The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Em saldo! Anarquia para as Massas!

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O título vem explicado logo na primeira citação, traduzida da revista Internationale Situationniste número 9. Enquanto toda a gente se queixava na época que “era preciso entrar no século XX”, os situacionistas achavam que a sua era, até agora, a melhor tentativa para dele sair. Ninguém melhor para os desmentir do que os próprios fãs mais acérrimos que em pleno século XXI ainda defendem a todo o cuspo a actualidade de um movimento que teve o seu auge há mais de meio século. Boa parte das suas estratégias já foram gentrificadas há muito e são o equivalente cultural daquele truque que faz crer às crianças mais pequenas ser possível separar e voltar a colar a ponta do polegar ao resto do dedo. Era bom sair do século XX de uma vez por todas, de facto.

Voltar a Leaving the 20th Century pode-nos dar algumas pistas sobre como o fazer. É a primeira edição da primeira tradução inglesa dos textos da Internacional Situacionista, mas não será pela via fácil de procurar aqui uma autoridade original, um momento fundador qualquer; que é preciso mesmo “perceber” a sério a coisa, etc. Não, este livro só nos pode ensinar que não é, nem há momento original nenhum. Se tem algum impacto, é apenas esse e não é pouco. Foi aqui que Malcolm McLaren veio buscar bitaites socialmente e politicamente chocantes para os Sex Pistols berrarem aos seus fãs mas seria o mesmo se os tivesse ido buscar a recortes de jornal pelo método do cut up. Também foi aqui que veio buscar o designer da banda, Jamie Reid que fez o layout do livro e algumas colagens que o ilustram. Se tudo isto tem alguma mensagem é que as coisas circulam, e que as distorções que sofrem pelo caminho são importantes. Defender a pureza de um instante original, autêntico, sobretudo nestes contextos, é ingénuo e autoritário.

Para o confirmar: isto (segundo a wikipedia) é uma tradução livre e fanhosa feita por Christopher Gray, na altura expulso há muito dos Situacionistas (que entretanto também tinham acabado) e que teve uma carreira bem mais interessante depois de fundar os King Mob, mais próximos dos americanos Up Against the Wall Motherfuckers. Foram os KM que se vestiram de Pai Natal e foram à Selfridges oferecer brinquedos das prateleiras a todas as criancinhas (até à polícia aparecer). Foram eles que fizeram o graffiti “Same thing day after day- tube – work – dinner – work – tube – armchair – TV – sleep – tube – work -how much more can you take? – one in ten go mad, one in five cracks up”

Se há alguma esperança neste mundo, em particular nas suas partes mais pobres e periféricas, é que alguma coisa se fica a ganhar quando se copia mal. Se existe alguma lição na colagem, no situacionismo, no punk poderia muito bem ser essa. O resto é nostalgia.

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Filed under: Crítica

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