The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Provincianismo Utópico

A ler José Gomes Ferreira, José Manuel Fernandes, Henrique Raposo ou Camilo Lourenço percebe-se que representam também uma espécie de voto de protesto. Assumem que existe uma coisa mais ou menos uniforme chamada portugueses da qual se podem tirar rapidamente, sem grande esforço, conclusões: que são preguiçosos, que vivem acima das possibilidades, que se endividam para comprar automóveis, que se pudessem voltavam ao regabofe, que os funcionários públicos são uns privilegiados, que os reformados andam a viver à custa do erário público, etc. Nem interessa muito que isto sejam tudo ideias feitas. Protestam em resumo contra nós todos. Com um odiozito ou pelo menos com um desprezo constante. Se não fosse um ódio de classe, que é considerado um pouco mais aceitável que o racial ou sexual, esta gente seria reconhecida como a extrema direita que é, populista, revanchista, preconceituosa. Eu diria que o que eles praticam é uma versão entumecida e agressiva de provincianismo, um defeito habitualmente inofensivo, que poderíamos descrever como uma admiração embasbacada pelo progresso associada a um desprezo míope pela realidade imediata.

 

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Filed under: Crítica

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