The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Apagar Fogos

A estrutura de ensino pós-Bolonha, com menos anos por curso,os seus semestres e as suas mobilidades que nunca batem certo (nunca se vai e vem na melhor altura), associada à falta de dinheiro permanente, a turmas grandes, a professores (como eu) darem meia dúzia de micro-cadeiras sem grande ligação entre si, treina as pessoas, professores e alunos, para estarem à espera do próximo micro-prazo, da próxima tarefa a cumprir, esquecer e passar à seguinte. Para apagar fogos sem nunca ter oportunidade para os prevenir. É uma boa preparação para o que hoje em dia se designa, cínica ou imbecilmente, por emprego mas não para uma profissão – que é algo que exige uma coerência, uma continuidade que resiste a todas estas distracções, e que demora tempo a aprender. O profissional tenta manter os seus princípios e a qualidade do que sabe fazer no meio das pressões e descalabros do dia-a-dia, que estão lá com toda a certeza: não é preciso encená-los, fragmentando e precarizando o ambiente de ensino. Há aquela ideia que se deve preparar os alunos para o choque de um emprego “a sério” na sala da aula mas, na grande maioria dos casos, esquece-se que o mais importante no ensino é precisamente ensinar um saber que saiba resistir ao caos, à pressão e ao desenrascanço, que consiga ultrapassar o reflexo de passar o balde e, em vez de só apagar fogos os consiga prevenir.

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Filed under: Crítica

3 Responses

  1. concordo em parte, julgo que se devia procurar um equilíbrio entre a situação que preconizas (e que também defendo) e a atual (que tem alguns aspetos positivos, na minha modesta opinião, ou então que é aproveitada por vezes de forma positiva, pela sabedoria de professores e alunos)

  2. o único aspecto positivo que consigo ver, é que bolonha veio “oficializar” (obrigar) o aluno a trabalhar fora das aulas (mesmo assim nada que fosse estranho ao pessoal das artes, mas outros cursos de natureza mais teórica talvez o necessitassem… não sei)
    tudo o resto é uma enormidade de miudezas a boiar numa estrutura, que de curricular só tem o nome.
    dá-se tudo e nada fica!
    que saudades das aulas com tempo!

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