The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ófaxavor

Escrevo em parte para deixar aqui um link ao texto da Alexandra Lucas Coelho sobre dar conferências de graça, em parte para acrescentar que, se há tantos eventos, conferências, etc. é porque os participantes, na sua grande maioria, não são pagos. Tornou-se fácil. Há tanto seminário, conferência, que é trivial, não tem valor nenhum. É trabalho gasto para nada. Inconsequente, excepto nas horas que se passa a participar ou a assistir. Já não vejo amor, carinho e dedicação em quem alimenta este arraial. Porque se tornou banal pedir o favor e esperar o favor. Para mim, cada nova conferência já só é uma espécie de micro-estágio não-remunerado.

Ainda há gente que se preocupa, que ainda fica em dívida quando pede um favor destes – porque é um grande favor. Mas os pedidos de desculpa, os lamentos, por nunca haver dinheiro são cada vez mais uma formalidade. Às vezes, já nem existem de todo.

Por tudo isto, neste momento só preparo material novo para conferências quando sou pago para isso. É uma questão de princípio. Preparar cinco minutos que seja de conferência (uma pechakucha) dá trabalho e neste momento já não o faço por gosto. Só fico com a sensação que ando a alimentar a besta. Tenho dito que sim, por cansaço, porque fico com a sensação que ando a dizer “não” vezes demais – o que não é nada bom sinal. Cansa-me o próprio formato da conferência inconsequente, do evento perpétuo, do vens e falas do que quiseres, etc.

 

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. Isabel diz:

    Mário, partilho da ideia de base – todo o trabalho deve ser remunerado – todavia, face ao panorama que vivemos acredito que faz sentido (escolher livremente) trabalhar pontualmente em projectos com os quais nos identificamos, conhecemos e sabemos não ser financiados (que não nos contam uma mentira e ganham dinheiro à nossa custa!). Mas, é claro, deve ser uma excepção e não regra.

    Há alguns anos que faço/cedo desenhos graciosamente para uma revista de poesia (da qual gosto), que não existiria sem o apoio gracioso de alguns colaboradores. É uma tiragem pequena e o dinheiro da venda apenas cobre a produção. Faço-o porque gosto das pessoas e acho a revista bonita. Faço-o por haver muito poucas publicações desta natureza a circular em Portugal… e é bom haver diversidade.
    Como sabes, faço parte de um pequeno grupo que organiza conferências sobre livros e edições de autor. Não há nenhum financiamento (a não ser do nosso bolso). Não me vou alongar sobre as razões que nos levaram a criar as conferências (mesmo sem dinheiro) mas apenas frisar que nos parecia fundamental reunir um conjunto heterogéneo de pessoas relacionados com edição, cruzando diferentes abordagens e áreas de saber/fazer. (tu conheces!)
    É claro que esta opção é possível porque o meu salário de professora me permite viver. É certo.Penso que sobretudo nas artes é saudável haver uma rede colaborativa que foge aos protocolos mercantilistas. Não pelo estúpido e falso argumento “é bom para o currículo” mas porque o meio é pequeno, há pouquíssimos apoios e é uma forma de manter alguns projectos em funcionamento.
    beijo

  2. […] relação ao texto anterior sobre trabalhar de graça, um esclarecimento: o que me arrelia é assumir-se que, precisamente por […]

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