The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ui…

Não sei quando foi, mas um dos meus textos passou os 2000 shares no facebook. Adivinhem qual.

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Outra vez

Estava para nem comentar mas não dá assim tanto trabalho, portanto cá vai: saiu uma crítica negativa no Público ao Trafaria Praia de Joana Vasconcelos. O título – “É bonito, mas é arte?” – resume o argumento. Para aquilo ser arte precisava da validação de um júri, de um comissário ou de um museu importante. Não gosto do trabalho (já apresentei aqui no blog as minhas razões para isso; façam uma pesquisa se as quiserem ler todas) mas também já disse porque desconfio da obrigação de passar por estes mecanismos de legitimação. A minha solução alternativa? Não mandar ninguém. Gastar dinheiro e recursos (porque até um patrocínio implica gastos públicos e pode sempre ser usado noutra coisa) em elefantes brancos é a nossa maldição; dedicar algum dinheiro a estruturas intermédias, iniciativas de média e pequena dimensão não ficava mal.

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The Invisibles

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É só em Setembro mas The Invisibles fazem vinte anos. Parece impossível. Para mim, é (juntamente com Love & Rockets ou Carl Barks) daquelas bandas desenhadas às quais volto sempre que posso, porque cada leitura revela pormenores, quanto mais não seja em mim mesmo, que vou mudando. Leia o resto deste artigo »

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Recordar

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Há uma hierarquia nos objectos gráficos associados ao 25 de Abril. Fala-se muito dos murais ou dos cartazes que cobriram quase de imediato as ruas, e é justo – era finalmente a liberdade de expressão. Porém, já não se fala tanto dos autocolantes, por exemplo, que não eram exactamente miniaturas de um cartaz. Podiam cobrir paredes, canos e portas mas serviam sobretudo para pôr as lapelas a falar umas com as outras. Haviam também os abundantes livros de fotografias, a registar o momento, como documentários de bolso. Leia o resto deste artigo »

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O Rato que Confundiu o Chapéu da Mulher com um Abat-Jour

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Se quiserem ler as duas páginas acima, cliquem sobre a imagem. Para quem não tenha paciência, a história é simples: Mickey volta a sua casa que Minnie decidiu renovar, comprando mobília com design mais moderno e ambíguo do que os gostos tradicionalistas do ratinho conseguem suportar: confunde o chapéu da namorada com um abar-jour; senta-se num aparelho de televisão; decide finalmente trocar as novidade por móveis velhos, mais familiares. Leia o resto deste artigo »

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Incosciente Colectivo

Outro dia, moderei uma apresentação/debate entre três colectivos (Oficina Arara, ObservatórioXXXX e Ghost) e dei conta como a nossa crítica/curadoria ignora quase por completo este modo de identidade pública. Lendo o Expresso ou o Público, por exemplo, aparecem sobretudo exposições individuais, retrospectivas individuais ou exposições colectivas – e aqui quase sempre colaborações pontuais entre artistas perfeitamente identificados; poucas ou nenhumas colaborações a longo prazo entre grupos numerosos¹ de artistas debaixo de uma identidade comum. O colectivo não está na moda. Leia o resto deste artigo »

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Merdosos e Medrosos

Alguém me dizia que andava farto mas mesmo farto do emprego, não aqui (claro) mas lá fora. Queria mudar, pelo menos. Perguntou-me o que achava eu. Uns cinco anos depois da crise ter começado a doer, já não consigo dizer a alguém que o melhor seria largar o mau emprego mesmo bem pago, mesmo seguro, mesmo longe daqui. Leia o resto deste artigo »

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Dar o exemplo

Lembro-me que foi à noite, na Costa Cabral junto ao metro dos Combatentes. Estava num táxi. Não sei para onde ia ou donde vinha. O motorista a dada altura fez sinal de luzes a um colega e disse-me “Com a sua idade não deve saber, mas aquele ali era o [não apanhei o nome” que já foi jogador do Porto e um grande jogador. Deve estar a pensar, porque vai ele ali a conduzir um táxi e deve pensar que gastou o dinheiro que ganhou. Mas ele era do tempo em que ainda não se ganhava dinheiro com o futebol.” Foi daquelas conversas que ficou e se tornou numa das razões pela qual não só não sigo futebol como não gosto de desportos onde se é pago a peso de ouro. Para mim são um símbolo mais do que evidente de uma sociedade que não só é desigual como consome desigualdade. Acho tão mau ver touradas como ver desportos onde o jogador mais mal pago ganha mais do que alguém a ganhar o salário mínimo em dez anos (se tiver sorte). Não digo que o desporto não deva ser pago, apenas que devia dar melhor exemplo.

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Pagar para trabalhar

No sistema universitário e nas artes em geral, já se tornou costume e de tal maneira banal pagar para trabalhar que já ninguém nota. Para publicar um paper, por exemplo, paga-se e não é pouco. Deslocações e mobilidades, idem. Quando muito, se sobrar dinheiro no fim do ano, lá reembolsam qualquer coisa. E no ano a seguir vem, certinho como os pólens na Primavera, um ministro a cortar mais uns tantos por cento do orçamento. E porque não o há-de fazer? Afinal, corta-se corta-se e o animal continua vivo, a publicar papers, a viajar e o resto. Leia o resto deste artigo »

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Férias

Não suporto quem se orgulha de trabalhar à hora das refeições ou nas férias. Quando o faço, é por necessidade, incompetência minha ou alheia. É um remedeio, e como tal não deve nunca ser uma filosofia de vida. Não marco trabalhos para férias aos meus alunos tal como não espero que me mandem trabalhar nas férias. Se o faço é por escolha minha e de mais ninguém. Há poucas coisas que me irritam mais do que mails a pedir papelada a meio das férias ou a estipular o último dia de férias como o prazo final para a entrega de qualquer coisa. Gente que tem tão pouco respeito pelo tempo e pela liberdade dos outros enerva-me mais do que os chico-espertos que passam à frente nas filas para o autocarro.

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Ilustração de moda

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Não sei se foi a crise, mas já não me lembro da última revista recente de “estilo de vida” que comprei (ou até folheei). É possível perceber o que se passa pela internet, nos blogs de moda de rua e não só. Talvez por isso, ando mais sensível ao que se fazia noutros tempos. Por exemplo, de visita a casa dos pais dei com umas Interview do começo da década de noventa e em particular com estas páginas de moda escritas e ilustradas por Michael Roberts. Leia o resto deste artigo »

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Bastava isso

Como de costume com o design gráfico do novo humor português, não sei bem o que pensar do genérico do novo programa de Ricardo Araújo Pereira, Melhor do Que Falecer. Quase gosto, mas há um travo trapalhão naquilo, no desenho, no timing, que não se sabe se foi mal feito de propósito ou por acidente – o mais provável é ter ficado a meio caminho entre os dois. O desenho rabiscado em tons castanhos não combina com a parte filmada em tons cinza sobre um fundo branco e por sua vez tudo isto não combina com o lettering.

 

Tem um momento quase brilhante, que podia (talvez sem perda) ser todo o genérico: a parte final, sem o desenho animado, quando o comediante se aninha em posição fetal e o fundo branco passa de parede a chão. É um efeito de vertigem muito semelhante ao do genérico de Mad Men, quando a queda se transforma num zoom out. Bastava isso.

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Voltar

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Depois de passar quatro anos a trabalhar aqui mas a passar os fins de semana em Lisboa ainda me parece que volto a uma cidade onde já não vou há muito tempo quando saio à noite no Porto. Ontem fui à Tendinha dos Poveiros, um lugar clássico, que não mudou muito – excepto pela presença de uma coisa para a qual ainda nem tenho um nome, uma loja de conveniência automatizada, um rés do chão inteiramente transformado numa máquina de venda de chocolates, bebidas em lata, etc. Já vi pelo menos mais outra no Porto, na Rua de Santa Catarina. Nessa, ainda se pode entrar para um espaço vazio, escanzelado, rodeado de máquinas; na dos Poveiros é só mesmo uma loja reduzida à sua fachada e a um mecanismo de relojoaria. Só é preciso mandar um técnico encher aquilo uma vez por dia e mais nada.

Adiante.

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Escala

É uma observação comum e penso que já lhe respondi noutra ocasião: alguém me pergunta se não é bom haver uma cena de barzitos, galeriazitas e atelierzitos no Porto. É, é bom, mas por comparação com Lisboa, um exemplo próximo, lá também existem espaços e iniciativas deste género. A diferença é que, aqui no Porto, há três ou quatro grandes instituições e centenas (milhares?) de espacinhos e nada de intermédio pelo meio. Não há hipótese de uma pequena iniciativa crescer até se tornar algo mais complexo. Quando muito, um conjunto de coisinhas juntam-se pontualmente para um dia de inaugurações, para uma feira, etc. Mas nada mais do que isso.

Há coisas que só se conseguem fazer com alguma escala. O mais básico será sobreviver aos solavancos. Nos anos de Rui Rio apareceram um sem número de colectivos nas artes com algum sucesso e exposição mediática. Quase todos acabaram por desaparecer seguindo os seus membros carreiras individuais, como se só fosse possível “crescerem” ficando mais pequenos.

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Está tudo normal

Ontem, descreveram-me alguém como sendo “um situacionista de sofá” e por um segundo fiquei sem saber o que pensar. Durante anos, associei os situacionistas a exercícios de descontração pelos quais tive que passar enquanto aluno de artes – uma espécie de praxe com a diferença que era “cool”– andar à “derive”, aos caídos, pela cidade, conduzido por um professor numa espécie de visita de estudo sem outra conteúdo que não a saída da escola. Também me habituei às infindáveis exposições onde se invocava o Santo Nome de Debord e seus amigos. Por tudo isto, comecei a considerar o situacionismo como o equivalente politico-artístico do impressionismo: se quase todos os pintores de fim de semana ou de centro de dia são impressionistas, os performers de fim de semana e de centro de dia são seguramente situacionistas. Ou, mais exatamente, “cituacionistas”, gente que dedica a sua vida artística a citar os situacionistas e a ficar muito chateada quando outras pessoas que não eles mesmos andam à “derive” ou “detournmentam” de uma maneira menos autêntica. Culpo certo punk e em particular o Malcolm McLaren por esta praga: fizeram de uma atitude (nem sequer uma filosofia) niilista e bem humorada uma espécie de religião da autenticidade, e não há nada de mais autêntico do que ir atrás das origens. Assim o autêntico punk vai atrás do autêntico situacionismo com o mesmo fervor daqueles velhinhos que vão aos fóruns de genealogia. Já nem sei se alguma vez houve punk ou situacionismo autêntico (espero que bem que não; o contrário seria uma seca).

Mas enfim. O que me fez confusão no “situacionista de sofá” foi o termo ser também usado para descrever aqueles que são a favor da “situação”, entendida como algo problemático, tirando dela partido, até. Aqueles que acham, por exemplo, que depois de três anos de Passos, austeridade, etc. é que está tudo a voltar ao normal. Fico mais chocado com estes situacionistas do que com os primeiros e autênticos, confesso.

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Unidade

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Por nostalgia, já devem estar a fazer vinte anos, fica aqui a capa da Unidade 5 a primeira publicação que paginei, num Mac emprestado por um colega que foi de Erasmus. Muito Ray Gun, David Carson e o resto. Tenho-a cá por casa, mas nem tenho coragem de a abrir.

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Falar sobre o tempo

Duas histórias rápidas sobre nunca parar de chover.

1) Outro dia, subíamos Santa Catarina no Porto, trovejava muito perto e entramos no takeway japonês mesmo antes de começar a chover ruidosamente. Um quarto de hora (no máximo) depois saímos e estava tudo coberto de bolas de granizo, uma camada deslizante de gelo, que os portuenses não perderam tempo a confundir (como de costume) com neve: na esquina com a rua da Cunha com Santa Catarina estava um caralho de gelo, muito perfeitinho com uns 30 cms de altura, esculpido agilmente e sem prejuízo da qualidade nos dez minutos depois dos pedregulhos terem parado de cair. Não fotografei porque tive medo de molhar o telemóvel. Os portuenses estão mesmo preparados para tudo: quando deus te dá limões, faz um caralho.

2) Depois de duas semanas disto, dei por mim a pensar enquanto andava ensopado de chuva miúda no autocarro: será que se pode culpar o Passos Coelho por esta água toda? Se calhar, o aquecimento global, etc. Mas nem é preciso ir tão longe. Numa realidade alternativa onde Portugal não está a ser assolado pelo Passos é bastante provável que o tempo seja igualmente mau, mas as pessoas andam felizes felizes, assim a dançar à chuva e a bater os calcanhares como o Gene Kelly.

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I²PL²

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Ontem, tive uma ideia: criar um instituto de investigação, daqueles que concorre a fundos europeus e apoios pontuais, mas cuja única função era permitir que eu pudesse dedicar tempo a ler, sem outra função que não isso mesmo, sem escrever relatórios, notas, estados da arte, etc. Simplesmente ler, à solta, dentro ou fora da minha área. Nos velhos tempos seria um clube de leitura e isso bastava. Agora, para ser respeitável, tem que ser o I²PL², ou Instituto de Investigação pela Leitura de Livros.

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Motins de Consumo

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Ontem em História do Design, falei de Design e Cultura de Massas, uma aula cuja estrutura preparei em 2012 mas que hoje me parece desactualizada num ponto fundamental, e que já tratei aqui: o fim da sociedade de consumo.

A ideia que se pode participar na sociedade através de uma espécie de “votação através do consumo”, que servia de base a muitas das pretensões democráticas do capitalismo clássico, desapareceu. Por falta de dinheiro nas classes médias e baixas mas também por questões ideológicas: no upgrade 2.0 do capitalismo que é o neoliberalismo – não uma mera actualização mas um sistema operativo completamente novo – o consumo é visto como irresponsável e imoral. Não pelas razões que levam a esquerda a desconfiar dele mas por uma ideia completamente diferente: que não basta dinheiro para aceder ao consumo e ao mercado mas é preciso também empreendedorismo: só o consumo produtivo é autorizado. Que é como quem diz: só devia consumir quem faz por merecer. Leia o resto deste artigo »

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Tesourinho

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E, entretanto desde o texto anterior, nem dez minutos depois, tocou o carteiro e traz-me a minha Aspen 5 + 6, completa com filme, disco e anúncios, amachucada (e por isso relativamente barata). Já andava atrás deste número sem nunca esperar realmente encontrá-lo desde que soube que A Morte do Autor tinha sido publicada aqui pela primeira vez, em 1967 (um ano antes de 1968, a data onde é mais habitualmente situada). É o meu tesourinho! Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
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Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
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Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
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Papá, De Onde Vêm os Designers?
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História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média

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