The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Tatuagens

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Sempre gostei de ser funcionário público, embora as razões tenham variado. Comecei por gostar da ideia de estar a cumprir um serviço público. Agora, gosto de ser funcionário público principalmente porque isso irrita o Governo. Aguentei (e ainda aguento) quase quatro anos de impostos e cortes focados em mim e nos meus colegas como um raio de sol numa formiga, e atirados para cima de décadas de cortes de financiamento, tudo em nome da “justiça” e da “equidade”. É prerrogativa das artes a identificação com as partes consideradas mais abjectas da sociedade. A boémia, por exemplo, é agora industrializada. Já não é um processo de gentrificação mas a gentrificação ela mesma. Já não chateia ninguém excepto depois das duas da manhã quem mora nos centros históricos. Também nunca foi tão fácil ser libertino. As artes em si já se tornaram num serviço, uma burocracia de programação de eventos, que só chateia na medida em que se suspeita que se socorram do erário público (cada vez mais raro). Agora, se acreditasse em tatuagens, escrevia “funcionário público” em grandes letras góticas, acima da linha do pescoço.

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Filed under: Crítica

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