The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Epifania

gander

Há toda uma cultura que nos treina para ficarmos de boca aberta quando, de repente, percebemos uma coisa sobre nós mesmos que estava totalmente à vista, era totalmente óbvia, só faltava percebê-la. São aqueles momentos de inspiração que concluem as séries de detectives, o Sherlock/House/Castle/etc que, de repente, percebe.

Hoje, deu-me uma coisa semelhante, menos espectacular. Não houve efeito visual ou sonoro. Foi quando comecei este texto. Queria escrever sobre o cansaço que sinto de conferências. Há anos, queixava-me de não haver muitas, sobretudo de design. Agora, tornaram-se um dos formatos por defeito do evento cultural, talvez só ultrapassadas pela visitas guiadas. Há-as todos os dias. Tornou-se impossível ir a todas. Tenho preferido ler, se possível, os textos dos conferencistas. Permite-me alguma distância e também alguma memória, porque, de uma conferência, conservo sobretudo emoções mais do que ideias, mais as conversas que tive no átrio do que aquilo que ouvi do palco.

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Já não as vejo como um formato eficiente. E assim tive a minha epifania. Prefiro fazer ensaios visuais do que conferências. Imagem e texto a interagirem sobre a página ou o ecrã. Foi o que tentei fazer com a monumentânea (imagem acima): não uma conferência em forma de livro, mas um formato (para mim) mais eficaz. Algo na linhagem dos ensaios visuais de John Berger ou dos slideshows editoriais de Ryan Gander na revista Dot Dot Dot (na imagem ao topo do texto). Neste último exemplo, a relação entre artigos e imagens, e até entre artigos, era solta e inesperada. Entre uma fotografia e a sua legenda não havia estabilidade, apenas um jogo constante. A dada altura, as imagens até se soltaram da revista para se organizarem em exposições da qual os artigos que ilustravam originalmente passavam a ser as legendas.

Foi refrescante, numa altura onde tanto a arte como o design eram (e ainda são) bastante hierárquicos, tanto nas suas relações sociais como nas suas representações sobre a página e sobre espaço. Sobretudo divisões de trabalho muito claras entre quem fala e quem mostra, quem escreve e quem apresenta. Não admira que muitos artistas e curadores se tenham virado para o design e para edição porque ainda era o sítio onde isto podia ser misturado e remisturado.

Dizia Walter Benjamin, n’O Autor como Produtor (cliquem para ampliar se quiserem ler):

fotografia 1-6
fotografia 2-5

 

 

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Filed under: Crítica

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