The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Expresso Diário

Não sei quando começou, mas começaram-me a ligar da Impresa quase todos os dias por causa da minha assinatura do Expresso. É para actualizarem os meus dados, explicam. O meu cartão de crédito expirou, dizem. Eu respondo que paguei com um mbnet, é natural que tenha expirado. Fi-lo só para aquela transacção. Dura um mês. Insistem, mas precisamos de actualizar os dados. Eu pergunto, mas há alguma coisa por pagar. Verificam. Não, não há. Mas precisam de actualizar os dados. Eu proponho criar um cartão de crédito válido para uns tantos meses e com o tecto de um euro. Ficam satisfeitos. Pergunto, mas não dá para tratar disso online? Não lhes digo mas não me agrada ditar o número de um cartão de crédito pelo telefone a alguém que me diz que é da Impresa, mesmo que o tecto seja um euro. Respondem que não, que devo indicar o meu Nib ou um cartão de crédito válido, etc.

O título deste post não é um trocadilho, não o escolhi porque me telefonam diariamente do Expresso. Isto é mesmo sobre o Expresso Diário.

Gosto do formato, de me escolherem a uma hora certa um conjunto de notícias. É isso que significa edição, e prefiro-o a ter que ser eu a catar as notícias que me interessam. Acabo por só ler as mesmas coisas, os mesmos colunistas e os mesmos assuntos. Esta selecção dá-me mais variedade. Para cada Daniel Oliveira (bom) um Henrique Monteiro (péssimo). É como ir ao café em Vila Real: há sempre alguém a desbobinar em voz alta sobre os anarquistas da manifestações, os comunistas que querem baixar os horários para 35 horas semanais e como o Passos nos está a salvar (ainda) do Sócrates. Ensina-nos que as pessoas acreditam nas coisas mais imbecis. Apanhando as notícias pelo facebook, acabamos por nos ver devolvida uma versão ampliada dos nossos próprios gostos e convicções. Lendo um bom jornal, ou neste caso uma espécie de newsletter mascarada de jornal, apanhamos uma visão mais alargada.

O problema é que os senhores do Expresso, tal como com as suas assinaturas, não percebem que estão a lidar com a internet. Têm medo. Que os leitores agarrem nas notícias e as pirateiem. Autorizam um sharezito no facebook mas só do link do artigo, que nem deixa sequer entrever o seu título. Dificultam a vida a quem quer fazer um copy/paste. No iphone ainda consigo. No computador tenho que fazer um printscreen e depois um ocr só para extrair uma citação. Ou seja, o que me chateia mais no Expresso Diário é a sua blindagem.

É menos evidente que a versão anterior do Expresso online que era um pesadelo, uma simulação em flash de um jornal em papel que fazia “FLUP! FLUP!” quando virava as páginas. Tinha que tirar o som do computador ou ler de fones. Para partilhar só mesmo usando uma ferramenta de “recortes” com um ícone de tesourinha que depois só podia enviar a quem também tivesse uma assinatura. Tudo isto lido num buraquinho no meio de uma janela de browser atravancada de tesourinhas e botõezinhos. Era como jogar um simulador de vôo no Spectrum.

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Filed under: Crítica

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