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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Autenticidade do Punk ou (literalmente) o Sexo dos Anjos

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Li nesta sexta-feira uma crítica no New York Times ao novo filme “CBGB” sobre o bar com o mesmo nome, berço lendário do Punk, etc. Inevitavelmente, gastam-se dois ou três parágrafos a discutir a autencidade da história. O autor do artigo diz que é natural, estando os punks originais nos seus 60, uma altura da vida onde pensar no que se deixa para trás é importante.

Porém, para quem conhece velhos punks e – sobretudo – velhos groupies, sabe que, para estes últimos, discutir interminavelmente a autenticidade é um dos aspectos recorrentes do punk.

Jon Savage resume: “The problem you are always going to come up against is authenticity. Not physical authenticity — that was wrong, that was right, a fantastically tedious debate to get into — but emotional authenticity.”

Essa procura por uma autenticidade emocional que se pode assumir como um abandono físico, uma franqueza ou um desprezo levados ao extremo é talvez a característica mais crucial do ethos punk. Os movimentos quebrados da dança punk já foram comparados a uma religião – no filme de Dan Graham, Rock My Religion. Mas, como em qualquer religião, o êxtase é apenas uma percentagem mínima, diluída; o moralismo ocupa tudo o resto, neste caso a discussão de quem atinge ou não atinge a autenticidade. No fundo, de quem a merece.

Entretanto, vi o filme e o seu único problema não tem nada a ver com a autenticidade, apenas com ser péssimo – actores a cantar em mau playback músicas de bandas conhecidas e uma história construída a partir daquelas piadolas idiotas que se usam na imprensa musical para começar um artigo preguiçoso sobre uma banda lendária qualquer.

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Filed under: Crítica

8 Responses

  1. zarpante diz:

    Por favor, gostariamos de obter vosso email para poder enviar algo em inbox…

  2. Guy Amado diz:

    Mas diga lá, caro Mário, nem o [excelente] Alan Rickman escapa como o Kristal..? Só vi o trailer e tive cá uns calafrios…sobretudo com as caracterizações. Mas vou ver, não há volta a dar.

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