The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Afinal há manifs pró-Troika

Até mesmo há bocadinho estava para não dizer nada sobre a Margarida Rebelo Pinto. Quando muito lembrar que toda a gente tem direito a expressar a sua opinião desde que isso não interfira na liberdade de opinião de outras pessoas. Sentir abjecção por quem protesta nas galerias da assembleia e classificar esses protestos como falta de civismo é um direito que assiste a Margarida Rebelo Pinto. Defender as teorias económicas comprovadamente imbecis deste governo, idem. Depois lembrei-me que há uns dias nos tinham prometido uma manifestação Pró-Troika organizada por sete pessoas. E que afinal era falsa. Fiquei triste, muito triste, porque não pude dedicar um dia ou dois a gozar com manifestantes, um passatempo aparentemente reservado à direita. A liberdade de expressão não impede alguém de dizer idiotices, mas também não nos proíbe de gozar com o espectáculo. Mas afinal a coisa ainda se salva: o que a Margarida nos ensina é que a direita não vai para a rua fazer manifs pós-troika; vai à tv promover livros. Ou dizer uns bitaites. Já se tinha visto isso com António Borges, Fernando Ulrich, Soares dos Santos, a malta da Comporta ou Jonet. E, já agora, o que Margarida Rebelo Pinto disse não é muito diferente do que Passos, Portas ou Durão dizem, excepto no ponto da abjecção, que um político não pode enunciar em voz alta, mas que demonstra bem o que a sua base de apoio pensa. Outro dia, alguém tinha postado no facebook um link para uma entrevista de Peter Sloterdijk que dizia que a esquerda historicamente funcionava como um “banco de ira” onde as pessoas depositavam as suas frustrações, acumulando um capital que outros geriam “para devolver-lhes os juros sob a forma de auto-estima para eles e desprezo para os seus inimigos” – comparar a esquerda a um banco é divertido, mas falar dela como um depósito de ira, de frustrações, de auto-estima e desprezo pelos inimigos… Nem é preciso ir buscar Hitler ou Salazar para perceber como a afirmação é idiota, basta ir ouvindo a Margarida.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. esta guidinha é perfeitamente análoga à joaninha. quando abrem a boca ou entra mosca ou sai merda.

  2. Helena Sofia Silva diz:

    Não tínhamos visto exactamente isto Mário. Este despudor não teve o ‘coating’ da linguagem técnica do Borges nem a leviandade da Comporta. Não teve o paternalismo da Jonet (ainda que o consideres serôdio e paroquial). Foi uma declaração articulada, clara, aguda, consciente e amoral. Monossémica.
    E se há coisa de que ela precisa é de ser transformada em GIF.

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