The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ideais

Acrescento uma coisa que pode não ser óbvia ao último texto: não acho que a arte e o design fiquem piores por usar temas comuns. É o tema em particular que me chateia, não a semelhança entre as áreas. Não tenho pachorra nenhuma para quem diz mal de arte dizendo que é design e vice-versa.

Na semana passada morreu o Stuart Hall que eu apreciava indirectamente através de pessoas que o citavam, Edward Said, Terry Eagleton, penso que também o Jon Savage. Li poucas coisas dele, mas o campo dos estudos culturais, do qual foi pioneiro, fazia-me sentido. Tento ver a arte, o design, o cinema como especializações, profissionalizações, dentro de uma área cultural geral que os ultrapassa e da qual não são donos exclusivos – nem sequer das suas zonas disciplinares, cujas fronteiras são sempre móveis.

Por tudo isto, não me interessam muito as guerras entre áreas. É bastante comum dizerem-me (quando escrevo sobre arte ou arquitectura), porque não escreves só sobre aquilo que percebes? Como crítico, idealmente só escrevo sobre aquilo que não percebo, nem considero ser a minha função explicar ou ser a voz do artista ou do arquitecto. Não sou oráculo de ninguém. Escrevo enquanto membro do público enquanto espectador. Sou uma espécie em vias de extinção: um consumidor que se recusa a aceitar os termos de quem empreende, de quem produz, de quem cura.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. “Tento ver a arte, o design, o cinema como especializações, profissionalizações, dentro de uma área cultural geral que os ultrapassa e da qual não são donos exclusivos – nem sequer das suas zonas disciplinares, cujas fronteiras são sempre móveis”

    acho que o que vou dizer não é um preciosismo linguístico ou gramatical.

    penso que a tua ideia descreve aquilo com que tento lutar contra.

    irrita-me ouvir constantemente (e parece que tem estado na moda nos últimos anos dentro dos círculos intelectuais/artistas/críticas/… (pseudo)) usar o termo “TERRITÓRIO” no contexto da arte.
    a arte como cultura artística nada tem a ver com territorializar, fechar, limitar, esterilizar, muralhar, como se tivesse intenções fascista e xenófobas.
    a arte é um “CAMPO” com uma área de difícil percepção dos seus limites, aberto a contaminações, passagens, mudanças. solos em constante erosão e/ou renovação, desprotegidos das vontades exteriores.
    um TERRITÓRIO fecha-se no seu umbigo. um CAMPO abre-se ao horizonte.
    design, cinema, arquitectura, pintura, teatro, etc, são árvores que vivem num campo, dependentes umas das outras e dependentes de um campo que depende delas.

  2. expliquei-me mal ao dizer: “penso que a tua ideia descreve aquilo com que tento lutar contra.”

    não sou contra a tua ideia, mas contra a ideia da visão fechada e particular.

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