The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

MANIFESTO FCTURISTA!!! PIM! CATRAPUM!!!

Para mim, é triste protestar contra o corte das bolsas de investigação do FCT. Preferia não o fazer. É que a minha área é a das artes e do design. Chamar ao que se faz nas artes “investigação científica” é quando muito um compromisso. A dada altura deixou de ser respeitável dar dinheiro a artistas para ensinarem arte e, por causa disso, desenrascou-se uma espécie de equivalência entre arte e investigação científica. Se os artistas fizessem papers, mestrados, doutoramentos e post-docs não lhes cortavam os fundos. Certo? Não, errado. Os artistas foram-se convertendo em cientistas empreendedores, tiraram mestrados como se não houvesse dia de amanhã; o paper substituiu o cavalinho estrangeiro. E os fundos foram sendo cortados na mesma. A investigação não garante mais dinheiro, apenas menos cortes.  Leia o resto deste artigo »

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A Falta de Crítica

Cansa-me ouvir gente queixar-se que não há crítica. Cansa-me ainda mais quando dizem que não há crítica no Porto. Não porque haja, mas porque, se realmente fizesse falta, seria um problema muito fácil de resolver. Não é difícil publicar hoje em dia. Não é difícil escrever. Tanto a nível local como nacional ou até internacional. Leia o resto deste artigo »

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Voltar, Sair

Depois de quatro anos a trabalhar no Porto e a voltar ao fim de semana, em férias e para algum trabalho a Lisboa, volto a estabelecer-me no Porto. Saio da casita junto à Sé dos últimos três anos mesmo quando já abria o terceiro barzito na ruela das traseiras e quando a Rua dos Douradores, ali ao lado, se transforma rapidamente num quarteirão de luxo. A maioria dos meus sítios favoritos para comer da zona já fecharam. Sobra ainda o Martinho da Arcada, onde se podia almoçar barato, mas a vista era cada vez mais ocupada pela algazarra de cafés e de quiosques instalada no edifício do Ministério das Finanças, tal como no resto do Terreiro do Paço. A primeira vez que saí de Lisboa, a cidade onde nasci, foi ainda nos anos setenta, por comparação parecia antiga, utilitária, quase rural. Agora, é um sítio de turistas, com uma cultura urbana complexa e empenhada. Desde o começo de 2010, fico com a sensação que assisti a uma daquelas mudanças históricas fundamentais – de um pré-Troika a um pós-TroikaMuitos dos meus amigos de Lisboa saíram também, em direcção aos arredores, ao interior, ao estrangeiro, por causas variadas: emprego, família, projectos. Muitos deles já tinham uma vida itinerante, de residências no caso dos artistas, de transumância atrás de trabalhos e de gráficas no dos designers. Uma última olhadela da janela, para as palmeiras do Campo das Cebolas, o telhado do Ministério das Finanças coberto de gaivotas, ao fundo, a linha de luzes da outra margem.

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Design Et Al

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Quando me chegaram pelo correio nesta sexta os exemplares do primeiro livro onde participei este ano, por convite do Emílio Vilar e editado pela D. Quixote/Leya, confesso que o meu primeiro pensamento foi “Saiu o Saramago e o Sousa Tavares da Leya e entram os designers; é como chegar a uma festa quando os convidados mais cool já se puseram a mexer.” Mas fico em boa companhia: do Emílio Vilar (que também coordena o projecto, do Eduardo Aires, Francisco Providência, Heitor Alvelos, José Bártolo, Maria Teresa Cruz, Paulo Parra, Vasco Branco e Victor M. Almeida. Eu participo com um texto sobre escrever sobre design na internet.

 

 

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Voltar a Casa dos Filhos

Voltando ao assunto de ontem, as artes no Porto. Dizia eu que me chateava uma certa amnésia em relação à última década: foi uma década frustrante mas não um deserto. As artes no Porto, de alto a baixo, foram-se adaptando a uma política de austeridade municipal, que antecipava a que está nos últimos anos a ser aplicada ao país. Agora, com Rui Moreira – e Paulo Cunha e Silva – há quem ache que as coisas vão mudar. Isso é bem palpável  no artigo do Ípsilon. Leia o resto deste artigo »

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Porto Meio Porto

É sempre bom quando se dedica algum espaço no Ípsilon às artes do Porto, mas chateia-me que não se vá para além dos lugares comuns mais confortáveis: a cena alternativa lutando contra o vazio provocado por Rui Rio, etc. É uma história conveniente porque iliba lisonjeiramente os próprios agentes culturais (artistas, comissários, críticas) de responsabilidades. Leia o resto deste artigo »

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Ciência Acomodada

E mais outro idiota diz da sua justiça: para José Manuel Fernandes não, não se pode dizer que o Estado tenha cortado na ciência e, se virem bem, já no tempo do Sócrates se cortava na ciência, portanto mesmo que se estivesse a cortar, não faz mal. O problema (como de costume) são os acomodados, que se agarram ao emprego e, por isso não produzem. E as instituições académicas que não se financiam a si próprias, etc. Não há orçamento, etc. Vivemos acima dos meios, etc. Leia o resto deste artigo »

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Bairros

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Nos últimos dias, o meu mural do facebook tem-se resumido a partilhas de críticas ao fct e a revelações de novas azelhices no concurso. Cada nova partilha acrescentando factos e argumentos à discussão. Pelo meio, aparece a captura de ecrã acima. Discutiu-se muito se o Loubet era real ou não. Se aquilo era sarcasmo. Não faço ideia.

O que isto me lembra é que uma boa parte dos meus amigos do facebook, tenho-os via escrita e via universidade. E é como um bairro. Percebe-se logo quando entra lá alguém ou alguma coisa de fora. E é muito raro sair de  lá. Calculo que haja morais do facebook radicalmente distintos do meu, com tendências e interesses tão diferentes das minhas que nem as consigo conceber. Leia o resto deste artigo »

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Idiotices II

Isto é muito grave: o júri da área de Sociologia do concurso do FCT afirma que a instituição alterou a seriação dos candidatos sem o consultar. É bem provável que tenha acontecido o mesmo com outros júris. Mais um exemplo de “rigor”, assumindo que essa palavra agora significa mudar de regras, dar o dito por não dito de trinta em trinta segundos, e ir falhando de derrota em derrota até já não houver ninguém por perto para se queixar quando se lhe chama “vitória”.

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Idiotices

Não devia haver paciência para gente como Rui Ramos. Quase nem é possível comentar o seu espernear argumentativo: num minuto diz que a quantidade de bolsas é um desrespeito para a instituição do doutoramento, no outro já diz que há um respeito exagerado pelos doutoramentos e que portanto não são discutidos. Ainda critica não apenas a política mas a própria existência do FCT, no qual tem responsabilidades ao mais alto nível – o que nem sequer surpreende numa era onde temos governos que não acreditam no Estado. E, de bojarda em bojarda, conclui que o excesso de investimento em ciência leva ao obscurantismo. Leia o resto deste artigo »

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Bienais

Saiu na Visão desta semana um artigo sobre a Experimenta (não tenho link). Ao contrário do costume, não é um elogio extasiado do mundo empreendedor e inovador do design. Há salários em atraso. Há muito dinheiro em cima, muito pouco ou mesmo nenhum em baixo.

Tenho muitas dúvidas sobre o modelo da bienal (ou trienal), não apenas em relação à Experimenta mas em geral. São estruturas  inerentemente efémeras,  nas quais se afunda um monte de dinheiro, mais viradas para uma circulação internacional do que para o sítio onde estão. Demoram dois ou três anos a preparar e, no fim, pouco mais fica do que recordações. Pergunto-me se não seria melhor investir isso em estruturas mais permanentes, não apenas físicas mas humanas.

E, já agora, pôr na prática na cultura aquela ideia que foi rejeitada pelos suíços: um gestor/director/curador nunca devia ganhar mais num mês do que um dos seus minions num ano.

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Sedimentos

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Para quem gosta de livros, do conteúdo mas também do aspecto, fazer mudanças é uma tarefa épica, mesmo  sem sair de casa, só mudar mobília de um quarto para o outro. Ainda me lembro quando só tinha uns duzentos livros, todos lidos de uma ponta à outra, alguns várias vezes. Agora, perdi-lhes a conta. Alguns lidos, outros apenas consultados, outros folheados. Leia o resto deste artigo »

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Cultura de Direita

Muito bom artigo, embora discorde de alguns pontos. Em particular: não me parece haver qualquer contradição entre liberalismo e conservadorismo (“Como pode a direita ser liberal na economia e conservadora nos costumes, ou vice-versa?”). O liberalismo económico, ao eliminar o Estado Social e o “socialismo”, coisas que a direita vê como distorções, permite a recuperação de valores como a família, a caridade, etc. Leia o resto deste artigo »

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A espuma dos dias:

– CDS amua depois de comer leitão; apanha um bailinho do dono do restaurante; a máxima de João César das Neves – “Não há almoços grátis” – nunca foi tão bem aplicada.

– PSD vai referendar a co-adopção, depois de ter dito e redito que a democracia só de quatro em quatro anos e portanto deixem-nos governar. A democracia pelos vistos é como um alarme de incêndio numa escola: uma espécie de botão de emergência para adiar os exames.

– Pires de Lima defende que investigação tudo bem, mas só se servir ao mundo real. Mas, e se for tudo uma ilusão!? E se afinal não é o Sol que anda de um lado para o outro no céu? E se a Terra não está às costas de uma tartaruga gigante? E se os fósseis não são bicharocos que não couberam na arca de Noé? E se a crise económica não veio para castigar os pecados dos Portugueses?

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Rigor Mortis

Já o disse várias vezes: não concordo com o modelo actual de investigação que é imposto em áreas como as artes e o design. Sempre defendi mais teoria e mais crítica. Porém, o que temos é burocracia, produzida em massa sobretudo para cumprir metas de avaliação.

Neste sistema, tudo se avalia, duramente, constantemente, cada vez mais. A avaliação já não é um processo que funciona em contraponto com outra coisa qualquer – aprender, experimentar, etc. A avaliação é o sistema, é o conteúdo. O resto é pretexto ou desvio. Leia o resto deste artigo »

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Beleza, Política, Censura

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Ao contrário do que se possa pensar, não é muito difícil produzir arte bonita – incluo aqui (como é óbvio) arte, cinema, design, fotografia, literatura, etc. Para o demonstrar, basta ver como certo objecto é às vezes descrito como sendo “apenas decorativo”, como se deprecia outro dizendo que “é bonito”. Não me vou alongar sobre estes assuntos, importa apenas sublinhar que a beleza é comum, quotidiana, corriqueira. Dentro da sua abundância, pode-se escolher a beleza que mais nos convém, a que se aproxima mais às nossas necessidades. Leia o resto deste artigo »

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“Pau” é o nome que se dá a um boomerang que não volta.

Há uns anos, um artista lamentava que, um ano depois de ter exposto numa das maiores instituições portuguesas, ninguém o convidava para mais nada. Um amigo meu disse-lhe que não admirava: tinha batido no tecto, o que acontecia muito depressa por estas bandas. Atinge-se a consagração rapidamente e depois não há nada que não soe a passo atrás.

Há quem diga que o processo devia ser mais lento e cuidadoso. Não vejo porquê. Nem acho mal. O nosso ambiente artístico funciona assim. É comum o artista com exposição individual ou retrospectiva  numa grande instituição expor (às vezes ao mesmo tempo) num exposição colectiva de vão de escada com alunos que ainda não terminaram o curso. Num meio pequeno, é possível a mesma pessoa ser artista, comissário, aluno, professor, director, galerista, crítico, sucessivamente (ou ao mesmo tempo).

O único cuidado a ter num ambiente destes (se houver essa preocupação, claro) é tratar bem os outros no caminho para cima; é muito provável voltar a encontrá-los no caminho para baixo.

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Alternativas nas Artes

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Num texto anterior cobriu-se o que poderíamos apelidar de POPulismo, o equivalente estético da transferência de recursos entre as classes mais baixas e as classes mais altas. Vimos que essa transferência é, também aqui, no campo da arte, assimétrica. Trata-se de ditar, a partir de cima, a identidade e os valores dos mais pobres com o pretexto de os enaltecer. É uma arte e design grosseira e ofensiva de um modo que não é acidental. Assemelha-se às intervenções de Jonet, sobre o que devem ou não consumir os mais pobres, ou às tiradas de Fernando Ulrich ou António Borges, e por uma boa razão: ambas são manifestações de uma filosofia base comum.

Mas do lado das artes mais sérias, que se riem disto tudo, também há maneiras de monumentalizar o status quo, mais subtis e por isso mesmo mais eficazes. Falo, como é óbvio, da viragem curatorial das artes. Qualquer artista ou agente cultural é neste momento também, por defeito e por treino, um comissário. Ou seja, também nas artes qualquer trabalhador é também um empreendedor. O borbulhar constante de pequenos espaços, eventos, que aparecem e desaparecem, demonstra-o. Também aqui, nas artes, onde se acredita, erradamente, que há uma resistência ao neoliberalismo, se aplica alegremente a sua premissa base, de uma organização social centrada no modelo da empresa, onde mesmo a identidade individual lhe deve obedecer. Leia o resto deste artigo »

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Regresso aos mercados? Regresso ao Futuro

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Imaginem um banco onde se guarda dinheiro a longo prazo. As pessoas depositam aí parte do seu salário todos os meses e anos depois vão buscá-lo. Agora imaginem que o dono desse banco decide que não, que não basta os depositantes irem lá buscar o dinheiro. Precisam antes de provar que o merecem. Para isso, têm que cumprir certo número de tarefas, estipuladas pelo banco, no fundo trabalhando para ele. Muitos depositantes dirão sem dúvida que é um abuso. Trabalharam para ganhar aquele dinheiro, e agora, de repente, ainda têm que trabalhar mais para o reaver? Leia o resto deste artigo »

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Cinco anos de design em tempos de crise

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Faz esta semana cinco anos que o Design em Tempos de Crise foi lançado, aqui no Porto, no Passos Manuel, num dia muito frio de Janeiro (de manhã até nevou). A primeira edição (com a borda das páginas vermelha) esgotou na primeira semana, a segunda (verde) aguentou-se mais uns meses. Anos depois ainda se apanhava um ou dois exemplares à venda, agora não sei. Todos os textos estão na net, aqui no blog. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

História Universal do: Estágio

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Juventude em Marcha
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Papá, De Onde Vêm os Designers?
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O Parlamento das Cantigas
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História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média

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