The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O poeta como crava

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Ainda nem cheguei a um quarto, mas estou a gostar, principalmente porque descrito deste modo, documental e terra-a-terra, Rimbaud parece um Luiz Pacheco adolescente, brilhante, melga e crava não só em doses iguais como deixa de se conseguir imaginar estas três qualidades em separado: brilhante porque melga porque crava (em qualquer ordem). Tal como Pacheco, o problema é o do costume: nem tanto o da arte pela arte, mas como viver disso. Assim, à roda da poesia, só esquemas e desenrascanços e expedientes. Solicitar a amigos outra cópia dos seus livros de poesia, porque a queria reler, na verdade para a vender em segunda mão. Servir de intermediário aos colegas de escola para comprar livros na livraria do rés-do-chão da casa de família para comprar livros para ele mesmo  que lia numa noite e devolvia no dia seguinte para trocar pelos que os colegas tinham encomendado. Não é o poeta maldito como eremita, livre das preocupações materiais (isso é só afectação) mas um que só pensa nos tostões, sem olhar a escrúpulos como o conseguir. Não admira que tenha morrido rico.

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Filed under: Crítica

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