The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Insultos, muito bem explicadinhos

Também já não tenho muita paciência para quem acha que empreendedorismo e serviço público podem conviver em paz. Ou que é possível haver um empreendedorismo público. O termo “empreededorismo” tal como “inovação” ou “competividade” é quase sempre usado, mesmo por quem o defende, de um modo ambíguo a meio caminho entre uma doutrina e uma qualidade intrínseca do ser humano, que toda a gente tem ou devia de ter.

O termo empreendedorismo actualmente é uma aplicação generalizada de uma definição criada no âmbito da economia por Richard Cantillon (séc. XVIII). Significava aquele que está disposto a correr riscos como ocupação, criando novas oportunidades de investimento e negócio. Neste momento, e dentro do esquema de pensamento neoliberal é uma ideia que não se aplica apenas a investidores empresários mas à identidade de todo e qualquer indivíduo seja ele criador de empresas ou simplesmente trabalhador. Isso percebe-se perfeitamente no discurso de treta de quem nos governa: deve-se sair da zona de conforto, criar a sua própria empresa, etc. É uma cultura generalizada e hegemónica, que não deixa espaço para alternativas.

A própria ideia de Estado Social com a sua ênfase em ideias de segurança universais (segurança social, saúde pública, educação, protecção do trabalho) vai  directamente contra esta mentalidade/doutrina do risco enquanto identidade/qualidade moral.

O empreendedorismo não precisa de mais tempo de antena, de mais recursos ou de mais propaganda. Tem-os em demasia e o resultado está à vista. Portugal não é um país com deficit de empreendedorismo, antes pelo contrário. Neste momento, tem um deficit cada vez maior no seu serviço público. Mas, lá está, não adianta repetir nenhum destes argumentos porque é preciso mais empreendedorismo, e qual é o problema da inovação e é preciso sair da zona de conforto, etc. Já não tenho paciência. Vão-se é foder.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. Luís M. Inácio diz:

    Partilho a crítica ao abuso deste termo “empreendedorismo”, e do seu contexto ideológico. Escrevi precisamente isso (http://designdamente.wordpress.com/2013/05/11/e-necessario-empreendedorismo/) há um ano atrás, onde apresentei a minha desconfiança à maneira como esse termo estava a ser utilizado.
    Contudo, parece, aunto a mim, que a coisa ficou um pouco pior.
    Grande abraço!

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