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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Sobre ver o filme de Margarida Cordeiro e António Reis, Trás os Montes, no Youtube

Não sei do link, mas li algures que Paulo Branco ia começar a distribuir os seus filmes em teatros, como já tinha feito João Botelho com o Livro do Desassossego. É cada vez mais comum, e as causas são óbvias: há cada vez menos cinemas e a distribuição sempre foi um problema e não apenas no cinema. O que me parece óbvio, e não é comentado porque se tende a olhar para o acto de apresentar e ver cinema como uma forma morta, litúrgica, que deve cumprir certos requisitos – caso contrário, não é verdadeiro cinema – o que me parece óbvio é que, se o cinema é distribuído como se fosse teatro, vai começar a assumir algumas das características do teatro. A montante, no modo como se fazem os filmes, e a jusante no modo como são vistos.

Para já, vê-se melhor a segunda tendência: em Inglaterra, apresenta-se cinema em contextos performativos, onde o público vai vestido de acordo com o filme, para um lugar decorado tematicamente. Houve também a tendência para fazer projecções-concerto de filmes mudos – que se explica também por filmes e concertos acumularem os mesmos locais e estruturas de produção. É natural que se fundam.

A tendência para o cinema se tornar performativo também se reflecte bem no fetichismo votado ao modo tradicional de ver cinema, que já não é exactamente quotidiano mas precisa de ser encenado como se de uma missa se tratasse – veja-se o culto da Cinemateca.

Com isto quero apenas dizer que, neste momento e fora as exigências possíveis de qualidade técnica, não há um modo “autêntico” de ver cinema. Nunca houve.

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Filed under: Crítica

5 Responses

  1. Susana Gaudêncio diz:

    À parte o cinema e a performatividade, apenas uma nota: O filme também é de Margarida Cordeiro, que o co-realizou com António Reis, à semelhança de outros como “Rosa de Areia”, por exemplo. Deixo aqui link para uma versão de muito má qualidade no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=urUXBNG-Es4

  2. Margarida Castel-Branco diz:

    A modos de concordância nalguns dos porntos tocados no texto escrito, porque cinema é importante como antecipação teórica das especulações da vida. No cruzamento de vida e arte, arte como celebração da vida, que esta em modos vibratórios não pode ser nada mais do que luz, do que movimento, do que cinema, do que perfomance. O que wxiste para além de tudo isto? Forças binárias de cinema? Andamos todos a ver filmes diferentes? Relembro: The china wall de Marina Abromovic, A Luta de Mandira Gandhi, a Luta de Mabida, a Luta de Miriam Makeba, a Luta DiÁRIA dos Taoistas, a performance DIÁRIA de todos dos bartlebys que viram o design ao vivo e a cores em tempos de crise. Relembro a senhora dos 5 elefantes que traduziu infinitamente 5 livros de Fiódor Dostoiévski, bailarinos incriveis na URSS, escritos incriveis da mesma, a Luta em Gdansk, a luta constante na Polónia que parece so ter sido feliz entre guerras. Por onde passou e muito bem o Senhor Lynch que tão bem lidou com em Eraserhead.

    Dizer que o cinema está morto no porto é não sair à rua.

    Já o filme acima mencionado, vi-o na cinemateca de Lisboa em 2009 ou 2010 numa apresentação que foi Jaime e depois trás-os-montes, onde representa TÃO bem a força da natureza, do povo, do trabalho, da partilha, da moderação, do frio e do quente, do Altruísmo, dos iluminados que tudo procuaram nos truques mágicos e nas retortas da alquimia, das pedras filosofais, que conseguem ser campinos, manjericos e bacalhoeiros ao mesmo mesmo.

    Isto porque estão mais altos, mais iluminados, o ar simplesmente é ligeiramente diferente assim como as suas cores, porque são gentes da vigia, do vestigos.

    São estes os Strangers in the nigth que não têem medo de ver o cinema a vivo e a cores, e a Senhora Varda veio cá em Novembro de 2009 a Serralves relembrar isso.. mas pelos visto nem todos viram, ouviram e sentiram.

    Há que ver as cores do prisma e os mecanismos do tempo, há que sentir monk na america do sul por uma negra a cantar com ciganos para se entender que a EUROPA deveria ESTAR de LUTO por MADIBA para ver cinema.

    “Pensar é estar doente dos olhos”- Fernando Pessoa.

    Ver cinema é não ter medo.

    Margarida

  3. Margarida Castel-Branco diz:

    E que fique sempre o conselho da não morte do Cinema, da Performance, da Música, da Escultura, Pintura, Artes gráficas e impressões, Teatro. Há que relembrar os Tambores na noite, A Mãe, Hamlet, à Espera de Godot, a AADK em Berlin. O Cinema morreu no porto? Ás tantas nunca nasceu. Foi apenas importado. Mas muito bem importado, digo eu. Pouco mas bom, mais vale uma hora com vontade do que um dia inteiro sem ela, já dizia a minha avozinha alfaite pelas ruas de miragaia em época de Douro Fauna e Flora em conversa de café com gestores Portugueses a trabalhar para Ingleses.

    Porque já Manuel Alegre já descreveu à muitos anos os belos mercadores que fomos. Já não somos? Já não temos Mar? Só Rias? Penso que Temos Mar, Rias, Aveiras e Aveiros, Canais, Pacificos, RFM e WM.

    O que tem de comum a Torre dos clérigos e Michel Foucault?
    A circulação.

    Há que vigiar e Punir. Há que que jogar para se ser O Jogador.

    É preciso não ter medo para ver cinema.

    Margarida

  4. mari li diz:

    cruz credão, controle-se! cada um sabe de si. há que não dizer tanto “há que”.

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