The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Partido

O meu texto sobre o fim da sociedade de consumo ainda continua a ser partilhado. Hoje passou os 700 shares, o que o leva para território Joanavasconceliano. Dado o interesse, resta dizer que ele partiu da leitura do livro O Nascimento da Biopolítica, uma transcrição de um seminário dado por Foucault em 1979. É aí que ele diz: “[…] nessa sociedade liberal em que o verdadeiro sujeito económico não é o homem da troca, não é o consumidor ou o produtor, mas a empresa, nesse regime económico e social em que a empresa não é simplesmente uma instituição, mas uma forma de se comportar no plano económico[…]”. A passagem continua, explicando como numa sociedade de empresas, onde a economia é auto-regulada pela troca, a regulação dos problemas sociais daí decorrentes se faz cada vez mais pela intervenção judicial – o que explica de facto muito.

Este livro escrito, na altura em que o Neoliberalismo se começava a impor, ajuda a explicar como muita da crítica política em torno desta doutrina é tão ineficaz. Ainda se critica ou apoia o neoliberalismo em termos do liberalismo ou do capitalismo clássico, como se a nossa ainda fosse uma sociedade de produção e de consumo, quando é uma sociedade empresarial e concorrencial.

Vale a pena reter também que Foucault também tem uma hipótese crítica (que não chega a desenvolver) sobre uma das crenças de base do neoliberalismo, que a intervenção do Estado leva necessariamente ao Totalitarismo:

“Em outras palavras, a ideia seria a de que o princípio dos regimes totalitários não deve ser buscado num desenvolvimento intrínseco do Estado e dos seus mecanismos, em outras palavras, o Estado totalitário não é o Estado administrativo do século XVIII, o Polizeistaat do século XIX levado ao limite, não é o Estado administrativo, o Estado burocratizado do século XIX levado aos seus limites. O Estado totalitário é uma coisa diferente. Há que buscar os seus princípios, não na governamentalidade estatizante ou estatizada que vemos nascer no século XVII e no século XVIII, há que buscá-lo numa governamentalidade não estatal, justamente no que se poderia chamar de governamentalidade de partido. É o partido, é essa extraordinária, curiosíssima, novíssima governamentalidade de partido surgida na Europa no fim do século XIX que é provavelmente […], é essa governamentalidade de partido que está na origem histórica de algo como os regimes totalitários, de algo como o nazismo, de algo como o fascismo, de algo como o estalinismo.”

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Filed under: Crítica

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