The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Anarquia Gourmet

Pouco antes das eleições, aparecem sempre os apelos à abstenção: porque votar só legitima o sistema; porque se não houver ninguém a votar, vai-se perceber que isto é uma farsa; etc. Não, não vai. Este governo foi eleito com pouquíssimos votos em termos relativos. A abstenção só o favorece. Tal como favorece o PS. Acaba por estimular o voto útil que prejudica pequenos partidos.

A esquerda mais radical ainda não percebeu que o neoliberalismo é uma espécie de anarquia gourmet. Desvalorizar e deslegitimar o Estado e as suas instituições, a começar pelo voto, só o favorece. Olhando para o discurso dos apoiantes do governo, não é muito difícil encontrar um discurso libertário, anárquico, que louva formas de organização descentralizada, o fim do Estado, etc. A diferença em relação à anarquia clássica é o uso do mercado como dispositivo base da organização “espontânea” da sociedade.

O Estado só lhe interessa por ser a maneira mais eficaz de controlar modos de organização colectiva alternativos aos seus. As eleições só lhes interessam como meio para alcançar o poder durante quatro anos. Interessa-lhe pouca participação durante esse período, tal como lhes interessa pouca participação nas urnas.

 

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Filed under: Crítica

3 Responses

  1. Verdade, mas se o voto for obrigatório, provavelmente pouco ou nada muda no que respeita ao exercício do poder – apenas se reforça a legitimação do “arco”.
    Bonito seria que os votos brancos fossem considerados votos expressos e entrassem nas contas. Assim eu já iria visitar a urna

  2. Bruno diz:

    Sem dúvida que nos próximos anos o neoliberalismo se vai aproximar ainda mais da anarquia mas há pequenas diferenças que na minha opinião nunca se dissiparão.
    A “velha direita” dificilmente voltará. Percebeu que não perde assim tanto abdicando de repressões individuais, nacionalismos e outras “picuíces” locais.
    Mas o neoliberalismo precisa de sistemas de segurança: sobretudo segurança dos seus bens e segurança pessoal. Precisa que o sistema trabalhista funcione “bem” como está: que as pessoas continuem a ajudá-los, não porque gostem deles ou do que fazem, mas porque, para muitos, não há outra forma de pagar um teto pra passar as noites. Precisam dos estados para comprar falências bancárias para que quando eles façam m****, coloque as pessoas a pagar.

    Ou seja, apesar de todas as semelhanças, apenas as divergências capitalistas, fazem com que por exemplo os anarquistas vandalizem muito mais instituições bancárias privadas do que propriamente ministérios ou escolas públicas.

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