The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A função do design

Já não leio a história do design à procura de estilos ou heróis mas de identidades, o que é mais difícil mas não impossível: atrás do designer como profissional liberal ou já como empreendedor (não é a mesma coisa) aparece o designer como funcionário ou como activista ou como trabalhador. Basta não olhar apenas para as figuras e não confiar nas biografias, e ler o que estas pessoas diziam e escreviam, sobretudo o que os incomodava.

Para isso, resisto sempre a usar a história do Philip Meggs que só é útil porque se encontra em todo o lado, e prefiro a da Johanna Drucker e da Emily McVarish, que se recusam o mais possível a fazer uma história baseada na biografia. Falam de técnica, de tendências, de política e de sociedade. Dão tanto protagonismo aos formatos autorais, heróicos (o cartaz, a capa de livro) como ao bilhete de autocarro e o menu de restaurante.

Também já não tenho paciência para a história do design como argumento para defender mais legitimação, que a sociedade ficaria melhor com mais design. Acredito que para isso o design precisava de ser radicalmente distinto nas suas identidades.

O Estado que é uma coisa moribunda e pastosa para a grande maioria das pessoas (quem não é muito rico e/ou quem não vive em Lisboa), neste momento já só existe como regulador, o que na prática significa que só serve para desencorajar maneiras das pessoas se organizarem socialmente que não sejam empresariais ou concorrenciais.

Fazer logotipos e identidades empresariais é neste momento um pro forma, como tirar o cartão do cidadão. É por isso que não interessa o novo logo da NOS ou do Governo de Portugal. Não significa nada. No passado já foi uma estratégia revolucionária: tornar tudo mais eficiente dando-lhe uma identidade empresarial. Substituir brasões e selos por logotipos. Fazer das repartições centros comerciais, lojas do cidadão.

O resultado é o que se vê: para quem não se queira assumir como uma empresa, o Estado tornou-se repressivo ao extremo. Em sítios como o interior, desapareceu. Confunde-se com mercearias e com tascas, onde se vai buscar o correio e o resto.

Daí que seja necessário descobrir com urgência outras funções para o design que não andar a produzir em massa logos para tudo e todos, que não sejam ser o burocrata por defeito desta privatização geral de tudo.

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Filed under: Crítica

4 Responses

  1. cravo diz:

    “Para isso, resisto sempre a usar a história do Philip Meggs que só é útil porque se encontra em todo o lado, e prefiro a da Johanna Drucker e da Emily McVarish, que se recusam o mais possível a fazer uma história baseada na biografia. Falam de técnica, de tendências, de política e de sociedade. Dão tanto protagonismo aos formatos autorais, heróicos (o cartaz, a capa de livro) como ao bilhete de autocarro e o menu de restaurante.”

    “uma no cravo, outra na ferradura”?… pronto, pronto. “resiste”…

    • Uso para dar bibliografia aos alunos o que está disponível na biblioteca da Fbaup. São livros caros.

      • cravo diz:

        74(091)…Biblioteca de Serralves…gratuito?..
        […se é que importa…]

      • Sim, eu sei. Posso aconselhar aos alunos outras bibliotecas. Mais do que isso não posso fazer. Para resumir: dou as aulas pela drucker, mcvarish; para exames costumo dar o meggs porque é o mais directamente acessível.

        E está traduzido, etc

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