentos do turista são vagarosos porque anda muito a pé e está cansado. As colinas de Lisboa não são pêra doce. E foi precisamente isso que deu origem a uma verdadeira indústria de veículos idiotas para turistas, que lhes permitem ir facilmente e a toda a velocidade a sítios fora do alcance do turista apeado. Já não se pode andar por uma ruela sem estar sempre à espera de aparecer um tuc tuc, um triciclo a motor amarelo, ou segways, a parecerem um enxame de Oscares de hollywood à procura dos seus galardoados.

Uma pessoa a viajar não é necessariamente um turista. O turismo é a viagem elevada a uma indústria de massas, uma sociedade fora da sociedade, com os seus hábitos, transportes e horários. E o seu civismo. Ou falta dele. Há cafés onde é impossível ser atendido decentemente porque já se habituaram a tratar toda a gente como se nunca lá fosse outra vez. E Lisboa está a ficar assim: um civismo descartável embalado em pacotes individuais. Sem direito a segunda dose.

Na baixa de Lisboa é cada vez mais difícil fazer algo que não tenha a ver com turismo. É literalmente uma invasão. E sinceramente já nem sei o que esta gente vem ver que não tenha sido criado de propósito para os receber: latas de sardinha, sistemas de transporte ridículos, gift shops, etc. É uma disneylândia sem outra vida que não esta.

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Filed under: Crítica

3 Responses

  1. Silvana diz:

    Aahhahahaahahhaaa a melhor descrição de sempre do desconcertante que é ver um segway! E já o Porto está tão perto de tudo isto.

  2. luix diz:

    eh pá…tás a ficar ressabiado… ; )

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