The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Abster-se

Gosto de ler os textos do comediante Russell Brand, em especial aquele onde não pedia desculpas sobre as piadas que fez sobre o passado Nazi da Hugo Boss numa ocasião patrocinada por essa marca de roupa. Não posso dizer o mesmo da entrevista onde defende que não vota porque não quer legitimar o sistema e que a sua própria autoridade para falar não vem desse sistema. Defendeu a posição com verve, mas não chega.

Houve quem dissesse que o comediante tinha começado uma revolução. Não me parece. O que passou da mensagem de Brand é que o sistema político não funciona, não representa todos os cidadãos de modo satisfatório, e até aí pouca gente discordaria dele. O problema é concluir por isso que não se deve votar. A maioria das pessoas lerá isso simplesmente como uma apologia da abstenção.

Ou melhor, nem isso: como uma maneira de racionalizar a sua própria inactividade política e portanto invisibilidade política, dando-lhe uma aparência política.

Se Brand ainda intervém em público, escreve e edita revistas, quem o seguir nas suas convicções muito provavelmente passará o dia de eleição na praia (ou equivalente) dedicando um quarto de hora a argumentar sobre como apanhar um bronze é muito mais político do que ir votar. O mesmo será feito, calculo, em relação a uma manifestação.

Aqui em Portugal, estamos numa fase onde as manifestações (e as eleições) perdem adeptos e impacto, não porque os problemas tenham deixado de existir e de piorar, mas porque parecem não ter impacto nenhum sobre o governo.

A solução será o oposto de uma abstenção, ou seja, mais manifestação – não apenas nas ocasiões oficiais mas sempre que possível, de maneira a que nunca tomem a nossa presença como um assentimento mudo, passivo. Estar sempre a falar, a mostrar, a escrever, a agir.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. Carlos diz:

    O ideal seria uma manifestação em dia de eleições. As pessoas estariam concentradas junto dos locais de voto mas não entravam. Durante esse período tudo decorreria normalmente, as pessoas apenas não votavam. Não era porque alguém colocou uma corrente na porta ou algo semelhante. As pessoas simplesmente optariam por ficar à porta durante esse Domingo.

  2. Mário, penso que o vídeo a que se refere é este:

    O vídeo que aparece no post é uma entrevista acerca do “escândalo sachsgate.” (um absurdo tabloidesco iniciado pelo Daily Mail)

    Em relação à apologia da abstenção, talvez a tomada de posição de Russell seja influenciada pela extrema bipolarização da política Inglesa (um pouco à semelhança dos EUA onde apenas Democratas e Republicanos importam) o que transforma o acto de votar nos Tories ou no Labour um exercício de futilidade.

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